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A Primavera, mudanças e novidades
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A novidade que a Primavera nos trouxe foi o início de uma parceria com o Francisco da BioHabitus, um projecto de produção e comercialização de legumes, hortícolas e aromáticas produzidos em modo biológico certificado aqui da zona do Porto, que nos irá receber para cultivarmos não só o nosso Linho, mas também as nossas Plantas Tintureiras.
Vai ser na quinta dele que vamos fazer as culturas anuais e onde vamos fazer as actividades ligadas a estas produções, como o Curso do Linho de 2018 e as oficinas de Tinturaria Natural do primeiro semestre. 
A produção própria dos materiais com que trabalhamos tornou-se cada vez mais importante e distintivo nas oficinas que realizamos e é algo em que queremos continuar a apostar, por isso tornou-se indispensável encontrar um parceiro com quem partilhássemos os mesmos objectivos para fazer tudo crescer de forma mais estável e continuada.

Tivemos de fazer algumas mudanças, como transplantar umas Ruivas-dos-tintureiros que semeamos no ano anterior mas que já exibem umas belas raízes avermelhadas, e trazer os pastéis-dos-tintureiros connosco para florir e dar semente.
Esta mudança também provocou um atraso no agendamento das actividades ligadas à produção de Linho, mas já está tudo programado e em progresso. Podem ver aqui a programação para o Curso do Linho de 2018 e também as oficinas pontuais.

Agora vamos trabalhar para planear e preparar as sementeiras (se a chuva der um descanso).

Se quiserem receber as novidades relativamente a cursos e oficinas, não se esqueçam que a newsletter chega sempre primeiro.

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The news that Spring brought was the beginning of a partnership with Francisco from BioHabitus, an organic agriculture project located right here in the Porto area, that will receive us to grow not just our linen, but also our dyer's garden.
It's going to be on his farm that we're going to grow our annual productions and host the activities related to these productions, like the Flax production course and the Natural Dyeing workshops.
Having our own production of the materials we work with have become increasingly important and differentiating and that's definitely something I want to keep investing in. That's why it became important to find a partner that is on the same page and shares the same goals so that we can make everything grow in a more stable way.

We had to make some changes and moves, like transplanting a few madder plants that we started last year but that are already showing beautiful red roots, and also bring our woad plants to flower inFranscisco place.
This change caused a small delay in the spring activities planning, but things are now on track. You can check here the program for the Flax production course and other workshops related to the theme.

Now we're off to plan sowing season if the rain gives us a break.

 

transplantar as tintureiras

Nas hortas urbanas do Parque da Devesa, mesmo ao lado do nosso linhal, já estão na terra algumas plantas tintureiras, ou plantas que também servem para fazer tinturaria entre outras coisas.
Transplantamos Indigo japonês, Pastel-dos-Tintureiros, Ruiva-dos-Tintureiros, Açafroa, camomila-dos-tintureiros, estrelas-do-egipto (ou margaridinhas escuras), calêndulas, cravos túnicos e milefólio. Nem todas germinaram, como o lírio-dos-tintureiros que está a ser um bocadinho teimoso e as ruivas também  não facilitam, mas é um início e uma aprendizagem.
O índigo, esse, continua a adorar viver cá. Germinamos centenas de plantas que estão a ocupar cerca de 50m2.

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At Parque da Devesa's urban gardens, right next to our flax field, the dyeing plants, or plants that can also be used in dyeing, have been already transplanted.
Japanese indigo, woad, madder, dyer's chamomile, dyer's coreopsis, saffron, calendulas, marigolds and yarrow. Not all of them germinated, like the dyer's weld, and madder was not easy as well, but it is a beginning and a learning process.
On the other side, japanese indigo was the most successful. We transplanted a few hundred plants in a 50m2 area, more or less.

(re) Construir uma espadeladora de linho
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À esquerda, linho moído, ainda com muita palha. À direita, linho semi-espadelado na espadeladora /  On the left, broken flax with a lot of tow. On the right, semi-scutched flax done on our prototype.

À esquerda, linho moído, ainda com muita palha. À direita, linho semi-espadelado na espadeladora / On the left, broken flax with a lot of tow. On the right, semi-scutched flax done on our prototype.

Quem me conhece mesmo bem, sabe que não ando aqui pela tradição. Ando aqui porque acredito que é possível produzir de forma mais consciente e sustentável a todos os níveis e que essa produção mais consciente depende, em grande parte, da possibilidade de reduzirmos a escala e tirarmos partido dos recursos locais.
Infelizmente, os meios de produção em pequena escala sofreram um grande desbaste nas últimas décadas e, na maior parte das vezes, controlar os meios de produção já não está ao nosso alcance. Não está tecnicamente ao nosso alcance: não há equipamento, o conhecimento é escasso e recuperar ambas as coisas é uma empreitada que poucos estão dispostos a levar a cabo. É por isso que um dos maiores focos do meu trabalho é reunir conhecimento. Não para o manter como alguns acham que sempre foi, mas para que quem também acredita nisto possa pegar nele e usá-lo para criar alternativas às fontes de consumo que temos actualmente.

E eis que chegamos ao linho, uma das fibras que mais gosto de semear e ver crescer, mas que me provoca um pouco de angústia quando tenho de a processar. Não tenho problemas em ripá-lo. Para o quebrar tenho acesso a vários dos poucos engenhos de linho que ainda funcionam no nosso país. Mas tudo pára (ou pelo menos abranda muito) quando tenho de o espadelar. Tal como me recuso a maçar o linho para o partir (a não ser que seja para uma pequena demonstração), ter de o espadelar à mão nunca me caiu muito bem. É um trabalho lento, pouco rentável e fisicamente muito exigente. O pior é saber que já existiram alternativas perfeitamente simples e produtivas para fazer esta tarefa: as espadeladoras. Uma espadeladora está para a espadela e espadeladouro como a roda de fiar está para o fuso.
O problema é que praticamente já não existem pequenas espadeladoras e as únicas duas que conheço (esta e esta) foram construídas para uma variedade de linho muito maior que a variedade regional que cultivamos e, portanto, é inútil para usar no linho galego.

Depois de 2 anos consecutivos a cultivar linho em quantidade já apreciável decidi que não voltava a espadelar tanto linho à mão (mais uma vez, a não ser que seja para uma pequena demonstração).
Na verdade já tinha percorrido tudo à procura de uma máquina destas que estivesse escondida ou encostada em algum museu cá em Portugal. Talvez funcionasse igualmente bem e não teria de investir tempo e dinheiro a reconstruir conhecimento, mas não encontrei nada.

A dificuldade em construir uma espadeladora nova estava também em encontrar alguém que não só reunisse os conhecimentos técnicos necessários, mas que gostasse genuinamente de construir coisas diferentes. Sorte a minha, o Hugo, que para quem não sabe era o mecânico expert da Velo Culture, tinha acabado de começar o Chave Treze, o projecto dele dedicado a construir coisas. Todo o tipo de coisas, especialmente máquinas e também espadeladoras. É que rodas de bicicletas e rodas de espadelar têm muito em comum, afinal.
Portanto, uns meses depois de lhe fazer o meu pedido, tenho uma espadeladora que, apesar de ainda ser um protótipo, roda suavemente com os seus rolamentos do séc.XXI e faz muito bem o trabalho que lhe compete, com zero esforço físico da minha parte.

A versão final é suposto ter pedal e o suporte para o linho de posição ajustável, além de ser desmontável para poder viajar para as oficinas do linho, mas tal como está já me deixa muito feliz!

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Those that know me really well know that the work I do isn't about tradition. It's about manufacturing in a more conscious and sustainable in all areas and knowing that that sustainability greatly depends on the ability of reducing production scales and using local resources.
Unfortunately, the means of production that allow for this small scale of production have been largely replaced and for most of the time, taking control of production and manufacturing simply is simply out of reach for us, anymore. It's technically out of reach: there's lack of equipment, lack of knowledge and restoring both is an enormous effort that only a few are willing to put in.
That's why I focus so much on gathering knowledge. Not to keep it as some think it has always been, but so that someone else can take it and use it to create alternatives to the consumption sources we depend on currently. 

And here's flax, one of the fibers I most love o sow and watch grow, but that makes me feel a little anxious when I think about processing it into linen. I have no trouble rippling it. To break it, I can use any of the few flax grinders that are still in working order in Portugal. But everything stops when I have to scutch it (or at least it slows down a lot). The same way as I refuse to break flax with a mallet (except for small demonstrations), having to scutch it by hand doesn't sit right with me. It's slow, not very productive and it's hard on your body. And I know that simple, yet effective alternatives, have existed: rotary scutcher. A scutching wheels is to a scutching knife what a spinning wheel is to a spindle.
The problem is that you can't find one of these scutching wheels anymore and the only two I have close (this and this) by were built for a variety of flax that is a lot longer than the regional variety that we grow here, and so are useless.

After 2 years of growing flax in a considerable amount I decided that I would not hand scutch it anymore (once again, except for demonstrations). I had looked up and down the country for one of these scutchers, hidden in a barn or lying still in a museum. It would probably work as well and I didn't have to spend the time and money to built a new one, but I just didn't find it.

The difficulty in building a new scutcher was also in finding someone that had not only the technical knowledge, but that would also enjoy building something unusual. Lucky for me, Hugo, that for those who don't know was the top bike mechanic at Velo Culture, had just started his new project, Chave Treze, devoted to building things. All types of things, especially machines, scutching wheels too. 
A few months went by since I briefed him and now I have a scutching wheel that in spite of being just a prototype, spins smoothly thanks to 21st century bearings and does the job without breaking my arm.
The final version is supposed to have a foot pedal, as well an adjustable support for the flax and have the option to be desassembled so that I can take it with me for the flax workshops, but it works wonderfully just how it is!

[wip] lãs portuguesas - um guia prático

A parte muito entediante de fotografar todas as amostras é a parte muito satisfatória de ver o trabalho a ganhar forma.
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The very tedious part of doing the sample photoshoot is the very satisfactory part of seeing your work finally come together. 

[wip] Lãs Portuguesas - um guia prático
Amostras organizadas e embaladas das 15 raças de ovinos autóctones, prontas para serem fotografadas; /  Organized and packed samples of wool from our 15 sheep breeds, ready for the photoshoot;

Amostras organizadas e embaladas das 15 raças de ovinos autóctones, prontas para serem fotografadas; / Organized and packed samples of wool from our 15 sheep breeds, ready for the photoshoot;

Para cada uma das raças organizamos amostras da lã em bruto e lavada (madeixas), fiada, tecida, tricotada, crochetada e ainda feltrada. Estas pertencem à raça Merina Preta, com três lindas das suas variações naturais de cor; /  For each breed we organized samples of their raw wool, but also washed, spun, woven, knitted, crocheted and felted. These belong the Black Merino breed, with three of their natural color variations;

Para cada uma das raças organizamos amostras da lã em bruto e lavada (madeixas), fiada, tecida, tricotada, crochetada e ainda feltrada. Estas pertencem à raça Merina Preta, com três lindas das suas variações naturais de cor; / For each breed we organized samples of their raw wool, but also washed, spun, woven, knitted, crocheted and felted. These belong the Black Merino breed, with three of their natural color variations;

Para algumas raças as amostras multiplicaram-se: a Mondegueira, embora não seja a única, possui um velo com duas camadas, uma exterior e outra interior com fibras de espessura e comprimento muito diferentes que podem ser trabalhadas separadamente; /  For some breeds, the samples got multiplied: the Mondegueira, although not the only one, is a double coated breed with an outercoat and an undercoat with very different fibers;

Para algumas raças as amostras multiplicaram-se: a Mondegueira, embora não seja a única, possui um velo com duas camadas, uma exterior e outra interior com fibras de espessura e comprimento muito diferentes que podem ser trabalhadas separadamente; / For some breeds, the samples got multiplied: the Mondegueira, although not the only one, is a double coated breed with an outercoat and an undercoat with very different fibers;

A maior parte das raças admite animais de outra cor que não branca no seu Livro Genealógico e para essas esforcei-me por reunir também amostras de algumas variações de cor que ocorrem naturalmente. Estas são apenas 6 das que a raça Churra Galega Mirandesa tem para oferecer; /  Most of our breeds standards accept animals with other colo  rs that not white. For those breeds I made an effort to also gather different colour samples. These are only 6 of the different colors that the Churra Galega Mirandesa has to offer;

A maior parte das raças admite animais de outra cor que não branca no seu Livro Genealógico e para essas esforcei-me por reunir também amostras de algumas variações de cor que ocorrem naturalmente. Estas são apenas 6 das que a raça Churra Galega Mirandesa tem para oferecer; / Most of our breeds standards accept animals with other colors that not white. For those breeds I made an effort to also gather different colour samples. These are only 6 of the different colors that the Churra Galega Mirandesa has to offer;

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"When you look back 6 months from today and don't feel embarassed by your naiveté, there's a problem."

     - Ryan Hoover, founder of Product Hunt in Founder Mantras

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Ora aqui está um problema que eu nunca tenho.
Se eu sabia que passar destes sacos de lã em bruto oriundos de todos os cantos deste país para uns micro-envelopes como estes ia dar tanto trabalho? Claro que não. Mas ainda bem que não sabia, senão tinha-me assustado e hoje ainda não teria nada disto feito.
Por isso, mais ingenuidade, menos ingenuidade, o trabalho está lançado.
Consegui reunir velos das 15 raças de ovinos autóctones portugueses, que entretanto se transformaram em 16 (olá Churra Galega Bragançana Preta), graças à ajuda dos secretários técnicos das Associações e contactos meus que me fizeram chegar todo o material ao Porto.
Com a indispensável ajuda da Isabel Cartaxo, da Guida Fonseca e da Diana Regal, produziram-se as amostras de lã que contemplam as madeixas em bruto e lavadas, mas também de fio, tecelagem, tricot, crochet e feltro - sem estas generosas senhoras, nada feito.
Reuni amostras da maior parte das variações de cor que cada uma produz segundo o padrão da raça, e ainda algumas mais que se espera virem a fazer parte da raça - descobrir depois do material todo reunido que afinal alguns dos velos pretos não são contemplados no padrão da raça e que me faltavam outros que afinal são, só veio tornar as coisas mais interessantes...
Reuni variações de lã de ovelhas aparentemente semelhantes, mas que produzem lãs diferentes e ainda por cima com várias camadas - Mondegueira, porque é que és tão complicada?
Reuni censos actualizados que me dizem exactamente como o reduzido tamanho dos efectivos de certas raças as colocam em risco de extinção e também informações que, apesar da diversidade que é característica das nossas raças, não deixam de ser muito úteis quando queremos ter uma ideia do tipo de lã que uma certa raça produz : espessuras e comprimentos médios das fibras de cada uma das raças, peso médio dos velos produzidos, rendimentos em lavado. 
Descobri a quanto tem sido vendida a lã em bruto de cada uma das raças e como esse valor varia de acordo com coisas muito subjectivas - este tópico dá pano para mangas.
E, acima de tudo, neste momento já consigo perceber o contexto em que cada uma se insere, como evoluiu num passado recente e como esse historial a levou à situação em que se encontra agora, seja essa situação de declínio ou expansão. 
Agora só falta terminar. É como correr a maratona. Os quilómetros finais são os mais difíceis.


[wip] Portuguese Wools - a practical guide

"When you look back 6 months from today and don't feel embarassed by your naiveté, there's a problem."

     - Ryan Hoover, founder of Product Hunt in Founder Mantras

Well, There's a problem that I just never have...    
Did I know that transforming bags of raw wool from every corner of our country into teeny-tiny envelopes like these would be so much work? Of course not. And I'm glad I didn’t, otherwise I would have chickened out.
So, more or less naiveté, the work has begun.
In the past months, I managed to collect fleeces from all the 15 breeds of portuguese sheep that, in the meanwhile, have become 16 ( hello, Black Churra Galega Bragançana!), thanks to the help of the technical secretaries of each breed association and some of my contacts that sent all the material to Porto.
With the enormous help from Isabel Cartaxo, Guida Fonseca and Diana Regal, all the samples were produced, including raw and washed locks, but also yarn and woven, knitted, crocheted and felted samples . Without this generous help, nothing of this would have been possible.     
I collected samples from almost all color variations that each breed produces according to the breed standards and some more that are expected to be a part of the standard - finding out after gathering all the material that some of the black fleeces are not included in the breed standards and that I missed some that actually are, just made things way more interesting…
I gathered variations of sheep wool which may seem similar at first, but that have different wools and also multiple layers - oh, Mondegueira, why are you so complicated?
I gathered updated census that show why some breeds are considered to be in risk of extinction and also technical information that, in spite of diversity which is characteristic in our breeds, is extremely useful if we want to have and idea about the kind of wool each one produces: average thickness and length of fiber, average fleece weight and yield.
By now,  I know how much the raw wool from each breed is being sold for and how this value changes according to very subjective things - I could go on forever about this.
And, above all, I finally have a good feel of the context each one is into, how it evolved in the recent past and how this background has led to the situation they are currently in, being that of decay or of expansion.

All I have to do is finish it. It’s like running a marathon. The last miles are always the hardest ones.

 

cardando, cardando

Encontrei este no baú e apeteceu-me partilhar.
Este gif da D.Ilídia em perpétua cardação foi feito com base nas ilustrações que a Maria Helena fez para um projecto que [ainda] não terminamos. Ainda não terminamos, mas havemos de terminar.


carding, carding

I found this in the archive and felt like sharing it.
This gif from Ilídia perpetually carding was made from the illustrations that Maria Helena made for a project we didn't finish [yet]. We didn't, but we will.

Inventário
Imagem: Guida Fonseca /  Photo by Guida Fonseca

Imagem: Guida Fonseca / Photo by Guida Fonseca

A obcecada por informação organizada que há em mim está super-excitada com esta imagem que a Guida acabou de me enviar, com as amostras de todas as lãs portuguesas (mechas sujas e já lavadas), devidamente organizadas e identificadas.
Uma primeira vez para as lãs das nossas raças autóctones, certamente!
Em Viana do Alentejo, os trabalhos para este pequeno livro dedicado à comparação das lãs do nosso país, prosseguem.

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[15.07.2015 / Este post refere-se à investigação e actividades desenvolvidas no âmbito do programa Saber Fazer em Serralves ]


Inventory

The organizational freak in me is super-excited with this picture Guida just sent me, featuring all the samples from the portuguese wools, both of raw and washed locks, very well organized.
That's a first for portuguese wool, people!
In Viana do Alentejo, the work for our little book devoted to comparing all the wools produced in our country go on.


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[15.07.2015 / This post refers to the investigation and activities developed during the Saber Fazer em Serralves program]

 

2015 - Saber Fazer em Serralves
Imagens:  Serralves ;

Imagens: Serralves;

Depois da última presença do Saber Fazer em Serralves, a propósito das actividades que organizamos para a Festa de Outono, foi-me pedido pelo Serviço Educativo que propusesse um programa relacionado com esta temática a ser desenvolvido ao longo do ano de 2015, na Quinta. 

Para quem, como eu, anda há anos a investigar esta temática, ideias e argumentos para um programa deste género não me faltam, ainda para mais quando o local de execução está situado no centro do Porto e vai permitir um contacto com um público muito generalizado - duas grandes vantagens para a disseminação deste tipo de ideias que já tive a possibilidade de comprovar precisamente no evento da Festa de Outono. 
Muito resumidamente, propus que a Quinta de Serralves desse início, durante este ano, ao cultivo/criação e processamento de três fibras têxteis nas suas instalações: a lã, o linho e a seda.
O objectivo deste ano será praticamente apenas criar as condições para que estes processos se venham a desenrolar permanente e ciclicamente num local no centro do Porto, tornando-os acessíveis ao público que poderá não só contactar e até participar em todas as fases que envolvem este tipo de trabalho, mas também abordar este tema sob uma perspectiva que se pretende actual e pertinente para os tempos em que vivemos. 
Será uma espécie de "ano-zero" que se propõe a lançar sementes para que nos anos seguintes este tipo de prática seja objecto não só de discussão e aprendizagem, mas também de uma investigação contínua dedicada a melhorar e optimizar este tipo de produção de pequena escala que, a meu ver, cada vez é mais importante.
Por aqui, faço intenção de ir partilhando passo-a-passo o trabalho deste ano, que vai ser um grande processo de aprendizagem e descoberta para mim pessoalmente, e que quero ir registando.


O conteúdo integral do programa, que diz respeito a esta proposta, partilho-o abaixo, porque é uma forma de perceberem não só o que vai ser feito, mas também, de uma forma mais extensa, os argumentos que o suportam:

 

O Serviço Educativo, em estreita relação com a Direção do Parque, encontra-se a desenvolver um plano ambicioso de promoção, divulgação e ampliação do potencial programático e de lazer da Quinta de Serralves. Este projeto contribuirá definitivamente para afirmar a Quinta como um polo da Fundação com identidade própria, capaz de gerar dinâmica, públicos e receitas. Neste sentido, 2015 será o ano dos primeiros trabalhos e ensaios de programação.
SABER FAZER
Neste momento, e especificamente no nosso país, a manufatura é percebida de forma polarizada, pertencendo ou à esfera da grande escala industrial ou ao artesão que perpetua um trabalho sem outro valor que não o patrimonial.
No entanto, desde o artesanal até ao semi-industrial, a manufatura em pequena e média-escala traz consigo um conjunto de especificidades que, embora não lhe permitam substituir a produção industrial, a colocam numa posição distinta e com vantagens competitivas também distintas. As vantagens, essas, são de ordem económica, ambiental e social.
O programa Saber Fazer, desenvolvido com a coordenação da investigadora Alice Bernardo, propõe-se abordar esta temática de forma a tornar a informação acessível, apetecível e experimentável, já que o foco é um público generalista que, em muitos casos, irá entrar em contacto com esta realidade pela primeira vez.
Para o desenvolvimento do tema, é proposto usar as fibras têxteis como mote, já que, além de estarem intimamente ligadas a duas áreas de desenvolvimento estratégico (agricultura e manufatura), sendo também materiais omnipresentes no nosso dia-dia, serão facilmente reconhecidos pelo público em geral, gerando recetividade.
Assim, o desenvolvimento das fibras têxteis em Serralves será usado como mote para diversas atividades a decorrer ao longo do ano, sincronizadas com os ritmos naturais do ciclo das fibras trabalhadas quando necessário. 
No ano de 1015 serão criadas as condições, plantadas pela primeira vez as plantas, instalado um módulo de criação de bichos-da-seda e ampliado o rebanho de ovelhas da Fundação. Serão ainda realizados os contactos e parcerias-chave para a captação de know-how para o processamento das fibras. Todo o processo neste 1º ano será acompanhado e registado, em fotografia e papel, editando-se no final do ano um conjunto de dossiers pedagógicos a disponibilizar online gratuitamente sobre os ciclos e suas técnicas de processamento. 
É objetivo do Serviço Educativo, após a instalação das condições base em 2015, passar a oferecer regularmente a partir de 2016, dirigidas aos vários públicos, oficinas práticas de experimentação livre orientada por profissionais com vasta experiência nas várias áreas oferecendo ao público um primeiro contacto e a aprendizagem de algumas técnicas de manufatura de pequena escala.

2015 - Saber Fazer in Serralves
 

After Saber Fazer's last presence in Serralves, for the Autumn Festival activities we organized, I was invited to make a proposal for a program related to this subject, to be carried out throughout 2015, in their grounds.
For someone like me that has been investigating this subject for years, ideas and arguments to justify a program of this kind is something I have plenty of, but making it short, I suggested that Serralves started developing and processing three main textile fibers in their farm: wool, linen and silk.
The main goal, for this year, will basically be to create and assure all the necessary resources so that these processes can be a part of the farm production annually, in the following years, making them available to the general public, that will be able to be in touch with these production processes in a way that we intend updated and valuable for our time.
This will be a experimental first year that will lay the basis for open discussion and learning in the coming years, but also that will allow to perform a continuous investigation that aims at improving and optimizing this type of small scale manufacturing, that, as I see it, is becoming ever more significant each day.
I really want to start posting updates about this particular process around here, as this will also be a great learning process for me personally, and this is a great way of keeping it documented.
There is a much larger text for the program that was proposed, featuring all the specific ideas and arguments supporting it, but for now I can't translate it. Hope I will soon.

Trabalho em progresso com a Guida

Aproveitei a minha última ida "lá abaixo" para estar com a Guida Fonseca e trabalhar com ela naquele que espero que seja o próximo livrinho publicado pelo Saber Fazer. Com a Guida envolvida, o tema não é surpresa nenhuma - claro que tem a ver com Tecelagem.
A ideia para o fazermos surgiu quando a encontrei pela primeira vez, e conheci pessoalmente, a propósito do convite que lhe fiz para participar na actividade que organizamos para a Festa de Outono em Serralves, no ano passado.
Na altura já tinha terminado de escrever o das Ferramentas de Carpintaria e Marcenaria, e o nosso primeiro encontro e conversa deu para perceber que partilhamos o mesmo gosto pelo conhecimento técnico e pelo rigor da passagem da informação.  É que geralmente, quando entro nos meus devaneios técnicos acabo com a pessoa à minha frente a olhar fixamente para o vazio, por isso, quando encontro alguém que não só percebe do que estou a falar, mas como partilha a minha obsessão, há que agarrar a oportunidade e convidá-la para fazer um livrinho connosco. E ela aceitou.
Será algo curto e focado, mas esperemos que bem produzido e útil, especialmente para quem tece em português.

Se por um lado gosto de fazer eu própria a investigação, por outro lado é um grande privilégio poder contar com as décadas de experiência de trabalho e ensino da Guida, e poder colocar uma ínfima parte do conhecimento que ela tem disponível a toda a gente.
Sei perfeitamente que ela tem fiéis seguidores, mas não consigo deixar de sentir que o seu trabalho é subvalorizado no nosso país. Talvez seja assim porque o seu objectivo principal nunca foi a auto-promoção, mas antes a produção e o ensino.
Quem não conhece o trabalho dela, pode começar pelo Lugar do Têxtil e acompanhar no facebook também. A Guida costuma também dar workshops e formações de norte a sul do país, que aconselho vivamente a quem tiver interesse por tecelagem e fiação, já que são oportunidades únicas para estar pessoalmente com ela.


Work in progress with Guida
 

Last time I went to Lisbon, I took the opportunity to visit Guida Fonseca and work with her on what I hope to be Saber Fazer's next little book. With Guida involved it's not a surprise that it will have something to do with the beautiful craft of weaving.
The idea came along when we first met, on occasion of the invitation for her participation in the Festa de Outono event at Serralves, last year.
At the time I had finished writing the Woodworking tools book, and through our conversation I quickly understood that we share the same interest for technical knowledge. It's just that, usually, when I go into my "technical" ramblings, the person in front of me ends up with a blank stare, so, when I meet someone that not only knows what I'm talking about, but also shares the same obsessions, I have to cease the opportunity and invite her to write a little book. And she said yes.
It will be something short and focused, but hopefully well produced and very useful, especially for the weaving craft in portuguese.

If on one hand I really enjoy doing the investigation myself, on the other it's a great privilege to be able to rely on the decades of work and teaching experience that Guida has, and being able to put a little bit of that knowledge out here.
I know she has a very strong and faithful tribe of followers, but I still feel her work has been a little bit under the radar in our country, probably because her main goal has never been self-promotion, but rather actually producing work in the real world. 
If you're not familiar with her work, the Lugar do Têxtil is the place to start, or you can follow her on facebook. Guida also gives workshops all around our country, that I higly recommend if you have an interest in spinning and weaving.

Urdindo a teia
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Como cada vez há menos teares manuais, e cada vez menos se trabalham neles, ter a oportunidade de ver e ajudar a urdir uma teia é relativamente raro.
Já tinha reparado que a teia do tear da D.Ilídia estava quase no fim e por isso insisti com ela para urdirmos uma nova um dia destes. A insistência deve ter dado resultado porque lá consegui marcar o evento. Para ajudar trouxe a Maria Helena comigo - como eu tinha de fotografar e fazer uns pequenos vídeos, era precisa mais uma pessoa que ajudasse a manter as linhas desembaraçadas, colocar as canelas novas e a recolher a teia no final.
Começamos ao início da tarde e acabamos 5 horas depois, já de noite e sem grande luz para fotografar. A D.Ilídia ficou com a urdidura pronta e nós contentes por termos aprendido a urdir e por ter ajudado.
Estando o dia já no fim não pude ver a montagem da teia no tear, mas estou de olho num certo tear que sei que vai receber uma nova urdidura em breve, para registar essa parte.
Algumas das fotografias estão aqui, mas como esta é uma tarefa complexa só mesmo com o vídeo será possível começar a explicar como se faz.

 

Since there are fewer traditional handlooms around and the people that have them work less eah they, having the opportunity to help making a warp is a rare event.
I had noticed that D.Ilídia's loom warp was almost over, so I kept insisting with her to make a new one. The insistence must have worked because I managed to set a day for it and I brought Maria Helena to help out - since I had to make photos and a few videos, another person was needed to help keep the thread untangled, set the new bobbins and help remove the warp after it was done.
We started by the early afternoon and finished 5 hours later, when it was already night outside and without any light to take decent pictures. D.Ilídia got her warp done and we were happy to be able to help and learn how to do this.
The day was over and I couldn’t document the installation of the warp onto the loom, but I’ve got my eye on another loom that is going to get a new warp soon.
Some of the pictures are here, but since this is a complex task, I don’t see how to explain it without the help of the videos.

 

Fingir e Dourar
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Ontem foi dia de visitar o Sr.Luís Castro, que é restaurador, na sua oficina cá em Guimarães.
Já conhecia o Sr.Luís porque foi um dos artesãos cobertos no capítulo que escrevi para a Monografia da Casa dos Lobo Machado(actual edifício da Associação Comercial e Industrial de Guimarães). No decorrer das obras, executou o restauro das pinturas de fingidos* e de vários douramentos, tanto em madeiras como em estuques, e para o livro tive a oportunidade de registar algumas das suas receitas e técnicas.

Da primeira vez que estive com ele fiz poucas fotografias e, por isso, tenho agora a oportunidade de completar o trabalho. Ficou acordado que me iria mostrar como fazer têmperas com três bases diferentes (aquosa, à base de ovo e à base de óleo) e também demonstrar a técnica de douramento do início ao fim.

*A técnica de fingidos é uma técnica artesanal de pintura que se utilizava quando não haviam meios para usar materiais nobres na construção, por exemplo mármore, granito ou até certas madeiras. Sobre uma superfície de gesso, pintava-se um “fingido”  - uma pintura que fingia o aspecto do material que se pretendia.

 

Yesterday I visited Mr.Luís Castro, which works in restoration, at his workshop here in Guimarães.
I already knew Mr.Luís because he was one of the artisans I covered in the chapter I wrote for the book about the House of the Lobo Machado family (currently belongs to the Comercial and Industrial Association of Guimarães). During the building restoration, he did the gildings and the paintings for the “fake surfaces”* , showing me his techniques and a few tricks. 
Next time he’s going to show me a few things about making paints with natural bases (like water, egg and oil) and also the gilding technique.

* the “fake surface” technique was used when there wasn’t any money to buy rich materials, like marble, granite or even some types of wood. On a plaster surface, a “fake” painting would be made to look exactly like the real material.