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Aqui ficam algumas imagens da oficina de Feltragem com Lãs Portuguesas que a Ana Rita de Albuquerque veio cá dar no passado sábado. Tivemos casa cheia para uma oficina que foi uma estreia na casa do Saber Fazer, mas que será a primeira de muitas.
Tenho a tendência a pedir a quem vem cá ensinar para se focar na parte técnica e também tento explorar a intersecção do trabalho deles com o meu aqui no Saber Fazer. É isto que torna as oficinas por cá realmente únicas.
Neste caso a Ana Rita focou-se não só em ensinar os básicos da Feltragem, mas também algumas técnicas de modelação mais interessantes. Tudoisto  usando lãs portuguesas, algumas que ela trouxe já lavadas e cardadas e outras em bruto que tivemos a oportunidade de ir pescar ao meu arquivo de lãs.

Há mais imagens aqui, para quem quiser ver. 

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Here are some images from last saturday's felting workshop with Ana Rita de Albuquerque. We had a full house for this workshop. It was the first felting workshop at Saber Fazer's atelier, but hopefully it was the first of many.
I tend to ask to those that come here to teach to focus on the technical aspect of the craft and also to explore the intersection of their work with mine with Saber Fazer. In this case, Ana Rita focused on teaching not only the basics of felting, but also a few sculpting techniques, always using portuguese wools.

There are more images published here, if you're interested in taking a closer look at this workshop.

 

Giveaway Ferramentas de Carpintaria e Marcenaria
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**ACTUALIZAÇÃO**
Aqui estão os vencedores. Se o vosso nome tem um asterisco à frente, é porque não introduziram o vosso email quando deixaram o comentário. Para receberem o livro ou poster, têm de me enviar um email com o vosso contacto.

Posters:

#1 - Filipa Pinto da Silva
#2 - Mafalda Soares
#3 - Pedro Faria*
#4 - Cláudio Rodrigues

Livros:
#1 - ana fernandes*
#2 - olga dias
#3 - patrícia fernando *
#4 - brigida machado
#5 - maria figo*
#6 - frederico fernandes*
#7 - rita balixa
#8 - daniela (reutilizar1)
#9 - maria pereira
#10 - gil raro
#11 - maria silva
#12 - marta da silva




Sim, é verdade, estou a dar coisas! Mais especificamente, 12 exemplares do livro Ferramentas de Marcenaria e Carpintaria e 4 posters do mesmo tema, que já são um clássico por aqui e um must-have para quem tem interesse pelo tema.

Como já sabem, a edição deste livro é sempre feita em pequenas quantidades. A principal razão é porque me permite ir fazendo alterações no livro, mantendo-o actualizado e evitando possíveis desperdícios, enquanto utilizo papéis e técnicas de encadernação bem mais interessantes do que se o produzisse em grande escala. No entanto, há sempre alguns exemplares que, apesar de bem bonitos e com o mesmo conteúdo, não passam o controlo de qualidade por alguma razão. Geralmente por algum problema com a impressão ou pequenos danos que os tornam inviáveis para ser vendidos.

Recuso-me a deitá-los fora porque, salvo pequenos defeitos estéticos, são lindos à mesma e o conteúdo tem a mesma qualidade e legibilidade.

Portanto, vou oferecê-los! 

Se quiserem receber um, só têm de deixar um comentário aqui neste post, que este é um giveaway à maneira antiga, e subscrever a newsletter do Saber Fazer.
A subscrição na newsletter é obrigatória, se ainda não a subscreveram.

No dia 1 de Março faço um sorteio e anuncio quem ganhou.

Nota: comentários no facebook e instagram não são válidos!

 

De quando trouxemos a Teresa ao Norte para nos ensinar umas coisas sobre seda

As imagens deste vídeo já foram captadas em 2016, no dia da oficina que demos em Serralves. Nele, a Teresa Frade faz uma pequena demonstração do processo de extracção da seda dos casulos. As condições não foram as ideais, a começar pela água que teimava em não aquecer, até ao ruído de fundo que não nos deixa ouvir o sarilho a rodar e os dizeres da Teresa enquanto ela trabalha. Mas já tenho andamento suficiente para saber que registos destas pessoas se fazem quando podemos e nem sempre quando queremos, porque a oportunidade pode não voltar a surgir.
Além disso, é raro ter comigo alguém para filmar e neste dia tive a sorte de poder contar com o João para captar e editar o vídeo final, também.

No ano seguinte, em 2017, trouxemo-la novamente ao Norte. Desta vez foi no Museu da Indústria Têxtil da Bacia do Ave que tivemos a oportunidade de a ver fazer uma demonstração fiel do trabalho que realizou durante décadas, utilizando o seu próprio material e também de aprender a desenrolar casulos pessoalmente com ela.

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The images in this video were captured back in 2016, in the day we brought Teresa Frade to teach a silk workshop in Serralves.
In the video, Teresa makes a short demonstration of her silk reeling process, which is the way it is done traditionally in Portugal. The conditions in which the video was made were not ideal. The water was not heating up properly and the background noise doesn't allow us to ear the swift turn and her sayings while she works. But still, I know that this kind of documents should be done when the opportunity arises. It's very rare that I have someone with me to film and this day I was lucky to have João to film and edit the final video, later.

The following year, in 2017, we brought her to the North again. This time it was in the Textile Industry Museum in Famalicão that we had the opportunity to see her work using her original equipment and the traditional fire. Those who came to the afternoon
workshop, also had the opportunity to learn to reel cocoons personally with her. 

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Anatomia de uma capa de burel
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O assunto da capa de burel surgiu na oficina de tecelagem, enquanto o Fernando folheava a capa de amostras dele que contém alguns exemplos de tipologias tradicionais, portuguesas e não só.
É interessante olhar para uma peça destas do ponto de vista técnico que, apesar de ser tantas vezes ignorado, é muitas vezes o que mais condiciona o resultado final. O que fazemos não é sempre fruto do que se quis fazer, mas do que pôde fazer com os meios técnicos que tínhamos para atingir determinado fim, ou, como ouvi dizer no outro dia: o bom design prospera na adversidade.

Na oficina, falamos do burel do ponto de vista técnico da tecelagem, de como o tecido tem de ser uma sarja para que o processo de feltragem durante o apisoamento corra bem e o tecido fique bem fechado. A sarja, por ser uma estrutura com menos ligamentos que o tafetá, deixa os fios mais livres, o que auxilia a feltragem que ocorre durante o apisoamento.
Ao olharmos para a capa, percebemos que a estrutura do tecido não é uma sarja verdadeira, feita com 4 quadros, mas sim uma falsa sarja de 3 quadros. A capa diz-nos que a necessidade de tecer uma sarja é imperativa para se fazer um bom burel, mas também que como teares tradicionais de 4 quadros não abundam, resolveu-se o problema com um de 3.
A fiação também dita o sucesso do apisoamento ou não. Os fios para a teia eram fiados com mais torção, para resistirem às forças de tensão a que uma teia está sujeita, mas os da trama eram fiados com pouca torção, sem dúvida para manter as fibras soltas, o que ajuda na feltragem.

Esta capa chegou-me às mãos graças à Paula e ao Fernando. Eu já andava há alguns anos à procura de uma verdadeira capa de burel, que gostava de ter tanto por razões sentimentais como profissionais.
Esta é uma capa antiga, mas nova. Nunca foi usada. Foi feita há muito tempo para ser vendida.
O fio foi fiado à mão a partir de lã churra preta e o tecido também foi tecido à mão pela pessoa que a vendeu, da zona de Montalegre. Ainda me falta apurar em que pisão foi apisoado o tecido (provavelmente o de Sezelhe, de acordo com a Paula) e quem a talhou. 

Uma das coisas que sempre me fascinou nestas capas, e que nunca tinha conseguido ver com clareza até ter recebido esta, era precisamente o corte. É aparentemente simples e de uma geometria rigorosa, mas qualquer pessoa que experimentou uma capa destas vos dirá que mal a vestem, são automaticamente envolvidos por ela. Cai na perfeição, quer a usemos com capucha, só aos ombros, aberta para trás ou pousada só num ombro.  
A largura dos teares também era uma limitação, claro. Não seria possível tecer peça larga o suficiente para talharmos o corpo numa peça inteira. Então, esta própria geometria do corte, que é tão bonita, também resulta de uma limitação. Vemos as costuras voltadas para dentro, mas do lado exterior estão de tal forma pisadas que são quase invisíveis.

A Maria das Dores, que a fez, diz que se deve guardar num saco de estopa, por causa da traça, que não come a estopa para chegar à lã! É daquelas coisas que se torna óbvio depois de alguém nos dizer...

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The topic of the Burel cape came about during the weaving workshop, while Fernando went through his textile sample book that contains some of the traditional portuguese weaving typologies.
It's interesting to look at a piece, that is so traditional in Portugal, from a technical point of view, which is so often overlooked. What we make isn't always the result of what we intended to make, but of the technical means we had to attain something, or as I heard the other day: good design thrives in adversity.

In the workshop, we talked about burel from a weaver's point of view, of how it needs to be woven as a twill so that the felting that occurs during the waulking process is effective.
But looking at the cape, we can see that this is not a regular twill woven with 4 shafts, but a 3 shaft
twill. This cape tells us that although weaving a twill is imperative, 4 shaft looms were not common around and a 3 shaft loom had to do. Most domestic looms had only 2 shafts.
How the yarn was spun also influenced if the waulking went well or not. The warp threads were spun with more twist, of course, to withstand the tension, but the weft yarn was
low twist so that the loose fibres would felt more easily as well.

I got this cape thanks to Paula and Fernando. A wonderful opportunity, since I had been looking for a real one for years, for both sentimental and professional reasons.
It's an old cape, but new, as it has never been worn. It was made long ago, when there were still waulking mills working, to be sold.
The yarn was spun from black churro wool and it was handwoven by the person who sold it, from Montalegre. I'm still not sure where it was felted and of who sewed it.

One of the things that has always fascinated me but that I never had the opportunity to see closely until I got this one, was how it is cut. It looks simple and very geometric, but anyone that has tried one on will tell you that the minute you put it on, it wraps you up beautifully. 

The width of the looms was a limitation as well. It was not possible to weave fabric wide enough to cut the cape from a single piece. So this beautiful geometry in the cut is also a result of this limitation. We can see the seams on the inside, but on the
outside they were pressed to be invisible.

Maria Martins, the lady that made it, says you should keep it in a thick linen
bag, because moths will not eat it to get to the wool cape. It sounds pretty obvious the minute someone tells you that...


 

Aprender a tecer com o Rei
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Fantástica e intensa! Foi assim a Oficina de Iniciação à Tecelagem com o Fernando Rei que tivemos no passado fim-de-semana de 13 e 14 de Janeiro. 
Ficam aqui algumas imagens para quem quer dar uma espreitadela ao que fizemos.
Nesta oficina estreamos o Manual de Iniciação à Tecelagem, resultante de um levantamento técnico que fiz com a Guida Fonseca já em 2016. Estes manuais que vos vou mostrando podem parecer apenas um pormenor, mas são na realidade fruto de muito trabalho e uma das coisas que tornam os momentos de aprendizagem do Saber Fazer realmente diferentes. 

A próxima edição da iniciação à Tecelagem com o Fernando vai ser no fim-de-semana de 17 e 18 de Março e as inscrições já estão abertas!

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Fantastic and intense! That's how it was doing the introduction to weaving workshop with Fernando Rei on the 13th and 14th of January.
Here are some images of what we did.

The next weaving workshop with Fernando Rei is already scheduled to the 17 and 18th of March!

Amostras do que aí vem
Base de lã de Merina Branca com velo de Churra da Terra Quente / White Merino wool with Churra da Terra Quente fleece

Base de lã de Merina Branca com velo de Churra da Terra Quente / White Merino wool with Churra da Terra Quente fleece

Lã Bordaleira de Entre-Douro-e-Minho

Lã Bordaleira de Entre-Douro-e-Minho

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Estas são algumas das amostras em que a Ana Rita anda a trabalhar para a oficina de Feltragem que virá cá orientar no próximo dia 24 de Fevereiro. Vamos trabalhar exclusivamente com diferentes lãs portuguesas para ficar a conhecer as suas características e comportamento durante o processo de feltragem, e explorar diferentes técnicas de modelação: pregas, rendilhados, laminados e trabalhar com velo em bruto também. 
Esta oficina vai ser uma estreia, já que a feltragem é o assunto que menos tenho explorado, mas sobre o qual tenho imensa curiosidade e no qual vejo muito potencial.
Quem conhece a Ana Rita já conhece a sua energia, bem como a capacidade de explorar diferentes técnicas e formas de expressão, por isso as expectativas para esta oficina são altas!

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These are some of the samples Ana Rita has been working on for our upcoming Felting workshop. We'll be working exclusively with several types of portuguese wool to get to know their characteristics and behavior under the felting process, and also explore different modeling techniques.
This workshop is going to be a first, mostly because Felt has been the theme that I have explored the least, but one that I'm immensely curious about.
Those that know Ana Rita know her energy, as well her capacity to explore different techniques and forms of expression, so expectations are high for this workshop!

Ir à Alfaiate
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Ontem foi dia de ir à Alfaiate do Livro (a.k.a Catarina Azevedo), buscar os livrinhos de Ferramentas de Marcenaria e Carpintaria que me faltavam para completar a última edição, e também de aproveitar para ficar a conhecer o espaço dela e do Pedro, na rua do Breiner.
Acho que estava com saudades de espiolhar as oficinas dos outros!

Já era fã dos seus Tromba, a marca de cadernos encadernados e cosidos à mão da Catarina, mas ainda não tinha tido oportunidade de trabalhar com ela. Foi a Karen que nos pôs em contacto quando procurava alguém para encadernar a última edição de 50 livrinhos, que ficou ainda mais especial, encadernada e cosida à mão, incluindo cantinhos arredondados (finalmente!). Estão muito bonitos!

A ver:
Alfaiate do livro no FB e blogue
Tromba
Os livrinhos de Ferramentas de Marcenaria e Carpintaria na loja online

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Yesterday I went to visit the Alfaiate do Livro (a.k.a Catarina Azevedo), to pick up a few of our Woodworking tools book from the last edition, and also to get to know her atelier. I guess I missed snooping around other people's workshops.
I was already a fan of her Tromba notebooks, also handbound and finished, but I hadn't had the opportunity to work with her yet. Karen put us in touch when I was looking for someone to do a good hand binding for this last edition of 50 books, which is more beautiful than ever, including the pretty round corners!

To see:
Alfaiate do
livro on FB and her blog
Tromba notebooks
Woodworking tools book at our online shop (available only in
portuguese)
 

A Lã Portuguesa na SPIN-OFF
 
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A edição da Spin-Off do Inverno de 2018 já saiu e lá dentro podem encontrar um artigo dedicado exclusivamente às Lãs Portuguesas! Estou muito contente com esta peça, não só por ser uma espécia de primeira apresentação das lãs portuguesas a um público internacional, mas também porque foi baseado num trabalho extenso e rigoroso que se está agora a aproximar da sua conclusão.
O trabalho está quase finalizado e o livro está quase a chegar. Finalmente. Entretanto podem ler o artigo aqui!

Para os mais distraídos, ou que chegaram aqui há pouco tempo, desde 2015 que temos levado a cabo um estudo dedicado às Lãs provenientes das raças autóctones portugueses, através do qual pretendemos conhecer as características e o potencial de cada uma destas diferentes lãs.
Reunimos velos de todas as raças e produzimos amostras fiadas, tricotadas, tecidas e feltradas de todas. Fizemos um extenso trabalho de investigação sobre o contexto em que cada uma das raças se insere e já começamos a dar algumas oficinas dedicadas apenas a este tema, dando a conhecer a grande diversidade de lãs que temos num país tão pequeno.
O objectivo final é a publicação da Guia Prático para as Lãs Portuguesas, um livro que estará disponível dentro em breve.
Para estarem sempre actualizados e receberem uma notificação quando for publicado, podem subscrever a newsletter!

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Spin-Off's 2018 winter issue is out and in it you'll be able to find an article exclusively devoted to Portuguese Wool! I'm very happy with this piece, not only because I consider it to be the first presentation of Portuguese Wool to a wider international audience, but also because it was based on an extense research work that is almost concluded.
The book will be out very soon. Finally.
In the meanwhile, you can
read the article here.

If you got to Saber Fazer recently, you may not know that we have been working on an extensive research work about wool from our autochtonous breeds that started back in 2015. Our goal was to create knowledge about this local resource, its characteristics, and potential.
We gathered samples from all 16 breeds and processed them all to yarn andwoven, knitted and felted samples. We also did an extense research on the context and recent history of each breed and we already started to
offer workshops exclusively on this subject, as way of spreading this information.
The final goal is the publication of the Guide on Portuguese Wool that should be out very soon. If you'd like to be updated about this, you can
subscribe the newsletter.
 

O Curso do Linho de longa duração - dia final
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Semeámos, vimos crescer, colhemos, ripamos, maceramos, secamos e moemos o nosso próprio linho, no espaço de dois meses e meio. Esta foi a parte fácil de produzir linho, a mais trabalhosa vinha a seguir e é a que nos leva a espadelar, assedar e fiar.
No último dia do nosso curso, juntámo-nos todos a trabalhar onde tudo começou. Foi um dia bem bonito em volta das nossas fibras. Falamos da nossa experiência, discutimos resultados e opiniões, aprendemos a espadelar, à mão e com a nossa espadeladora mecânica. Assedamos com sedeiros antigos e modernos. Ainda aprendemos a usar as cardas como ferramenta que nos permite aproveitar mais fibras da estopa que fica da fase da assedagem e aprendemos também a cardar as fibras mais curtas para facilitar a fiação.
Da fiação, que na verdade não estava incluída no programa do curso por achar que é uma arte em si só, falamos um pouco e houve quem tivesse dado umas voltinhas nas rodas de fiar, nos fusos de suspensão e no fuso português. Fiar linho é mais difícil que fiar lã, na minha opinião. E a responsabilidade aumenta quando estamos a usar as fibras que cultivamos nós próprios e que tanto tempo levaram até chegar às nossas mãos, assim sedosas e loiras.

Este curso foi dos projectos que mais gozo me deu desenvolver este ano. As oficinas de 1 dia são úteis e interessantes, mas este é definitivamente o nível seguinte. Acompanhar o tempo natural de crescimento e processamento do Linho permitiu-nos abordar cada um dos assuntos com calma e entre actividades havia novamente tempo para a informação assentar e as questões surgirem. Além de aprendermos sobre o ofício propriamente dito, visitamos entidades e pessoas que nos ajudaram a ver este tema de diversas perspectivas. Algo absolutamente essencial para que possamos ter uma visão realista do que é o trabalho do Linho em Portugal actualmente, sem ilusões de folclores e museus etnográficos.
Além de tudo isto tive a sorte de receber um grupo interessado e diverso, com pessoas que se inscreveram cada um pelas suas razões e no final fiquei satisfeita por saber que aprenderam bastante.
Na verdade, este curso foi uma oportunidade única para quem conseguir inscrever-se, possível apenas por ser um programa apoiado pelo Município de Vila Nova de Famalicão, ao qual temos de agradecer pela forma como nos receberam e pelo apoio incrível que prestaram a todos os trabalhos que se desenrolaram. Sem esta abertura, nada teria sido possível.

Para o ano há mais!

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We sowed, saw it grow, harvested, rippled, retted, dried and ground our own flax in a two and a half months time. This was the easy part of flax growing, the hardest one was yet to come and that is the one that demands us to scutch, comb and spin our flax.
In the last day of our course, we got together to work in the same place where it all started. It was a beautiful day, spent taking care of our fibers. We shared opinions, discussed experiences and results. Learned how to scutch by hand and with our new scutcher. Combed the flax with old and new hackles. And we still had time to learn how to use a simple pair of handcards to make the most of the shorter flax fibers.
Spinning flax actually was not a part of the program, but I took the spinning wheels, drop spindles and
portuguese traditional spindles and people got the opportunity to experiment with that. Flax is not the easiest fiber to start to learn spinning, in my opinion, and that difficulty increases when you realize you're learning while using the beautiful fiber that took you so much time and effort to grow. A sense of responsibility quickly arises!
This course was one of the projects that I had most pleasure in developing this year. One day workshops are interesting, but this is clearly the next level. Following the natural rhythms of growing and processing flax allowed us to approach each subject with the required time and, in between activities there was time to let the information settle and see more questions arise. On top of learning about this specific process, we visited several places and people that helped us get a realistic notion of what is the context of flax production in Portugal, without illusions of
folklore or museums.
We also were very lucky to have a very interested and diverse group, with people that came for very different reasons.
This course was an exceptional opportunity and was only possible because of the support of the Vila Nova de Famalicão Municipality, to whom we need to thank for the way we were received in this city and for the generous collaboration in all the stages of the process.
We'll have more next year!

The line that ties the world together

"It is a mesmerizing art, the spindle revolving below the strong thread that the fingers twist out of the mass of fiber held on an arm or a distaff. The gesture turns the cloudy mass of fiber into lines with which the world can be tied together. Likewise the spinning wheel turns, cyclical time revolving to draw out the linear time of a thread. The verb to spin first meant just this act of making, then evolved to mean anything turning rapidly, and then it came to mean telling a tale. Strands a few inches long twine together into a thread or yarn that can go forever, like words becoming stories. The fairy-tale heroines spin cobwebs, straw, nettles into whatever is necessary to survive. Scheherazade forestalls her death by telling a story that is like a thread that cannot be cut; she keeps spinning and spinning, incorporating new fragments, characters, incidents, into her unbroken, unbreakable narrative thread. Penelope at the other end of the treasury of stories prevents her wedding to any one of her suitors by unweaving at night what she weaves by day on her father-in-law’s funeral garment. By spinning, weaving, and unraveling, these women master time itself, and though master is a masculine word, this mastery is feminine. Women were spinsters before the word became pejorative, when distaff meant the female side of the family. In Greek mythology, each human life is a thread that the three Moirae, or Fates, spin, measure, and cut. With Rumpelstilskin’s help, the unnamed fairy-tale heroine spins straw into gold, but the wonder is that every spinner takes the amorphous mass before her and makes a thread appear, from which comes the stuff that contains the world, from a fishing net to a nightgown. She makes form out of formlessness, continuity out of fragments, narrative and meaning out of scattered incidents, for the storyteller is also a spinner or weaver and a story is a thread that meanders through our lives to connect us each to each and to the purpose and meaning that appear like roads we must travel."

― do "The Faraway Nearby" , da Rebecca Solnit

Moer o Linho
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O engenho do Linho, desenhado na hora pela Mónica Loureiro / The flax grinder, sketched by Mónica Loureiro on the spot.

O engenho do Linho, desenhado na hora pela Mónica Loureiro / The flax grinder, sketched by Mónica Loureiro on the spot.

Macerado e bem seco o linho que cultivamos no Parque da Devesa, chegou a hora de o moer para quebrar a parte lenhosa e libertar a fibra! Foi ainda em Julho que pegamos na nossa "palha" toda e rumamos ainda mais a Norte para fazermos a moagem no engenho que já tinha mostrado aqui.
É aqui que vemos pela primeira vez as fibras do linho a "aparecer" e é, por isso, um momento sempre muito interessante. Também é o momento da verdade para a qualidade da curtimenta do linho: depois de entrar no engenho ficamos de imediato a saber se o linho foi bem macerado ou não. Eu, pessoalmente, acho esta máquina fabulosa e aproveito qualquer oportunidade para ver uma funcionar num contexto real de utilidade.
Até aqui o calendário e os objectivos do Curso de Longa duração de cultivo do Linho que decorria em Famalicão estavam a cumprir-se como planeado. Tínhamos agora o nosso linho moído, pronto a trabalhar!
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After retted and dried, it was time to take the flax we grew at Parque da Devesa to be ground. When the time came we went up north to grind it in this Flax grinder that I showed here before. I think that this is truly the first moment when we can see the flax fibers "appear" and so it is always very interesting to witness. It is also the moment when we really get to know if the flax is well retted or not.
So far, the calendar and goals of the Flax growing workshop were going as planned, and now we had our flax ready to be processed into linen!

Entretanto

Entretanto, no atelier do Saber Fazer acumulam-se os despojos das nossas produções e oficinas da Primavera. O primeiro comentário de alguém que entra pela primeira vez neste espaço refere-se sempre ao cheiro. Lã em bruto, índigos e outras plantas a secar, palha de linho e casulos entre outras coisas, criam uma forte mistura que separa os visitantes: uns adoram de imediato, outros acham estranho e demoram algum tempo a habituar-se.
A mim cheira-me a casa.  



In the meanwhile, the sweepings of our crops and workshops start flowing into this little space that is Saber Fazer's atelier. The first thing everybody comments upon coming in for the first time is the smell. Raw wool, drying indigos, flax straw and cocoons make for a strong mix that tells visitors apart: some immediately love it, some find it unusual and need some time to get used to it.
It smells like home, to me.

Primeira colheita de índigo
Persicaria tinctoria (índigo japonês) no Parque da Devesa, Famalicão /  Persicaria tinctoria at Parque da Devesa, Famalicão (Japanese índigo)

Persicaria tinctoria (índigo japonês) no Parque da Devesa, Famalicão / Persicaria tinctoria at Parque da Devesa, Famalicão (Japanese índigo)

Colhendo os índigos japoneses / Harvesting the Japanese índigos

Colhendo os índigos japoneses / Harvesting the Japanese índigos

Colhendo os índigos japoneses / Harvesting the Japanese índigos

Colhendo os índigos japoneses / Harvesting the Japanese índigos

Colhendo os índigos japoneses / Harvesting the Japanese índigos

Colhendo os índigos japoneses / Harvesting the Japanese índigos

Coreopsis tinctoria 

Coreopsis tinctoria 

Colher sementes para o próximo ano. Estas são da coreopsis tinctoria /  Keeping the seeds for the next year, these are Coreopsis   tinctoria's   seed pods

Colher sementes para o próximo ano. Estas são da coreopsis tinctoria / Keeping the seeds for the next year, these are Coreopsis tinctoria's seed pods

Açafroa / Safflower

Açafroa / Safflower

Camomila-dos-tintureiros / Dyer's Chamomile

Camomila-dos-tintureiros / Dyer's Chamomile

Estas plantas são muito generosas. Estão sempre a florir, por isso corto as flores e seco-as para usar mais tarde. /  These plants are very generous. They keep on giving, so I'll dry them for later use.

Estas plantas são muito generosas. Estão sempre a florir, por isso corto as flores e seco-as para usar mais tarde. / These plants are very generous. They keep on giving, so I'll dry them for later use.

A experimentar fermentar as folhas frescas para precipitar o pigmento. /  Experimenting with fermenting the fresh leaves to extract the pigment.

A experimentar fermentar as folhas frescas para precipitar o pigmento. / Experimenting with fermenting the fresh leaves to extract the pigment.

Esta é a primeira colheita a sério do indigo japonês que está a ser cultivado nas Hortas Urbanas do Parque da Devesa!
Na verdade, o momento ideal para esta primeira colheita teria sido há um mês atrás, bem antes de começarem a surgir flores, mas nessa altura estávamos no pico do ciclo do Linho e os índigos tiveram de esperar. Cortamos os ramos deixando um pouco da base para que voltem a rebentar e, com um pouco de sorte, ainda conseguimos colher mais um pouco no Outono.
A maior parte das folhas serão para secar, para que possam ser usadas mais tarde, mas algumas não resisti a usar já para experiências de fermentação.
Muitas das outras plantas estão a florir e as flores guardam-se para secar também: coreopsis, camomila-dos-tintureiros, açafroas, cravos túnicos, calêndulas... Os pastéis-dos tintureiros continuam a crescer calmamaente, bem como as garanças.
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This was our first harvest of our indigos that are growing in the Parque da Devesa, in Famalicão! The right time to harvest it was actually about a month ago, well before they started flowering, but at the time I was in the middle of all the flax activities and couldn't get around to do it. 
Most of the leaves will be dried for later use, but I couldn't resist using some of them immediately to do some fermenting experiments.
Many of the other plants are flowering and being harvested to be dried as well: coreopsis, dyer's chamomile, safflower, marigolds, calendulas... The
woad is growing steadily and also is the madder.

Glorioso engenho do Linho

Este é um dos raríssimos engenhos do Linho ainda funcionais no nosso país e um dos únicos dois que conheço ligados a um motor (o terceiro que conheço ainda em funcionamento é movido a tracção animal). Parece uma máquina antiquada, mas funciona na perfeição, moendo a parte lenhosa do nosso pequeno linho galego de forma eficiente e sem quebrar a fibra.

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This is one of the rare flax grinders still working in our country and one of the only two that work with an engine. It looks ancient, but it works perfectly, grinding the wooden part of the stems of our tiny Galego flax without breaking the fiber.

Da maceração do Linho (pt2)

Embora sem a mesma dedicação e cuidado que tenho pela fotografia, faço questão de ir fazendo pequenos vídeos ao longo do percurso. Alguns são muito simples, mas ilustram claramente pontos importantes. Um desses é este video em que comparo um linho bem macerado (à direita) com outro que ainda precisava de mais uns dias no tanque (à esquerda).
No vídeo da direita podemos ver claramente como o linho que foi bem macerado se solta facilmente da aresta, inteiro em todo o comprimento do caule. Perfeito!
No vídeo da esquerda podemos ver que a aresta se parte quando a esfrego, mas a fibra não se solta. O processo de maceração ainda não estava terminado e o linho ainda está demasiado agregado à parte lenhosa, o que vai dificultar o trabalho de espadelagem e criar mais estopa e desperdício.
A diferença do tempo de maceração entre um e outro, sob as mesmas condições, foi de 2 dias.

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Although simple and short, I make a point of making video clips along the way to illustrate some things that are harder to explain otherwise. One of those is the comparison of a well retted flax (right) with a flax that was not retted enough (left).
On the right, we can see that the flax peels off the wooden core easily and in one single piece. This is perfect and it will be easy to work with! 
On the left, we can see that the wooden core breaks, but the flax doesn't come loose easily. This means the retting process wasn't quite finished yet and the flax is still too attached to the core, which will make it harder to scutch and will create more tow and waste.
The time difference between the two rettings, under the same conditions, was of 2 days.

Da maceração do Linho (pt1)

Depois da colheita, vem a Maceração (também chamada de "curtimenta" ou "alagamento"), o processo através do qual vamos separar as fibras do linho da parte lenhosa do caule,  ou "aresta", como é mais frequentemente chamada por quem trabalha o linho tradicionalmente. Este processo é dos que mais contribui para mantermos a qualidade e beleza da fibra que estamos a produzir. Ou então para a arruinar, se não for bem feito.
Há várias formas de o fazer, mas nós usamos um método natural de fermentação que é o mais tradicional em Portugal e que consiste em submergir os caules em água durante um certo período de tempo. Dentro da água vai ocorrer um processo fermentativo, realizado pela flora microbiana que existe naturalmente nos caules, que vai decompôr as substâncias pécticas que unem as fibras do linho aos outros tecidos e também os feixes de fibras entre si.
Até aqui parece tudo muito simples, mas sendo um processo natural realizado num local sem condições controladas, há muitas variáveis que podem afectar o processo e que não conseguimos controlar nem medir com rigor. É que no final de uma boa maceração, queremos obter os feixes de fibras, no seu comprimento total que será o do caule, completamente "descolados" da parte lenhosa e separados entre si, mas não queremos que o processo avance até tal ponto que as fibras se quebrem nas suas porções mais elementares ou, pior ainda, que os caules apodreçam e que outros microorganismos comecem a digerir a celulose de que é feito o nosso precioso linho.
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After the harvest, comes the retting. This process, put in a simple manner, is used to separate the flax fibers from the wooden core of the stalk, and it is one of the phases that most contributes to the quality and beauty of the fiber, or to ruin it if it is not done properly.
There are several methods to do the
retting, but we use a natural fermentation method that is the most traditionally used in Portugal and that is done simply by submerging the stalks in water during a period of time. In the water the fermentative process will occur, carried out by the microorganisms that exist naturally in the stalks, and that will decompose the pectic substance that binds the flax fibers and the wooden core together.
It sounds pretty simple, but the problem is that being a natural process done in a place where the conditions are not controlled, there are many variables that can influence the process and that we can not control or measure accurately. At the end of a properly done
retting process, we should have the phloem, in their total length, completely loose from the wooden core, but we don't want the process to go so far as to break the fibers in their most elemental portions or, even worse, let the stalks rot. 

Falhar nesta fase é muito fácil, principalmente quando fazemos o processo num sítio novo pela primeira vez, como é o nosso caso no Parque da Devesa. Para termos a certeza do tempo que o linho deve levar debaixo de água, neste tanque específico, e se as condições são boas, só depois de o fazermos uma primeira vez e analisarmos os resultados. Ou seja, só com experiência. Na verdade, só iremos ter a certeza se o tempo de maceração foi o correcto ou não quando o linho entrar no engenho e vermos como reage à moagem.
Ainda assim, para quem faz um processo destes pela primeira vez, e mesmo para quem já é experiente, há um par de testes que podemos realizar uns dias após a maceração (6 ou 7) e que nos podem ajudar a decidir se o linho deve ser retirado ou deixado na água mais uns dias.
Um dos testes, que é utilizado tradicionalmente e que também já me foi transmitido pela D.Teresa Frade, que sempre cultivou linho, e também pelo Sr.Abílio, consiste em pegar em vários caules de diferentes molhos, fazer um cadilho com cada um e atirá-los novamente à água. Se a maior parte for ao fundo, estará na altura de retirar o linho da água. Se a maior parte flutuar, a maceração ainda não estará terminada. Gosto deste teste porque nos permite fazer uma amostragem de diferentes palhas de diferentes molhos e ter uma ideia de como está a correr o processo.
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Failing at this phase is not very difficult, especially when the process is being carried out in a new location for the first time, like we're doing in Parque da Devesa. To be sure of the time the flax should be kept underwater, in this specific tank, and if it has the right conditions, we can only know it for sure after doing the process for the first time.
Even so, if we're doing it for the first time there's a couple of tests we can do a few days after the retting process has started (6 or 7) and that can help us decide if it should be taken out or left for a few more days.
One of the tests, that is also used traditionally and that I learned from Teresa and also from Abílio, consists in taking several stalks from different bundles, tying them in a knot and throwing them into the water again. If most of them float, the process is not over yet. If most of them sink, it is time to put the flax out to dry.

Cinco palhas retiradas ao acaso dos molhos que estavam há 6 dias no tanque. /  Five   stems   randomly taken from the bunches that were submerged in the tank for the   retting   process.

Cinco palhas retiradas ao acaso dos molhos que estavam há 6 dias no tanque. / Five stems randomly taken from the bunches that were submerged in the tank for the retting process.

Todos os caules afundaram, pelo que decidi retirar o linho do tanque. /  All of the stems sunk, so I decided to remove the flax bunches from the tank.

Todos os caules afundaram, pelo que decidi retirar o linho do tanque. / All of the stems sunk, so I decided to remove the flax bunches from the tank.

O segundo teste, que me foi ensinado pela D.Fátima, consiste em pegar num caule (ou vários, se também quisermos ter uma pequena amostragem) e fazer deslizar a mão para testar a facilidade com que as fibras se soltam da parte lenhosa. Os feixes de fibras estão localizados no exterior, rodeando a parte lenhosa, portanto é fácil de perceber que se a camada exterior sair facilmente é porque está já separada do interior. Mas atenção que as fibras também deslizam se estiverem demasiado maceradas, o que quer dizer que temos de começar a fazer este teste bem antes do final do processo (5/6 dias), e continuar a fazê-lo até reconhecermos o ponto certo. 
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The second test, that I learned from Fátima, consists in taking a stalk in your hand and making your thumb and index slide tightly up to the top. If the outer layer, which is basically comprised of flax fibers, slides off easily, then it is separated from the wooden core and the retting is done. Please note that the fibers will also slide off if they are over retted, so this test should be done frequentely, starting 5/6 days after the beginning, when the fibers won't slide, and done until they do, taking the flax immediately out.

Colocamos os dedos na base de alguns caules que estejam no tanque e fazemo-los deslizar até ao topo. /  We place our fingers on the bottom of the stalk and slide them up to the top.

Colocamos os dedos na base de alguns caules que estejam no tanque e fazemo-los deslizar até ao topo. / We place our fingers on the bottom of the stalk and slide them up to the top.

Se a camada exterior, que é basicamente composta pelos feixes de fibras, se soltar facilmente da parte lenhosa, então está na altura de retirar o linho da água. /  If the exterior layer, which is basically composed of   flax fibers, comes off easily from the wooden core, then it is time to remove the stalks from the water.

Se a camada exterior, que é basicamente composta pelos feixes de fibras, se soltar facilmente da parte lenhosa, então está na altura de retirar o linho da água. / If the exterior layer, which is basically composed of flax fibers, comes off easily from the wooden core, then it is time to remove the stalks from the water.

De forma geral, a maceração leva uns 8 dias no mínimo, se for realizado num tanque com alguma dimensão, com alguma renovação de água. Se estiver a fazer este processo pela primeira vez, é para esta duração que aponto. Se estiver insegura, prefiro tirar o linho demasiado cedo do que demasiado tarde. Se o linho estiver pouco macerado vai ser mais difícil de trabalhar, mas pelo menos a fibra está inteira. Se me enganar por excesso de tempo, posso acabar com linho decomposto em fibras mais curtas ou, pior ainda, podre. A qualidade da água também é determinante: quanto mais limpa, melhor decorrerá o processo e mais claro resultará o linho.
Depois de terminado o processo, o linho é retirado da água e colocado a secar. Há quem o lave antes de o colocar a secar, para remover a água "suja" e separar melhor os caules, o que ajuda a branquear as fibras.
Os molhos devem ser imediatamente desfeitos e o linho espalhado directamente sob o sol (ou no chão, ou em pilhas na vertical). A secagem demorará, no mínimo, outros 8 dias, mas provavelmente mais alguns. É fácil ver quando é que o linho está bem seco, amassando algumas palhas para ver se a aresta se parte facilmente e sem empapar.
A Maria das Dores mostra como se faz isso neste vídeo.
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Generally, retting will take 8 days minimum, if done in a big tank with flowing water. If I'm doing it for the first time somewhere new, this is the time I'm aiming for. If I'm not very sure, I'll rather take the flax out sooner than later. If the flax is not retted enough, it will be harder to process, but at least the fiber will be whole. If it is over retted, I'll end up with smaller fibers or, even worse, rotten flax.
After the retting is done, the
flax is removed from the water and placed to dry. In some places the stalks are washed first, to remove the "dirty" water. This helps to whiten the fibers.
The bunches must be immediately opened and the stalks spread on the ground or in vertical piles, to dry. Drying will take at least another week, but probably a few more days. It's easy to check if the flax is well dry, just by grinding the stalks with your hand and checking if the wood brakes easily and clearly.



Algumas notas: também é possível deixar os caules secar logo a seguir à colheita, antes de procedermos à maceração. Como isso implica mais um compasso de espera, é algo que não tem interesse dentro do contexto em que fazemos o nosso cultivo, mas pode ser útil quando temos algumas limitações. Por exemplo, quando não podemos macerar todo o linho de uma só vez ou então queremos guardá-lo para mais tarde. Neste caso, com os caules secos, penso que a curtimenta demorará naturalmente mais uns dias do que quando esta se inicia imediatamente com os caules frescos.
Também se pode realizar o processo de maceração deixando o linho estendido no campo onde se colheu, em vez de o submergir em água completamente, deixando-o macerar através do orvalho. Aliás, esta técnica será, porventura, a mais conhecida. É mais útil para quem não tem um local com água que possa utilizar para o processo e é mais fácil de controlar o "ponto certo" por ser um processo muito mais lento. Mas por levar muito mais tempo e por exigir mais acompanhamento não é tão prático para mim, que prefiro tê-lo num tanque 8 dias e ter o processo feito.
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A few notes: it is also possible to dry the flax immediately after harvesting, before retting. Since this implies waiting a few more days before carrying on with the process, it has no interest for us, but it could be useful if you have a few limitations. For instance, if you can't rett all the flax at once or if you just want to do it at a later time.. If the retting is done using the dry stalks, I believe it will take a couple more days than if done using fresh stalks from the start.
Also, there's also the option for dew retting, which is a more known method. It is more useful if you don't have a place with running water to do the water retting, and it is easier to achieve the "right spot" because it is a much slower process than the one I described earlier. But exactly for taking a lot more time and demanding more attention, it is not as practical for me. I prefer to put it in the tank and get the process over with in 8 days.

Selecção artificial

No dia da Colheita, a Sara percorreu o nosso linhal e seleccionou as plantas mais altas e que, portanto, são as mais desejáveis para quem cultiva linho para fibra, para que fosse possível separar a sua semente da restante e, no próximo ano, fazer um pequeno cultivo à parte, a partir desta selecção.
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On the day of the flax harvest, Sara selected the tallest plants from our flax field, the ones that are more desirable as fiber producers, so that we could keep this seed apart and do a separate plot using only this selection.
 

Da baganha à semente

Quando ripamos o linho, logo no momento da colheita e se esta tiver sido feita no momento certo, as cápsulas (ou baganhas) ainda estarão fechadas encerrando em si a semente.
Como esta variedade é de cápsula deiscente, para libertar a semente basta colocá-las ao sol. Com o calor abrir-se-ão espontaneamente. 
Nos dias que se seguem à colheita, o característico som das cápsulas a abrirem-se individualmente e que se assemelha ao de pipocas a estalar, é a banda sonora que tenho no atelier.
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When we ripple the flax, right on harvest day, and if it isn't done too late, the capsules will still be closed, holding the seed inside.
Since this flax variety has dehiscent capsules, in order to release the seed all we need to do is place them under the sun and they will open up spontaneously. 
During the next few
days a characteristic popping sound of the capsules opening individually was the soundtrack in my office, where I kept them.

A colheita do Linho no Parque da Devesa

Os últimos dias têm sido intensos e dedicados especialmente ao Linho, que com o calor amadureceu rapidamente e ficou pronto para colher.
A variedade que estamos a cultivar, o Linho Galego, tem uma característica que é mais comum nos linhos selvagens e que torna absolutamente obrigatório realizar a colheita no momento certo.
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The last few days have been intense and mostly devoted to Flax, that has maturated with the arrival of the summer heat and quickly became ready to harvest.
The variety we are growing, the Galego flax, has this trait that is more common in the wild flaxes and that
 makes knowing the right moment to harvest very important.
 

Cápsula deiscente, que abre espontaneamente quando amadurece, libertando a semente para o solo. / Dehiscent capsule that opens spontaneously;

Cápsula deiscente, que abre espontaneamente quando amadurece, libertando a semente para o solo. / Dehiscent capsule that opens spontaneously;

As suas cápsulas, que contêm as sementes, são deiscentes. Isto quer dizer que, quando amadurecem, abrem espontaneamente libertando a semente. Não é difícil perceber que, se nos atrasarmos uns dias a fazer a colheita, arriscamo-nos a perder uma boa parte da semente. Para quem, como eu, a guarda religiosamente de um ano para o outro para a poder semear e multiplicar, fazer a colheita no dia certo é crucial, ainda mais sabendo que seria muito difícil voltar a arranjar semente de Linho Galego com qualidade.
Quando o linho começa a amarelecer, temos de ficar de olho nas cápsulas. Quando virmos as primeiras abertas, está na hora de colher.
Assim fizemos com o grupo que está a fazer a oficina do linho de longa duração em Famalicão, mas quando o momento chegou, ainda tivemos que aguardar uns dias até termos a possibilidade de juntar toda a gente.
Perdi semente durante estes dias? Sim. 
Deveria ter feito a colheita logo no dia certo? Idealmente, sim, mas estamos aqui para aprender e saber como fazer a colheita, ripar, amarrar os molhos e colocar o linho na água é mais importante.
Este ano o Linho resultou bastante curto. A primavera foi bastante quente e, acima de tudo inconstante. Para terem uma ideia, o cultivo do ano passado terá dado plantas com mais 20cm de altura que neste ano. Aqui está algo que não podemos controlar.
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The capsules, that contain the seeds, are dehiscent. This means that they open spontaneously upon maturation, releasing the seed to the ground. It's easy to understand that if we're a bit late for the harvest, we risk losing a good part of the seed. For someone, like me, that keeps it from one year to the next to sow and multiply, harvesting at the right time is crucial.
When the plants start to turn yellow, we need to keep an eye on the capsules. When the first ones open, it's time to go.
That's what we did with the group that is taking our Flax course in Famalicão, although we had to wait about three days to gather everyone for the harvest.
Did we loose some seed during those days? yes.
Should we have done the harvest on the right day? Ideally, yes, but in this case, learning is more important than doing everything right.
This year our flax came out quite short. Spring was very hot and, more importantly, unstable . Last year we had plants about 20cm taller. But the weather is really something you cannot control and flax has an very direct response to it.

Arrancando o Linho, que neste dia já estava um pouco mais amarelo do que o desejado / Harvesting the flax. In this picture it was slightly overdue, as you can see by the color of the capsules.

Arrancando o Linho, que neste dia já estava um pouco mais amarelo do que o desejado / Harvesting the flax. In this picture it was slightly overdue, as you can see by the color of the capsules.

No Linho, a colheita faz-se arrancando a planta, não cortando, de forma a podermos aproveitar toda a extensão da fibra que se encontra no caule. A raiz da planta é aprumada e pouco profunda, pelo que é fácil de arrancar.
Enquanto colhemos, vamos dispondo os molhos no chão, tendo o cuidado de manter as plantas sempre alinhadas (baganhas para um lado, raiz para o outro), para que seja mais fácil pegar em pequenos ramos para ripar. Ajuda não fazer molhos muito grandes, e separá-los dispondo-os em cruz para que as baganhas não se entrelacem, o que pode dificultar o trabalho na altura de pegar em caules para ripar.
O trabalho da colheita não é complexo, mas para que se desenrole rapidamente, temos de ter atenção a pequenos pormenores e, acima de tudo, trabalhar em equipa!
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The flax harvest is done by pulling the plant, not cutting, so that all the fiber in the stalk can be used.
As we harvest, we lay the stalks in the ground, always aligned to the same side (capsules to one side and roots to the other), so that rippling is done easier. It helps to make smaller piles of stalks and cross them so that the capsules don't tangle, or it will be more difficult to separate a small amount to ripple.
The harvest is not difficult, but in order to be done quickly, we need to pay attention to the details and work as a team!

O importante no dia da colheita é trabalhar em equipa. / The most imporatnt thing for the harvest is team work.

O importante no dia da colheita é trabalhar em equipa. / The most imporatnt thing for the harvest is team work.

Linho ripado, sem cápsulas. / Rippled flax with no capsules.

Linho ripado, sem cápsulas. / Rippled flax with no capsules.

Ripar consiste simplesmente em separar as baganhas dos caules. Isto faz-se por duas razões: para guardarmos a semente que se encontra dentro das cápsulas para o próximo ano e para evitar que o óleo da semente, ao ir para a água juntamente com os caules, interfira com o processo de maceração. Ou seja, mesmo que não quisessem salvar a semente, a ripagem era obrigatória.
O ripo é a ferramenta que usamos nesta tarefa. Este ano, além do ripo de museu (mas muito funcional), que carrego comigo para as oficinas, tivemos direito a uma versão nova, mais prática, que funcionou na perfeição. 
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Rippling consists in separating the capsules from the stalks. We do this for two reasons: to keep the seed that is inside the capsule for the coming year, and also to prevent the oil in the seed from interfering with the retting process.
The ripple is the tool we use for this. This year, along with the museum grade ripple (but very functional), that I take with me to the workshops, I got a new version made, more practical, that worked perfectly.

Os molhos de linho, prontos para serem colocados na água, para dar início ao processo de maceração. / The small bunches of flax, ready to be submerged for the retting process.

Os molhos de linho, prontos para serem colocados na água, para dar início ao processo de maceração. / The small bunches of flax, ready to be submerged for the retting process.

Concluída a ripagem, preparamos os molhos de caules para poderem ser colocados na água. Também esta tarefa é simples, mas faço sempre questão de fazer os molhos colocando metade dos caules com a raiz para um lado e metade para o outro, para ficar equilibrado.
Como estamos a fazer todo o cultivo e processamento do Linho no Parque da Devesa, quando chegamos à parte da maceração tivemos de trabalhar com o que esta casa nos dá. Neste caso, escolhemos usar o tanque da Casa do Território. Como não é muito fundo, bastou-nos atar uns paralelos aos molhos, para que não flutuem. 
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When the rippling is finished, we prepare the bunches of stalks to be placed under water. This also a fairly simple task. The only thing I do is, within each bunch, placing half of the roots to one side and half to the other so that it is more balanced and easier to tie.
Since we are doing everything at Parque da Devesa, we also had to use a small tank at the Casa do Território to do the retting part of the process. Since it is not too deep, we just needed to tie a few stones to keep them underwater and we were done.