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Linho. Mas qual linho?

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Depois de se decidir que vamos semear linho, a pergunta a fazer é "que linho vamos semear?".
Há aqui dois pontos importantes a ter em conta: o primeiro é que a finalidade deste linho é a obtenção de fibra têxtil e o segundo é que se faz questão que seja uma variedade autóctone. Isto já reduz, e em muito, as opções.
É que, de forma geral, dentro das diferentes variedades que existem, umas estão mais vocacionadas para fibra e outras para a produção de semente da linhaça, usada para diversos fins.
As variedades mais próprias para fins têxteis terão um caule mais longo e não ramificado, assegurando que as fibras são mais longas. As variedades mais próprias para a produção de semente serão de caules mais curtos, muito ramificados, o que permite que cada ramo suporte uma cápsula com sementes e, logo, várias cápsulas por planta. Atenção que uma variedade pode não apresentar uma vocação clara para um fim ou outro, podendo ter uma finalidade mista.

Em Portugal, há duas variedades autóctones que são (ou eram) as mais frequentemente cultivadas e são de conhecimento mais geral: o Linho Galego e o Linho Mourisco. Temos ainda o Linho de Riga Nacional, que é identificado por uns como sendo indígena e outros como tendo sido importado em tempos muito remotos. E ainda o Coimbrão, o Verdeal, o Abertiço e o Serrano, que são indicados como sendo sub-variedades ou então designações locais das três variedades que mencionei primeiro. Pormenores que ainda não consegui esclarecer nas diversas fontes que consultei.

Para o nosso caso, interessa-me considerar o Linho Galego e o Linho Mourisco, já que o primeiro é um linho de Primavera e o segundo é um linho de Inverno. 
Os de Primavera são semeados em Março/Abril, têm um ciclo mais curto que termina geralmente em Junho/Julho e são, geralmente, os que têm o crescimento indicado para a produção de boa fibra. Os de Inverno são semeados em Outubro/Novembro, têm um ciclo invernal que termina praticamente na mesma altura que os de Primavera, ficando por isso muito mais tempo na terra, e costumam ser as plantas mais indicadas para a produção da linhaça.
O Mourisco, apesar de resultar numa planta mais alta, produz fibras mais rústicas que o Galego, e também mais estopa e desperdício de palha.
Se soubermos que estas variedades nacionais raramente crescem mais que 40/50cm de altura, e que as variedades estrangeiras vocacionadas para fibra chegam ao metro de altura, não é difícil de perceber que a desvantagem é que o rendimento da fibra produzida, por área cultivada, será muito menor para as nossas variedades.
No entanto, falando de qualidade e não de rendimento, o linho Galego, quando bem cultivado e processado, produz fibras muito finas e de grande qualidade que, de acordo com alguns testemunhos de quem processa e trabalha esta fibra anualmente, é mais delicada do que muitas variedades mais rentáveis, prestando-se a produzir fios mais finos. Ou seja, não é a variedade mais rentável, mas o que produz é de boa qualidade.

Moral da história: na quinta de Serralves, vamos semear Linho Galego.

Nota: só para ficar registado aqui, porque eu própria tive alguma dificuldade em encontrar esta informação, dentro do género Linum usitatissimum, que engloba a maioria dos tipos de linho cultivados no mundo, o Linho Galego e o Linho Mourisco pertencem à espécie Linum humile, sendo que o primeiro pertence à sub-espécie transiens e o segundo à sub-espécie crepitans.


Flax. But which flax?


After deciding to grow and process flax, the question we need to ask is "what kind of flax?"
There are two important things to consider here: first, we want to grow flax for fiber purposes. Second, we really want it to be a local variety. This narrows down our options a lot.
Generally speaking, some varieties are more adequate for fiber and others for grain (flax seeds that are used for several purposes). The fiber varieties have longer stems, without branching out, assuring that the fibers are longer. The varieties more adequate to produce grain are shorter and branch out a lot, which allows each branch to grow its own seed capsule, and therefore several capsules for each plant. Nevertheless, one variety may not be especially focused on one or another thing, but have a mixed purpose instead.

In Portugal, there are two local varieties that are (or were) widely used and are more known: the Galego Flax and the Mourisco Flax. We also have the Riga Nacional
Flax, which is said by some to be native, and by others to have been imported a long time ago. And there are also the Coimbrão, the Verdeal, the Abertiço and the Serrano, which are said to be either sub-varieties or local names for the three varieties I mentioned first. This is something I haven't been able to clarify yet.

For this case, I'm interested in considering the Galego and the Mourisco because the first one is a spring flax and the second one is a winter flax.
Spring flax is sowed in March/April and they have a shorter cycle that ends around June/July, and is better for fiber production. Winter flax is sowed in October/November, but it has a longer cycle that ends almost at the same time that the Spring flax, and it is usually more adequate for seed production.
The Mourisco, produces longer but more rustic fibers than the Galego, and also more tow and straw waste.
Knowing that our national varieties don't grow taller than 40/50cm, and that the foreign varieties with fiber purpose can grow to be one meter tall, it's not difficult to understand that the production, by square meter, will be a lot inferior for our own. 
However, considering quality and not quantity, the Galego variety, when well grown and processed, produces very thin fibers that sport a kind of quality that, according to people that grow and process this flax yearly, is more delicate than the more profitable varieties, allowing to spin a more delicate yarn. This means that it may not be the most profitable, but it is of good quality.

Conclusion: we'll be growing the Galego
Flax in Serralves.

Note: just for the record, because I had trouble finding this information, under the Linum usitatissimum genus, the Galego and Mourisco belong to the Linum humile species. And the first one belongs to the transiens subspecies and the second one to the crepitans subspecies.