Saber Fazer

Diário do Curso do Linho em Famalicão

A Colheita - 14 e 15 de Junho

A colheita do Linho faz-se arrancando a planta, e não cortando, pois a fibra está presente em toda a extensão do seu caule. A sua raiz é aprumada e pouco profunda, pelo que não é difícil de arrancar.

À medida que vamos colhendo, vamos fazendo molhos para ripar, com as raízes e as baganhas (cápsulas) sempre orientadas no mesmo sentido. Para facilitar o processo de ripar, os molhos não devem ser muito grandes e devemos colocá-los em cruz para que as baganhas de cada molho fiquem separadas e não se emaranhem. É apenas um pormenor, mas se fizermos uma grande pilha de linho com as baganhas todas entrelaçadas, é mais difícil separar pequenos molhos para ripar.

O mais importante no dia da Colheita, além de a fazermos no momento certo, é o trabalho e equipa. É um trabalho simples, mas que se faz mais facilmente e de forma produtiva se estivermos organizados. A ripagem foi um dos momentos em que pudemos ver isso, porque rapidamente se criaram dinâmicas para tornar o trabalho mais célere. 

Ripar consiste em utilizar o ripo para separar as baganhas dos caules. Este processo é indispensável por duas razões: a primeira é porque queremos conservar a semente para o próximo ano e, portanto, não podemos permitir que vá para dentro de água juntamente com os caules. A segunda razão é que a semente, sendo oleaginosa, vai interferi com o processo de maceração e, por isso, mesmo que não quisessem aproveitar a semente, teriam de realizar a ripagem.

Os caules são amarrados em molhos para serem colocados dentro do tanque a macerar.
Estes molhos são feitos com metade dos caules voltados num sentido e metade no outro. Isto faz-se para tornar os molhos mais equilibrados e mais fáceis de atar, já que as raízes têm mais volume que os topos. 
As ataduras devem ser bem apertadas, para evitar que o Linho "fuja" dentro do tanque. Este pormenor é especialmente importante se colocarem o Linho num local com corrente, por exemplo um rio.
Os nossos molhos eram de pequena dimensão, mas noutra oportunidade podem ser feitos molhos bem maiores.
 

Como o tanque da Casa do Território no Parque da Devesa não é muito fundo (tem cerca de 80cm), bastou-nos atar um par de paralelos a cada molho para garantir que estes ficam submersos e não voltam à tona.