Saber Fazer

Diário | Journal

A penteação e o outro lado das lãs portuguesas

up-9797.jpg

Pentear lã com os pentes da Louet tem sido, nos últimos tempos, um dos meus maiores prazeres. Então quando tenho nas mãos uma beleza como este merino cinza claro que trouxe da Ancorme há um par de semanas, o resultado é qualquer coisa de especial. Conseguem ver nas fotos como se mantêm os reflexos castanhos no penteado final? É lindo.

Apesar de escolher cardar vs pentear ser absolutamente determinante no tipo de fio que se vai fiar, quando comecei a aprender a trabalhar a lã, ensinaram-me a cardar como se não existissem mais opções (nem houvesse necessidade de existirem!). E de facto, em Portugal, a cardação é na maior parte das vezes o único método de preparação da fibra utilizado no trabalho artesanal, salvo em algumas regiões onde a lã produzida pela raça local é de tal forma longa que praticamente exige ser penteada. 

Embora já soubesse que os resultados obtidos utilizando um método vs o outro são radicalmente diferentes, não deixei de ficar surpreendida quando comecei a pentear lãs portuguesas que até então só tinha fiado cardadas. Foi como conhecer um lado novo de alguém que eu achava que já conhecia muito bem.
É que o que a penteação faz (e a cardação não) é separar as fibras mais longas das mais curtas, enquanto as alinha. Se por um lado produz desperdício, que pode ser maior ou menor consoante a qualidade da lã, por outro lado permite-nos ficar apenas com as melhores fibras para trabalhar e isso faz toda a diferença. A forma como abre as fibras também tem a vantagem de ir soltando muito do pêlo morto e outros detritos que possam existir.
Acho que no nosso contexto específico, adicionar a penteação ao repertório não se trata apenas de alargar a gama de resultados que as nossas lãs podem oferecer, mas também tirar partido de outras vantagens que este método traz consigo. Uma dessas vantagens, segundo a minha experiência, é conseguir dar a volta àqueles velos menos bons, que facilmente nos vêm parar às mãos quando se vive num país como o nosso, onde os ovinos não são criados para lã.

Estes Mini Combs da Louet, que têm o condão de serem leves e práticos, sem deixarem de fazer um bom trabalho estão agora disponíveis na loja online para quem se quiser iniciar na penteação.

//

Combing wool with Louet's mini combs has been one of my latest pleasures. And combing this gorgeous light gray portuguese merino that I brought from Ancorme a few weeks ago, makes it even more so. I don't know if you can see in the photos how the light brown shades show in the roving. It's beautiful.
Even though choosing to card vs combing is absolutely determinant of the yarn we're going to be spinning, when I was taught to spin wool, I was taught to card like there were no other options available (and there were no need for them!). In fact, in Portugal, carding is almost always the only fiber prepping method when handprocessing wool, maybe except in some regions where the wool from the local sheep breeds is so long that it practically demands to be combed.
Although I knew the results using one method vs the other are radically different, I was still surprised when combing and spinning portuguese wools that I had only spun carded until then. It was like seeing a whole new side of someone I though I knew really well!
The fact that combing separates the longer fibers from the shorter ones, allowing us to keep the best ones to work with, does make a lot of difference in making the most from the fleeces we get when you live in a country where most of the sheep are not raised for wool. It's so easy to find yourself with a not-so-good fleece in your hands, and I feel that combing instead of carding, could sometimes be a better option to make the most of it.