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Classificação das Lãs Nacionais

classificacão das lãs nacionais mário coelho morais

Uma coisa que é bom conhecer quando se trabalha com lãs, é a Classificação das Lãs Nacionais que se encontra neste momento em vigor no nosso país. Estas duas tabelas não são os documentos mais fáceis de encontrar online, embora esteja disponível em diversas bibliotecas, mas tive a sorte de, no momento em que procurei (leia-se "googlei") pelo livro, o ter encontrado num alfarrabista cá no Porto, em excelente estado de conservação.

Esta classificação, que foi o resultado do trabalho do Dr.Mário Coelho Morais nos anos 40, veio criar um sistema para orientar a indústria têxtil na categorização desta matéria-prima. Nele, Mário Coelho diz que, por um lado, as classificações até então existentes se baseavam mais no aspecto zootécnico do problema, do que no do processamento têxtil industrial. E por outro lado, que uma classificação baseada apenas na espessura das fibras seria uma atitude simplista, num país como o nosso, que apresenta uma produção de lãs muito heterogénea.
Por isso, neste livro constam duas tabelas: uma com as lãs agrupadas por grupos e tipos padrões fundamentais, segundo as suas características têxteis, e outra com as lãs agrupadas por classes, de acordo com a sua espessura.

À primeira vista, achei que esta classificação teria mais interesse para quem lida com a lã a um nível industrial, mas mudei de ideias quando começamos o trabalho sobre as lãs portuguesas e, de repente, me deparo com os mesmos termos a serem utilizados de forma genérica numas situações (ex: "velo de tipo cruzado") e com um significado técnico e muito específico noutras (ex: "cruzado comum"). Ou quando lemos "merino extra, merino fino, merino médio e merino forte" e ficamos a pensar que relação é que estes termos têm com as raças merina branca, merina preta e merina da beira baixa - isto é material para um outro post inteirinho.

A quem interessar consultar as ditas tabelas, ao clicarem nas imagens acima têm acesso à imagem em tamanho maior.


Portuguese Wool national classification system

One thing that is good to know, is the classification system that is being used in our country. These two tables aren't the easiest thing to find (this book is from 1947), but I was lucky enough to find it in a bookshop right here in Porto, at the moment I started looking for it.
This classification system was the work of Dr.Mário Coelho Morais, back in the 40's, and it was created to provide the textile industry with some kind of orientation. It basically classifies wool in two different ways: one, according to its textile characteristics, and the second one, according to the fiber thickness. This last table also relates our classification with the english and french ones, which is useful.
At first I thought this was more interesting for someone who is working with wool at a more industrial level, but I quickly changed my mind when we started the study about portuguese wool and started to find the same terms used in a more generic way, in some situations, and with a very specific and technical meaning, in others, which was very confusing at first! So, at least, this document helps clarify when I'm dealing with one situation, or the other.