Roteiro Oficinal do Porto
Porto, 2013-2016
O Roteiro Oficinal do Porto (ROP) foi uma iniciativa do Saber Fazer, desenvolvida por Alice Bernardo e José Simões. O seu objetivo foi identificar, documentar e mapear as oficinas e artesãos ativos na cidade do Porto. A informação recolhida foi disponibilizada num diretório que tornou esta rede de profissionais visível e acessível a todos.
O projeto partiu da descoberta de um "Roteiro do Porto" publicado num Anuário do Porto de 1947, que listava rua a rua todos os profissionais que então laboravam na cidade. A comparação entre esse registo e a realidade contemporânea evidenciou que, apesar de o Porto continuar a ter uma mão-de-obra qualificada, diversificada e especializada, não existia qualquer ferramenta que permitisse localizá-la e identificá-la. O levantamento foi realizado através de visitas diretas às oficinas, durante as quais se recolheu informação detalhada sobre cada profissional, fotografando e filmando o espaço e o trabalho.
O Diretório do ROP
O produto central do ROP foi um diretório online altamente organizado e categorizado, concebido não como uma simples lista de nomes e moradas, mas como uma ferramenta de pesquisa. O diretório permitia pesquisar oficinas por tipo de ofício, por matéria-prima trabalhada e por localização geográfica (freguesia), tornando possível identificar, por exemplo, todos os encadernadores do Porto, todos os profissionais que trabalham a madeira, ou todas as oficinas de Cedofeita. Para além da pesquisa por categorias, o diretório incluía uma visualização geográfica em mapa que permitia perceber a distribuição das oficinas pela cidade. Cada entrada ia além dos dados de contacto, incluindo informação verificada sobre as especializações de cada profissional, a sua experiência e o que o distinguia — com o objetivo de apoiar uma escolha fundamentada por parte de quem utilizasse o diretório.
A Publicação do ROP
No decurso do levantamento, foi publicado regularmente um diário de campo, do qual saíram três edições. Cada edição apresentava em detalhe alguns dos artesãos e oficinas encontrados durante a investigação — desde Manuel Adriano, reparador de máquinas fotográficas com mais de 96.000 câmaras registadas, até Artur Oliveira, torneiro de madeira a trabalhar no centro do Porto; de Israel, posticeiro a fazer perucas para teatro há mais de cinquenta anos, à Escovaria de Belomonte, escovaria artesanal de três gerações. A publicação funcionou também como registo aberto da investigação em curso, acessível a todos os que quisessem acompanhar o processo.
O Arquivo do ROP
Em paralelo com o levantamento, foi sendo construído um arquivo de imagens e vídeos das oficinas visitadas. O arquivo foi disponibilizado online como subproduto do ROP, constituindo um registo visual da diversidade e qualidade da mão-de-obra que labora no Porto.

