Do velo de churra mirandesa à meia
fio-3.jpg
fio-4.jpg
fio-6.jpg
fio-7.jpg

Estas belíssimas meias foram feitas pela Zaida a partir de um dos velos em bruto de Churra Galega Mirandesa que ela trouxe de Miranda do Douro, da tosquia que fizemos em Junho.
É preciso dizer que a Zaida tinha aprendido a processar a lã e a fiar apenas 3 semanas antes numa das nossas oficinas do Trabalho da Lã, em Maio, e que me apareceu no atelier no final de Junho com estas peças maravilhosas.
Como devem imaginar, fiquei feliz da vida. <3

/

These beautiful socks were made by Zaida from a fleece of Churra Mirandesa that she brought back with her from our shearing, back in June.
They are even more special because Zaida had learnt to process wool and spin only 3 weeks before, at one of our workshops, and she had these socks done by the end of June.
As you can imagine, I was very happy to see this <3

Uma vez fiandeira, fiandeira para sempre
48308259602_360a89d81a_b.jpg
48308147646_887d346953_b.jpg

Verdadeiro momento “If you build it, they will come”.
Já houve um tempo em que era eu que andava atrás delas, agora são elas que vêm cá ter.
A Cândida, com 94 anos, insistiu em vir à loja com a filha e o sobrinho, que querem restaurar o seu tear antigo e passaram por cá para tirar umas dúvidas. Ela também queria ver tudo!
É preciso saber que a Cândida cultivava linho e fazia o processo todo até ao fio.
A dada altura, a filha perguntou se eu tinha uma revista para a mãe se entreter. Revistas não, mas tenho rocas, fusos e linho!
O que eles não percebem é que uma vez fiandeira, fiandeira para sempre <3

/

True moment “If you build it, they will come”.
There was a time when I was the one looking for them, now they find me.
Cândida, who is 94 years old, insisted in coming to our shop with her daughter and nephew, that are looking to fix up her old loom and came over to ask a few questions. She also wanted to visit and see everything.
It’s important to know that Cândida used to grow flax and process it into linen!
At some point, her daughter asked me if I had a magazine for her mother to distract herself a little bit. I don’t have magazines, but I do have spindles, distaff and linen!
What they don’t understand is that once a spinner, always a spinner <3


Mãos à obra
IMG_1976.jpg
IMG_2176.jpg
01001978-C48B-4615-8446-FF613C99C8D3.jpg
IMG_2177.jpg
IMG_2173.jpg
IMG_5871.jpg
IMG_2172.jpg
IMG_5868.jpg

Finalmente o Saber Fazer vai ter um jardim! 

O Francisco Flórido (Garden Maker) foi o responsável por limpar o matagal acumulado há anos e anos, com o cuidado de identificar e deixar aquilo que interessa. Temos árvores de fruto, sabugueiros e carvalhos e muito trabalho pela frente.

A partir de amanhã mudamos para a nossa nova morada na Rua da Aliança 112, no Porto.
Ainda estamos em mudanças e a terminar as obras na loja, por isso só iremos abrir no final de Junho para receber a Guida Fonseca nas oficinas de Tinturaria Natural e Tapeçaria!

/

Finally, Saber Fazer will have a garden!

Francisco Flórido  (Garden Maker) was in charge of cleaning years and years of wild growth, but careful enough to leave what was important. We have plum and tangerine trees, elderberries and a lot of work ahead.

Starting from tomorrow, we’ll be at our new address at Rua da Aliança 112, Porto.
We’re still in the process of moving and finishing the shop renovation, so we’ll be opening at the end of June to host Guida Fonseca and her Natural Dyeing and Tapestry workshops.

Vamos mudar de casa!
public.jpeg

Pois é, vamos mudar de casa! Mais concretamente, vamos deixar o nosso espaço em Matosinhos e vamos instalar-nos numa loja no Porto (anunciamos a morada em breve).

A mudança vai decorrer durante o mês de Junho, portanto pedimos alguma compreensão se houver lentidão na resposta aos e-mails e no envio de encomendas. Já sabem o que se passa.

O nosso espaço em Matosinhos era muito bonito e tinha um carácter único, mas com algum tempo esperamos criar um ambiente igualmente bom! A notícia boa é que conseguimos finalmente ter um espaço exterior, que vai ser uma bela ferramenta de trabalho.

Prometemos manter o cheiro a lã a que já se habituaram! : D

/

WE’RE MOVING!

That’s right, we’re leaving our beautiful space in Matosinhos and moving to a shop space in Porto (I’ll announce the address very soon).

We’ll be moving during the month of June, so if we take longer than usual to answer to your emails or send your order, you know why that is!

Our Matosinhos atelier was very beautiful and unique, but with some time we’ll make this new space even more special. The good news is that we will be finally having a garden! We promise to keep our signature wool scent.

Fibershed Clothing Guide - um menu de acções e opções
Fibershed-Clothing-Guide-second-edition.jpg
Fibershed-Clothing-Guide-second-edition2.jpg



”We don’t often ask what’s in our clothing and we’re not provided an ingredients list, nor are we often offered information specific to who made our garments. Clothing manufacturing can be a black box of information for most of us. This guide offers a set of simple guidelines to use when considering your next clothing purchase, and some deeper explanation about the fibers and dyes that compose most of what we wear.” Fibershed Clothing Guide

Para quem se preocupa realmente com aquilo que veste e o impacto ambiental real, o "Clothing Guide" recentemente lançado pelo Fibershed é um excelente ponto de partida para perceber as questões de sustentabilidade que rodeiam o vestuário e como tomar melhores opções, tanto no momento de comprar/fazer roupa como na sua manutenção. Acima de tudo, é um guia simples, mas que aborda esta questão com alguma profundidade e é por isso óptimo até para designers e marcas que querem realmente ser sustentáveis e não apenas usar esta palavra para o marketing, como é cada vez mais frequente.

Está disponível para download aqui:
http://www.fibershed.com/wp-content/uploads/2019/04/Fibershed-Clothing-Guide-second-edition.pdf

O Índigo do Pastel-dos-Tintureiros do Faial
isatis-1.jpg
Pastéis em Novembro, aconchegados pela Lã Bordaleira / Woad plants back in November. Sometimes we use wool as mulch.

Pastéis em Novembro, aconchegados pela Lã Bordaleira / Woad plants back in November. Sometimes we use wool as mulch.

isatis-4.jpg
isatis-11.jpg
O líquido da extracção antes de fazermos a conversão para o índigo / The color of the extraction liquid before we make the conversion to Indigo

O líquido da extracção antes de fazermos a conversão para o índigo / The color of the extraction liquid before we make the conversion to Indigo

A passagem da cor acastanha para verde, antes de ficar Azul / The color transformation from reddish brown to green, before it becomes Blue

A passagem da cor acastanha para verde, antes de ficar Azul / The color transformation from reddish brown to green, before it becomes Blue

Extracção do Índigo terminada / Finished Indigo extraction

Extracção do Índigo terminada / Finished Indigo extraction

Índigo extraído de Pastel-dos-Tintureiros do Faial / Índigo extracted from Woad from the Faial island in the Azores

Índigo extraído de Pastel-dos-Tintureiros do Faial / Índigo extracted from Woad from the Faial island in the Azores

Pastel-dos-Tintureiros em floração / Flowering woad plant

Pastel-dos-Tintureiros em floração / Flowering woad plant

Com o tempo que tenho dedicado ao Índigo Japonês ainda não tinha tido oportunidade de prestar verdadeira atenção ao Pastel-dos-Tintureiros. E sem a atenção devida não tinha conseguido que ele me desse nada de interessante até agora. Anualmente costumo cultivar Índigo japonês em grande quantidade e apenas uma meia-dúzia de Pastéis, que uso para aprender sobre o seu cultivo, fazer algumas experiências e renovar a semente.
Em Novembro passado, acabada a temporada do Índigo tive finalmente alguma capacidade de foco para olhar para o Pastel-dos-Tintureiros devidamente e finalmente consegui extrair índigo proveniente desta planta icónica.
Estas Isatis tinctoria (nome científico do Pastel-dos-Tintureiros) não são uma variedade qualquer. São das que eram cultivadas nos Açores, onde em tempos tivemos uma verdadeira “indústria pasteleira”. Mais especificamente vieram da Ilha do Faial e, apesar de eu não me dedicar à vertente histórica, sinto-me muito contente por se ter voltado a extrair índigo destes pastéis com tanta história .
Para ser justa, tenho de admitir que foi a generosidade do Índigo Japonês que me permitiu experimentar de forma tão livre e intensa nos últimos anos e aprender o necessário sobre a extracção de índigo para agora abordar o Pastel e ser bem-sucedida na extracção do pigmento.
Para celebrar o Pastel-dos-Tintureiros e o meu recém-encontrado afecto por esta plantinha, mandei fazer os postais da temporada, que costumam ser oferecidos com as encomendas da loja e nas nossas oficinas, com uma ilustração botânica sua.
Lá na quinta BioHabitus, onde fazemos os nossos cultivos, os mesmos pastéis já espigaram e já começaram a florir para produzir semente.

/

With all the time I have been devoting to Japanese Indigo, I have to admit that I had not the time to pay proper attention to Woad. And without true attention, I hadn’t been able to get anything interesting from it until now. Yearly, I grow indigo in large quantities and only a dozen or so woad plants, that I use to learn about their growing habits, do some experiments and grow fresh seed for the following year.
Last November the japanese indigo season was over so I had some time to approach Woad and finally extract some proper indigo from it.
These Isatis tinctoria plants are special because they came from the Azores, where once there was a true woad industry. More specifically, they came from the Faial island and although my work is not very devoted to the historical aspects, I feel happy that once again indigo was produced from this historical woad.
To be fair I have to admit that it was Japanese Indigo’s generosity that allowed me to freely and intensely experiment in the last years, enough for me to be able to aproach woad and be successful.
To celebrate my new found affection for Woad, this season’s postcards, that we usually offer with our
shop orders and workshops, feature a botanical illustration of the little magical plant.
At the farm the same plants are already flowering and will be giving us the seed for next year.

Ensinar sobre as Lãs Portuguesas em Vimioso
lãs-portuguesas-vimioso-16.jpg
lãs-portuguesas-vimioso-15.jpg
lãs-portuguesas-vimioso-9.jpg
lãs-portuguesas-vimioso-10.jpg
lãs-portuguesas-vimioso-12.jpg
lãs-portuguesas-vimioso-14.jpg
lãs-portuguesas-vimioso-11.jpg
lãs-portuguesas-vimioso-1.jpg
lãs-portuguesas-vimioso-3.jpg
lãs-portuguesas-vimioso-4.jpg
lãs-portuguesas-vimioso-5.jpg
lãs-portuguesas-vimioso-.jpg

O fim-de-semana anterior foi passado em Vimioso, no PINTA (Vales de Vimioso), a orientar uma oficina 2-em-1 dedicada às Lãs Portuguesas e ao Trabalho da Lã.
Esta oficina esgotou rapidamente depois de anunciada, o que me deixou bastante contente porque é sinal de que o tema está a gerar mais interesse e de que as pessoas estão dispostas a deslocar-se para ter acesso a formações de qualidade, com o intuito de porem em prática aquilo que vão aprender.
O grupo era excelente, com objectivos muito diversos, mas muito focado e interessado. Foi um prazer passar estes dias não só rodeada de Lã, mas também de pessoas com quem posso partilhar e quem sabe até contagiar com um pouco desta minha obsessão.

Um grande obrigada à Isabel Sá, companheira destas andanças da Lã, pelo convite e pela perfeita organização de todo o fim-de-semana.

/

The last weekend was spent in Vales de Vimioso teaching a 2-in-1 workshop about portuguese wool and also wool processing.
This workshop filled up very quickly, which made me very happy because this means that the theme is ganing interest and that people are willing to travel further to participate in events that are very technical and to acquire knowledge that they’ll be able to use in the future.
The group was excellent, everyone with different purposes, but with the same focus and eager to learn. It was an absolute pleasure to spend this days not only surrounded by wool, but also by people with whom I could share my love and obssession for this wonderful fibre.

A huge thank you to
Isabel Sá for inviting me and for the flawless organization of the whole weekend.

Walk on Wool - A oficina mais épica do ano
walk-on-wool-1.jpg
walk-on-wool-5.jpg
walk-on-wool-3.jpg
walk-on-wool-2.jpg
walk-on-wool-8.jpg
walk-on-wool-7.jpg
walk-on-wool-12.jpg
walk-on-wool-15.jpg
walk-on-wool-16.jpg
walk-on-wool-23.jpg
walk-on-wool-26.jpg
walk-on-wool-25.jpg
walk-on-wool-24.jpg
walk-on-wool-28.jpg
walk-on-wool-31.jpg
walk-on-wool-35.jpg
walk-on-wool-34.jpg
walk-on-wool-38.jpg
walk-on-wool-41.jpg
walk-on-wool-42.jpg
walk-on-wool-37.jpg
walk-on-wool-44.jpg
walk-on-wool-39.jpg
walk-on-wool-43.jpg
walk-on-wool-45.jpg
walk-on-wool-55.jpg
walk-on-wool-50.jpg
walk-on-wool-54.jpg
walk-on-wool-53.jpg
walk-on-wool-52.jpg
walk-on-wool-57.jpg

O dia anterior ao início desta Masterclass orientada pela Ana Rita de Albuquerque anunciei-o no instagram como sendo a preparação para a oficina mais épica do ano cá no Saber Fazer, e não me enganei. Estavam previstos três dias de formação, que acabaram por se estender para quase 5, e estes revelaram-se fisicamente exigentes e extremamente técnicos. Felizmente, isso é exactamente o que gostamos de oferecer por cá!
Esta é uma oficina bastante exigente a nível físico, mas também uma experiência absolutamente excepcional. Para quem veio fazer feltragem pela primeira vez, foi um primeiro contacto um pouco hardcore, mas também profundo. Para quem já tinha experiência, esta oficina serviu não só para perceber até que ponto pode ir o envolvimento físico, mas também para começar a perceber a complexidade inerente à Feltragem, que tantas vezes vejo abordada de forma simplista.
O início foi bastante suave, com planeamento, medições e pesagens de material, mas logo se passou à acção, com muita água, sabão e músculo, durante longas horas. A intensidade foi aumentando até termos de ir buscar a maquinaria pesada, como lixadeiras e martelos. Feltrar tantas camadas de lã não é brincadeira nenhuma, mas as 5 corajosas que vieram participar na nossa oficina, estiveram à altura!

E como é que surgiu a ideia para este Masterclasss?
Quem já esteve com a Ana Rita já a terá muito provavelmente visto a usar um certo par de botas em lã feltrada, esculpidas numa única peça sem costuras, que se tornam sempre alvo de perguntas e cobiça. Sobre estas botas, feitas por ela própria, a Ana Rita costuma contar que a técnica base é a das botas Valenki, calçado tradicional dos povos nómadas das grandes estepes e do povo russo até ao século XX, que se conta terem mantido os pés dos soldados russos secos e quentes durante a invasão nazi, permitindo a vitória de Estaline sobre Hitler.

Para criar estas botas, a Ana Rita adaptou a técnica das botas Valenki e inseriu alguns elementos técnicos do fabrico de calçado tradicional português, solas de borracha contemporâneas, contraforte e sola interior de cabedal. Para além de serem tão impermeáveis quanto um material natural e orgânico o permite e muito mais impermeáveis do que cabedal, são extraordinariamente confortáveis pelo material, pela ausência de costura e por serem feitas a partir das medidas exatas do pé que as calça.
Foi por tudo isto, por se tratar de uma técnica tão específica e bem desenvolvida pela Ana Rita, que a decidimos convidar para conceber e orientar esta Masterclass dedicada ao calçado em feltro, durante a qual ela ensinou técnicas de feltragem e modelação para criar um par de botas absolutamente ímpar. E quem ficou com um par de botas destas deve estar preparado para as calçar durante muito tempo, porque em termos de durabilidade também são imbatíveis!

A próxima edição já está a ser planeada e se quiserem saber quando irá ocorrer, não se esqueçam de subscrever a nossa newsletter!
Podem ver mais algumas imagens desta oficina aqui.

//

The day before we started this Masterclass, I announced it on instagram as the preparation for the most epic workshop of the year, and I was not wrong! The plan were three days, that ended up going up to almost five extremely demanding, both physical and technically. Luckily for us, that’s exactly the kind of workshop we love offering!
As I said before, this is a very demanding class, but also very rewarding. For those that had never felted before, it is a bit of a crash course on felting, but also a deep experience they’ll never forget. For those with experience, it was useful to understand how intense the physical part can get and also to start diving in on the inherent complexity of Felting, that so many times is done in a simplistic way (not “simple”, please note).
The beginning was quite soft, planning, measuring and weighing wool, but it quickly became intense, with a lot of water, soap and
muscle. All of this for long, long hours. The intensity increased until the heavy machinery came out, like those sanders and hammers. Felting all those wool layers is no play, but all five participants handled it.

How did the idea for this Masterclass come about?
If you met
Ana Rita de Albuquerque, you have probably seen her wearing a certain pair of boots made of felted wool, sculpted in one piece, with no seams. When asked about these boots, she always explains that the base technique is the one from the Valenki boots. The story that is told is that these boots kept the feet of the russian army warm and dry during the nazi invasion, allowing for the victory of Staline over Hitler.

To create her boots, Ana Rita adapted the traditional technique of the Valenki boots and mixed it with a few technical elements of the traditional portuguese shoemaking and contemporary rubber soles. These boots are waterproof, extremely warm and also comfortable, because they are sculpted in one piece according to the size and shape of the feet that will wear them.
For being such a specific technique, we decided to organize ths special masterclass, during which Ana Rita taught several felting and sculpting techniques to create a unique pair of boots!

The next edition already being planned, so if you want to know when it will be happening, please subscribe to our
newsletter!
A few more photos of this workshop
are available here.


O amarelo da nossa Reseda
amostras-reseda-2.jpg
amostras-reseda.jpg

Finalmente, algumas meadas tingidas com o Lírio-dos-Tintureiros cultivado por nós e “sobretingidas” com índigo para produzir o clássico verde.
Sabiam que o amarelo da Reseda luteola é considerado o mais sólido proveniente de origem vegetal?
Pelos vistos, há meias com 1700 anos tingidas com Reseda, Rubia e Índigo que chegaram bem coloridas aos dias de hoje.



Finally, a few skeins dyed with our homegrown weld and overdyed with indigo to make the classic Lincoln green.
Did you know weld yellow is the most lightfast dye of vegetable origin?
And to prove it, here is a 1700 year old sock dyed with weld, madder and indigo that made it to our days with its colorful stripes.

Saber Fazer na Festa de Outono 2018
festa-outono-2018-1.jpg
festa-outono-2018-5.jpg
festa-outono-2018-20.jpg
festa-outono-2018-6.jpg
festa-outono-2018-23.jpg
festa-outono-2018-27.jpg
festa-outono-2018-26.jpg
festa-outono-2018-10.jpg
festa-outono-2018-8.jpg
festa-outono-2018-25.jpg
festa-outono-2018-24.jpg
festa-outono-2018-19.jpg
festa-outono-2018-15.jpg
festa-outono-2018-14.jpg
festa-outono-2018-13.jpg
festa-outono-2018-9.jpg
festa-outono-2018-7.jpg
festa-outono-2018-21.jpg
festa-outono-2018-3.jpg
festa-outono-2018-2.jpg
festa-outono-2018-16.jpg

Aqui ficam algumas imagens da nossa participação na última edição da Festa de Outono em Serralves.
Entre nós que vamos ensinar, a Festa de Outono já é conhecida como aquela prova de endurance anual, já que consiste praticamente em trabalhar continuamente durante 2 dias a ensinar milhares de pessoas sobre a Lã, Fiação, Tecelagem, Feltragem, Tapeçaria, Cestaria e muito mais. No entanto, acreditamos que não há nada mais precioso que ter a oportunidade de apresentar milhares de pessoas de uma assentada aos ofícios do nosso coração. Este foi o quarto ano que fizemos o evento e gostamos de ver tanto os repetentes que voltam para trabalhar connosco, como a cara de uma pessoa a mudar quando consegue fiar pela primeira vez.

mais imagens aqui.

Obrigada Rosa Oliveira, Manuel Oliveira, Guida Fonseca, Fernando Rei, Ana Rita de Albuquerque e Ana Alpande por fazerem parte da melhor equipa de sempre! E obrigada a Serralves pelo convite.



A few photos from our participation at the Festa de Outono event in Serralves.
This event is very intense and our team basically works two straight days non-stop, but for someone who believes in what we do, it’s the perfect opportunity to introduce thousands of people to the crafts of our heart. The first time we did this event was four years ago and we’re very happy to see that quite a few people started their journey in the fiber arts area with us.

More
images of our participation here.

Thank you
Rosa Oliveira, Manuel Oliveira, Guida Fonseca, Fernando Rei, Ana Rita de Albuquerque and Ana Alpande for making part of the perfect team! Thank you Serralves for the invitation.

O primeiro ano de Lírio-dos-Tintureiros
lirio-tintureiros-11.jpg
lirio-tintureiros-12.jpg
lirio-tintureiros-13.jpg
Aqui usamos as baganhas que sobraram da colheita da semente de linho para servir de cobertura na zona dos lírios. Combinação perfeita. /  Here we used the flaxseed capsules that were left after the flax harvest, to do the mulching for the weld patch. Perfect match!

Aqui usamos as baganhas que sobraram da colheita da semente de linho para servir de cobertura na zona dos lírios. Combinação perfeita. / Here we used the flaxseed capsules that were left after the flax harvest, to do the mulching for the weld patch. Perfect match!

lirio-tintureiros-10.jpg
lirio-tintureiros-8.jpg
lirio-tintureiros-9.jpg
lirio-tintureiros-7.jpg
lirio-tintureiros-18.jpg
Sementes de lírio-dos-tintureiros acabadas de colher / Newly harvested weld seeds

Sementes de lírio-dos-tintureiros acabadas de colher / Newly harvested weld seeds

lirio-tintureiros-1.jpg
Lã tingida com Lírio-dos-Tintureiros pela Guida Fonseca e pela Marília

Lã tingida com Lírio-dos-Tintureiros pela Guida Fonseca e pela Marília

O Lírio-dos-tintureiros era uma das plantas que me andava a escapar. Já desde o primeiro ano que comecei a cultivar diferentes plantas tintureiras que o tentava semear, mas nunca tinha germinado. A verdade é que nos anos anteriores não fui eu a tratar da germinação e as sementes de lírio, apesar de germinarem facilmente, têm uma particularidade a que é preciso atender: precisam de luz! Portanto, nada de as enterrar. Pousadas à superfície com humidade constante, germinaram muito bem.
Ficam aqui algumas imagens do desenvolvimento dos lírios-dos-tintureiros, a que assisti pela primeira vez este ano no cultivo que fizemos na quinta BioHabitus.
A maior parte das plantas já foram colhidas em Agosto e já secaram entretanto, o que quer dizer que na próxima oficina de Tinturaria Natural vamos poder usar o clássico Lírio-dos-tintureiros para produzir os amarelos límpidos e sólidos que lhe são característicos!



Weld was one of those indispensable dyer’s plants that I had trouble growing, at first. The reason was very simple: I was not attending to the germination process myself, because there are always another million things to be done, and weld seeds have one peculiarity that needs to be respected: they need sunlight to germinate. Obviously, they can not be covered with dirt as we are used to do. Kept at the surface with constant moisture they germinated quite well and were surprisingly easy to grow.
Here are a few pictures of this year’s weld grown at
BioHabitus farm.
Most of the plants have been harvested in August and have dried already, which means we will be able to use our own organically grown weld in our next Natural Dyeing workshop!

Fiar com um fuso português

Já andava para escrever este post há imenso tempo. Nada de complexo, um simples apanhado de diferentes senhoras com que me fui cruzando a fiar com o tipo de fuso mais comum no nosso país, mas mais invulgar lá fora. A ideia é apenas mostrar a técnica, algumas semelhanças e também as diferenças introduzidas pelo estilo pessoal de cada uma.
Há umas semanas a Josefin recebeu um dos fusos do Saber Fazer, o que suscitou uma série de questões pertinentes acerca da técnica de fiação com um fuso deste género e portanto motivou-me a publicar finalmente estes videos.
Primeiro, queria deixar duas notas iniciais sobre a utilização deste fuso:

- por cá, quer se fie linho ou lã, a roca está quase sempre presente para suportar as fibras enquanto fiamos. Não é tão comum encontrar quem fie sem roca, mas existe;

-  o fuso pode estar sempre na mão ou ser utilizado em suspensão, embora neste caso apenas por curtos espaços de tempo. Ser utilizado em suspensão, depende da qualidade do fuso (principalmente de ter uma boa mainça, como os meus), da mestria da fiandeira e do tipo de fio que se está a fiar. Também depende da preferência pessoal, como iremos ver mais abaixo nos vídeos;
Ora aqui vamos nós:



I've been meaning to write this post for a while now. Nothing too complex, just a simple collection of different ladies I have encountered through my learning process and research, spinning with the type of spindle that is more commonly found in Portugal, but unusual in other countries. My idea is just to show you some similarities and differences present in their techniques.
A few weeks ago, Josefin received one of my portuguese spindles and this prompted several pertinent questions about the spinning technique for this specific spindle and this made me finally publish these videos.
First off, I would just like to leave two notes:
- In Portugal, both in wool and flax spinning, the distaff is almost always used to hold the fibres. It is not common to find people spinning without a distaff, but there are some.
- The spindle can either be always held in hand or used in suspension, although for short bursts only. To be possible for it to be used in suspension it depends on the quality of the spindle (mostly on having a very good carved groove on the tip, like mine do), on the mastery of the spinner and the type of yarn you're spinning. It also depends on personal preferences, as we will see in the videos below. The groove on the tip is so important that it even has its own word in portuguese: "mainça".
Let's get started:

Neste video da Adelaide a fiar linho, que captei na Corredoura (Guimarães) em 2013 vemos a técnica mais comum. A mão esquerda puxa as fibras enquanto a direita roda o fuso. Se repararem bem, a mão do fuso abre-se ligeiramente para o deixar girar livremente, quase em suspensão. Isto permite que o fuso gire mais rápido, claro.
/
In this video of Adelaide spinning flax that I recorded in Corredoura (Guimarães) back in 2013 we see the most common technique. The left hand drafts the fibers from the distaff, while the right hand spins the spindle. If you look closely, Adelaide's spindle hand slightly opens to let the spindle turn freely, almost suspended. This allows the spindle to turn faster, of course.
 


Outro exemplo de uma técnica mais tradicional é a da Benta. Apesar de estar a fiar lã, a técnica é semelhante à da Adelaide.
A Benta já não se encontra entre nós, mas mantém-se na memória daqueles que se cruzaram com ela. Foi uma das pessoas mais interessantes que alguma vez conheci e de quem respiguei conhecimento muito valioso. Podem ver mais vídeos da Benta aqui: #01, #02, #03, #04, #05#06 e #07.
/
Another example of a very traditional technique is Benta's. Although she is spinning wool, the technique is similar to Adelaide's, in the first video.
Unfortunately, Benta is no longer among us, but she keeps being a solid presence in the memory of those that had the privilege to meet her. She was one of the most interesting people I have ever met and from whom I gleaned a lot of precious knowledge. You can see more videos of Benta right here: #01, #02, #03, #04, #05#06 and #07.


Aqui temos a Ilídia, minha querida amiga e professora, com quem tive a sorte de fazer a minha iniciação na Lã e na fiação e que me deixa sempre hipnotizada quando a vejo a trabalhar. Este pequeno vídeo fi-lo em Setembro passado e o que ela está a fazer é a fiar para produzir, coisa rara de se ver por cá nos dias que correm. Com isto quero dizer que ela está, de facto, a fiar para vender e que, portanto, não está a brincar em serviço como se pode ver pelo tamanho da maçaroca, bem como pela destreza e velocidade. Como podem ver, ela fia em suspensão. Sabem porquê? Porque os fusos dela têm uma boa mainça. E têm uma boa mainça porque ela não brinca em serviço. Um fuso mais ou menos bom não serve para a Ilídia.

And here we have Ilídia, my dear friend and teacher, with whom I was SO lucky to be initiated in this wonderful world of wool and spinning. Watching her work always leaves me mesmerized, no matter how many times I've seen it. I recorded this little video last September and in it you can see her production spinning. This means she's spinning yarn to sell and not to pass time, as you can tell by the speed of her spinning and the size of that cop. Her spindle is about 45cm tall and my spindles were inspired in this model.
As you can see, she does spin in suspension. Do you know why? Because her spindles have a perfect groove on the tip. And she makes sure they have a good groove because she does not have time to waste. A good enough spindle does not cut it with Ilídia, and this is something that I have learned with her.

 


Depois temos a minha amiga Tita Costa. A Tita aprendeu a fiar com uma senhora da zona do Douro que era amiga da família dela. O fuso que ela está a usar, que é de uma incrível qualidade com uma exímia mainça feita em latão, pertencia a essa senhora e portanto já tinha trabalhado muito antes de chegar às mãos da Tita.
A técnica que a Tita aprendeu e usa actualmente não inclui roca e o fuso nunca sai da mão porque nunca é utilizado em suspensão. Aquele som que ouvem, é o fio a saltar da mainça enquanto recebe a torção. A Tita costuma dizer que é o fuso a cantar.
Na verdade, o fuso dela permite fiar em suspensão, mas ela não o faz.
Eu tenho vários fusos do mesmo género, todos antigos, mas apenas um tem a mesma qualidade do da Tita e é o que mais uso para fiar. Até hoje não o consegui replicar e os que encontro à venda em feiras ou noutras lojas são mais úteis para decoração do que para fiar. Geralmente os fusos com a ponteira metálica eram mais utilizados para fiar linho, mas podemos perfeitamente fiar outras fibras com ele.
/
And then we have my friend Tita Costa. Tita learned to spin from a lady from the Douro region that was a friend of the family. The spindle she's using, which is absolutely amazing, has a brass tip with an exquisitely carved groove. The spindle belonged to the lady that taught her, so it had spun a lot before it got to Tita's hands.
The technique Tita learned and uses does not include a distaff and the spindle never leaves the hand, because it is never used in suspension. That clicking sound you hear is the yarn jumping from the groove as it twists. Tita says that is "the spindle singing".
In reality, her spindle as such a good groove that it allows her to spin in suspension, but she doesn't do it because she wasn't taught that way.
I own several spindles, all antiques, but only one has the same quality as Tita's and that's my favourite spindle to date to work with. I have tried unsuccessfully to replicate with the same quality and the ones that I find for sale are more suitable for reenactments than actual spinning.
Usually, the spindles with the metal tip were used to spin flax, but you can perfectly spin other fibres with it.


Para terminar deixo a Fátima a fiar com um cabo de vassoura adaptado para ser um fuso, porque o que há mais são técnicas diferentes e o que é preciso encontrar é aquela que cumpre a função da forma que sentimos que nos é mais confortável e produtiva.
/
Before signing off, I'm going to leave you with Fátima spinning with a... broom stick!
I believe what we really need to know is that there is no wrong and right technique, only the one that does the job and makes us feel comfortable and productive.

A Primavera, mudanças e novidades
biohabitus-1.jpg
biohabitus.jpg
biohabitus-3.jpg
biohabitus-8.jpg
biohabitus-6.jpg
biohabitus-5.jpg
biohabitus-4.jpg

A novidade que a Primavera nos trouxe foi o início de uma parceria com o Francisco da BioHabitus, um projecto de produção e comercialização de legumes, hortícolas e aromáticas produzidos em modo biológico certificado aqui da zona do Porto, que nos irá receber para cultivarmos não só o nosso Linho, mas também as nossas Plantas Tintureiras.
Vai ser na quinta dele que vamos fazer as culturas anuais e onde vamos fazer as actividades ligadas a estas produções, como o Curso do Linho de 2018 e as oficinas de Tinturaria Natural do primeiro semestre. 
A produção própria dos materiais com que trabalhamos tornou-se cada vez mais importante e distintivo nas oficinas que realizamos e é algo em que queremos continuar a apostar, por isso tornou-se indispensável encontrar um parceiro com quem partilhássemos os mesmos objectivos para fazer tudo crescer de forma mais estável e continuada.

Tivemos de fazer algumas mudanças, como transplantar umas Ruivas-dos-tintureiros que semeamos no ano anterior mas que já exibem umas belas raízes avermelhadas, e trazer os pastéis-dos-tintureiros connosco para florir e dar semente.
Esta mudança também provocou um atraso no agendamento das actividades ligadas à produção de Linho, mas já está tudo programado e em progresso. Podem ver aqui a programação para o Curso do Linho de 2018 e também as oficinas pontuais.

Agora vamos trabalhar para planear e preparar as sementeiras (se a chuva der um descanso).

Se quiserem receber as novidades relativamente a cursos e oficinas, não se esqueçam que a newsletter chega sempre primeiro.

/

The news that Spring brought was the beginning of a partnership with Francisco from BioHabitus, an organic agriculture project located right here in the Porto area, that will receive us to grow not just our linen, but also our dyer's garden.
It's going to be on his farm that we're going to grow our annual productions and host the activities related to these productions, like the Flax production course and the Natural Dyeing workshops.
Having our own production of the materials we work with have become increasingly important and differentiating and that's definitely something I want to keep investing in. That's why it became important to find a partner that is on the same page and shares the same goals so that we can make everything grow in a more stable way.

We had to make some changes and moves, like transplanting a few madder plants that we started last year but that are already showing beautiful red roots, and also bring our woad plants to flower inFranscisco place.
This change caused a small delay in the spring activities planning, but things are now on track. You can check here the program for the Flax production course and other workshops related to the theme.

Now we're off to plan sowing season if the rain gives us a break.

 

Intersecções
oficina-feltragem-24fev2018-anarita-14.jpg
oficina-feltragem-24fev2018-anarita-9.jpg
oficina-feltragem-24fev2018-anarita-2.jpg
oficina-feltragem-24fev2018-anarita-10.jpg
oficina-feltragem-24fev2018-anarita-13.jpg
oficina-feltragem-24fev2018-anarita-1.jpg
oficina-feltragem-24fev2018-anarita-3.jpg
oficina-feltragem-24fev2018-anarita-4.jpg
oficina-feltragem-24fev2018-anarita-11.jpg
oficina-feltragem-24fev2018-anarita-16.jpg
oficina-feltragem-24fev2018-anarita-15.jpg
oficina-feltragem-24fev2018-anarita-7.jpg
oficina-feltragem-24fev2018-anarita-5.jpg
oficina-feltragem-24fev2018-anarita-6.jpg
oficina-feltragem-24fev2018-anarita-12.jpg

Aqui ficam algumas imagens da oficina de Feltragem com Lãs Portuguesas que a Ana Rita de Albuquerque veio cá dar no passado sábado. Tivemos casa cheia para uma oficina que foi uma estreia na casa do Saber Fazer, mas que será a primeira de muitas.
Tenho a tendência a pedir a quem vem cá ensinar para se focar na parte técnica e também tento explorar a intersecção do trabalho deles com o meu aqui no Saber Fazer. É isto que torna as oficinas por cá realmente únicas.
Neste caso a Ana Rita focou-se não só em ensinar os básicos da Feltragem, mas também algumas técnicas de modelação mais interessantes. Tudoisto  usando lãs portuguesas, algumas que ela trouxe já lavadas e cardadas e outras em bruto que tivemos a oportunidade de ir pescar ao meu arquivo de lãs.

Há mais imagens aqui, para quem quiser ver. 

/

Here are some images from last saturday's felting workshop with Ana Rita de Albuquerque. We had a full house for this workshop. It was the first felting workshop at Saber Fazer's atelier, but hopefully it was the first of many.
I tend to ask to those that come here to teach to focus on the technical aspect of the craft and also to explore the intersection of their work with mine with Saber Fazer. In this case, Ana Rita focused on teaching not only the basics of felting, but also a few sculpting techniques, always using portuguese wools.

There are more images published here, if you're interested in taking a closer look at this workshop.

 

Giveaway Ferramentas de Carpintaria e Marcenaria
IMG_2583.jpg
livro-ferramentas-1.jpeg
poster-ferramentas-1.jpeg
livro-ferramentas-2.jpeg
poster-ferramentas.jpeg

**ACTUALIZAÇÃO**
Aqui estão os vencedores. Se o vosso nome tem um asterisco à frente, é porque não introduziram o vosso email quando deixaram o comentário. Para receberem o livro ou poster, têm de me enviar um email com o vosso contacto.

Posters:

#1 - Filipa Pinto da Silva
#2 - Mafalda Soares
#3 - Pedro Faria*
#4 - Cláudio Rodrigues

Livros:
#1 - ana fernandes*
#2 - olga dias
#3 - patrícia fernando *
#4 - brigida machado
#5 - maria figo*
#6 - frederico fernandes*
#7 - rita balixa
#8 - daniela (reutilizar1)
#9 - maria pereira
#10 - gil raro
#11 - maria silva
#12 - marta da silva




Sim, é verdade, estou a dar coisas! Mais especificamente, 12 exemplares do livro Ferramentas de Marcenaria e Carpintaria e 4 posters do mesmo tema, que já são um clássico por aqui e um must-have para quem tem interesse pelo tema.

Como já sabem, a edição deste livro é sempre feita em pequenas quantidades. A principal razão é porque me permite ir fazendo alterações no livro, mantendo-o actualizado e evitando possíveis desperdícios, enquanto utilizo papéis e técnicas de encadernação bem mais interessantes do que se o produzisse em grande escala. No entanto, há sempre alguns exemplares que, apesar de bem bonitos e com o mesmo conteúdo, não passam o controlo de qualidade por alguma razão. Geralmente por algum problema com a impressão ou pequenos danos que os tornam inviáveis para ser vendidos.

Recuso-me a deitá-los fora porque, salvo pequenos defeitos estéticos, são lindos à mesma e o conteúdo tem a mesma qualidade e legibilidade.

Portanto, vou oferecê-los! 

Se quiserem receber um, só têm de deixar um comentário aqui neste post, que este é um giveaway à maneira antiga, e subscrever a newsletter do Saber Fazer.
A subscrição na newsletter é obrigatória, se ainda não a subscreveram.

No dia 1 de Março faço um sorteio e anuncio quem ganhou.

Nota: comentários no facebook e instagram não são válidos!

 

De quando trouxemos a Teresa ao Norte para nos ensinar umas coisas sobre seda

As imagens deste vídeo já foram captadas em 2016, no dia da oficina que demos em Serralves. Nele, a Teresa Frade faz uma pequena demonstração do processo de extracção da seda dos casulos. As condições não foram as ideais, a começar pela água que teimava em não aquecer, até ao ruído de fundo que não nos deixa ouvir o sarilho a rodar e os dizeres da Teresa enquanto ela trabalha. Mas já tenho andamento suficiente para saber que registos destas pessoas se fazem quando podemos e nem sempre quando queremos, porque a oportunidade pode não voltar a surgir.
Além disso, é raro ter comigo alguém para filmar e neste dia tive a sorte de poder contar com o João para captar e editar o vídeo final, também.

No ano seguinte, em 2017, trouxemo-la novamente ao Norte. Desta vez foi no Museu da Indústria Têxtil da Bacia do Ave que tivemos a oportunidade de a ver fazer uma demonstração fiel do trabalho que realizou durante décadas, utilizando o seu próprio material e também de aprender a desenrolar casulos pessoalmente com ela.

/

The images in this video were captured back in 2016, in the day we brought Teresa Frade to teach a silk workshop in Serralves.
In the video, Teresa makes a short demonstration of her silk reeling process, which is the way it is done traditionally in Portugal. The conditions in which the video was made were not ideal. The water was not heating up properly and the background noise doesn't allow us to ear the swift turn and her sayings while she works. But still, I know that this kind of documents should be done when the opportunity arises. It's very rare that I have someone with me to film and this day I was lucky to have João to film and edit the final video, later.

The following year, in 2017, we brought her to the North again. This time it was in the Textile Industry Museum in Famalicão that we had the opportunity to see her work using her original equipment and the traditional fire. Those who came to the afternoon
workshop, also had the opportunity to learn to reel cocoons personally with her. 

teresa-frade-saber-fazer-1.jpg
teresa-frade-saber-fazer-5.jpg
teresa-frade-saber-fazer-3.jpg
teresa-frade-saber-fazer-10.jpg
teresa-frade-saber-fazer-9.jpg
teresa-frade-saber-fazer-11.jpg
teresa-frade-saber-fazer-6.jpg
teresa-frade-saber-fazer-12.jpg
teresa-frade-saber-fazer-15.jpg
teresa-frade-saber-fazer-26.jpg
teresa-frade-saber-fazer-21.jpg
teresa-frade-saber-fazer-28.jpg
teresa-frade-saber-fazer-29.jpg
teresa-frade-saber-fazer-18.jpg
teresa-frade-saber-fazer-19.jpg
teresa-frade-saber-fazer-23.jpg
Anatomia de uma capa de burel
capucha-burel-1.jpg
capucha-burel-2.jpg
capucha-burel-3.jpg
capucha-burel-7.jpg
capucha-burel-4.jpg
capucha-burel-10.jpg
capucha-burel-11.jpg
capucha-burel-6.jpg
capucha-burel-5.jpg

O assunto da capa de burel surgiu na oficina de tecelagem, enquanto o Fernando folheava a capa de amostras dele que contém alguns exemplos de tipologias tradicionais, portuguesas e não só.
É interessante olhar para uma peça destas do ponto de vista técnico que, apesar de ser tantas vezes ignorado, é muitas vezes o que mais condiciona o resultado final. O que fazemos não é sempre fruto do que se quis fazer, mas do que pôde fazer com os meios técnicos que tínhamos para atingir determinado fim, ou, como ouvi dizer no outro dia: o bom design prospera na adversidade.

Na oficina, falamos do burel do ponto de vista técnico da tecelagem, de como o tecido tem de ser uma sarja para que o processo de feltragem durante o apisoamento corra bem e o tecido fique bem fechado. A sarja, por ser uma estrutura com menos ligamentos que o tafetá, deixa os fios mais livres, o que auxilia a feltragem que ocorre durante o apisoamento.
Ao olharmos para a capa, percebemos que a estrutura do tecido não é uma sarja verdadeira, feita com 4 quadros, mas sim uma falsa sarja de 3 quadros. A capa diz-nos que a necessidade de tecer uma sarja é imperativa para se fazer um bom burel, mas também que como teares tradicionais de 4 quadros não abundam, resolveu-se o problema com um de 3.
A fiação também dita o sucesso do apisoamento ou não. Os fios para a teia eram fiados com mais torção, para resistirem às forças de tensão a que uma teia está sujeita, mas os da trama eram fiados com pouca torção, sem dúvida para manter as fibras soltas, o que ajuda na feltragem.

Esta capa chegou-me às mãos graças à Paula e ao Fernando. Eu já andava há alguns anos à procura de uma verdadeira capa de burel, que gostava de ter tanto por razões sentimentais como profissionais.
Esta é uma capa antiga, mas nova. Nunca foi usada. Foi feita há muito tempo para ser vendida.
O fio foi fiado à mão a partir de lã churra preta e o tecido também foi tecido à mão pela pessoa que a vendeu, da zona de Montalegre. Ainda me falta apurar em que pisão foi apisoado o tecido (provavelmente o de Sezelhe, de acordo com a Paula) e quem a talhou. 

Uma das coisas que sempre me fascinou nestas capas, e que nunca tinha conseguido ver com clareza até ter recebido esta, era precisamente o corte. É aparentemente simples e de uma geometria rigorosa, mas qualquer pessoa que experimentou uma capa destas vos dirá que mal a vestem, são automaticamente envolvidos por ela. Cai na perfeição, quer a usemos com capucha, só aos ombros, aberta para trás ou pousada só num ombro.  
A largura dos teares também era uma limitação, claro. Não seria possível tecer peça larga o suficiente para talharmos o corpo numa peça inteira. Então, esta própria geometria do corte, que é tão bonita, também resulta de uma limitação. Vemos as costuras voltadas para dentro, mas do lado exterior estão de tal forma pisadas que são quase invisíveis.

A Maria das Dores, que a fez, diz que se deve guardar num saco de estopa, por causa da traça, que não come a estopa para chegar à lã! É daquelas coisas que se torna óbvio depois de alguém nos dizer...

/

The topic of the Burel cape came about during the weaving workshop, while Fernando went through his textile sample book that contains some of the traditional portuguese weaving typologies.
It's interesting to look at a piece, that is so traditional in Portugal, from a technical point of view, which is so often overlooked. What we make isn't always the result of what we intended to make, but of the technical means we had to attain something, or as I heard the other day: good design thrives in adversity.

In the workshop, we talked about burel from a weaver's point of view, of how it needs to be woven as a twill so that the felting that occurs during the waulking process is effective.
But looking at the cape, we can see that this is not a regular twill woven with 4 shafts, but a 3 shaft
twill. This cape tells us that although weaving a twill is imperative, 4 shaft looms were not common around and a 3 shaft loom had to do. Most domestic looms had only 2 shafts.
How the yarn was spun also influenced if the waulking went well or not. The warp threads were spun with more twist, of course, to withstand the tension, but the weft yarn was
low twist so that the loose fibres would felt more easily as well.

I got this cape thanks to Paula and Fernando. A wonderful opportunity, since I had been looking for a real one for years, for both sentimental and professional reasons.
It's an old cape, but new, as it has never been worn. It was made long ago, when there were still waulking mills working, to be sold.
The yarn was spun from black churro wool and it was handwoven by the person who sold it, from Montalegre. I'm still not sure where it was felted and of who sewed it.

One of the things that has always fascinated me but that I never had the opportunity to see closely until I got this one, was how it is cut. It looks simple and very geometric, but anyone that has tried one on will tell you that the minute you put it on, it wraps you up beautifully. 

The width of the looms was a limitation as well. It was not possible to weave fabric wide enough to cut the cape from a single piece. So this beautiful geometry in the cut is also a result of this limitation. We can see the seams on the inside, but on the
outside they were pressed to be invisible.

Maria Martins, the lady that made it, says you should keep it in a thick linen
bag, because moths will not eat it to get to the wool cape. It sounds pretty obvious the minute someone tells you that...


 

Aprender a tecer com o Rei
oficina-tecelagem-fernando-rei-25.jpg
oficina-tecelagem-fernando-rei-11.jpg
oficina-tecelagem-fernando-rei-12.jpg
oficina-tecelagem-fernando-rei-13.jpg
oficina-tecelagem-fernando-rei-4.jpg
oficina-tecelagem-fernando-rei-5.jpg
oficina-tecelagem-fernando-rei-6.jpg
oficina-tecelagem-fernando-rei-14.jpg
oficina-tecelagem-fernando-rei-16.jpg
oficina-tecelagem-fernando-rei-15.jpg
oficina-tecelagem-fernando-rei-9.jpg
oficina-tecelagem-fernando-rei-10.jpg
oficina-tecelagem-fernando-rei-2.jpg
oficina-tecelagem-fernando-rei-18.jpg
oficina-tecelagem-fernando-rei-24.jpg
oficina-tecelagem-fernando-rei-23.jpg
oficina-tecelagem-fernando-rei-3.jpg
oficina-tecelagem-fernando-rei-1.jpg
oficina-tecelagem-fernando-rei-20.jpg
oficina-tecelagem-fernando-rei-21.jpg
oficina-tecelagem-fernando-rei-17.jpg

Fantástica e intensa! Foi assim a Oficina de Iniciação à Tecelagem com o Fernando Rei que tivemos no passado fim-de-semana de 13 e 14 de Janeiro. 
Ficam aqui algumas imagens para quem quer dar uma espreitadela ao que fizemos.
Nesta oficina estreamos o Manual de Iniciação à Tecelagem, resultante de um levantamento técnico que fiz com a Guida Fonseca já em 2016. Estes manuais que vos vou mostrando podem parecer apenas um pormenor, mas são na realidade fruto de muito trabalho e uma das coisas que tornam os momentos de aprendizagem do Saber Fazer realmente diferentes. 

A próxima edição da iniciação à Tecelagem com o Fernando vai ser no fim-de-semana de 17 e 18 de Março e as inscrições já estão abertas!

/

Fantastic and intense! That's how it was doing the introduction to weaving workshop with Fernando Rei on the 13th and 14th of January.
Here are some images of what we did.

The next weaving workshop with Fernando Rei is already scheduled to the 17 and 18th of March!

Amostras do que aí vem
Base de lã de Merina Branca com velo de Churra da Terra Quente / White Merino wool with Churra da Terra Quente fleece

Base de lã de Merina Branca com velo de Churra da Terra Quente / White Merino wool with Churra da Terra Quente fleece

Lã Bordaleira de Entre-Douro-e-Minho

Lã Bordaleira de Entre-Douro-e-Minho

ana-rita-albuquerque-feltro-rendilhado-2.jpg

Estas são algumas das amostras em que a Ana Rita anda a trabalhar para a oficina de Feltragem que virá cá orientar no próximo dia 24 de Fevereiro. Vamos trabalhar exclusivamente com diferentes lãs portuguesas para ficar a conhecer as suas características e comportamento durante o processo de feltragem, e explorar diferentes técnicas de modelação: pregas, rendilhados, laminados e trabalhar com velo em bruto também. 
Esta oficina vai ser uma estreia, já que a feltragem é o assunto que menos tenho explorado, mas sobre o qual tenho imensa curiosidade e no qual vejo muito potencial.
Quem conhece a Ana Rita já conhece a sua energia, bem como a capacidade de explorar diferentes técnicas e formas de expressão, por isso as expectativas para esta oficina são altas!

/

These are some of the samples Ana Rita has been working on for our upcoming Felting workshop. We'll be working exclusively with several types of portuguese wool to get to know their characteristics and behavior under the felting process, and also explore different modeling techniques.
This workshop is going to be a first, mostly because Felt has been the theme that I have explored the least, but one that I'm immensely curious about.
Those that know Ana Rita know her energy, as well her capacity to explore different techniques and forms of expression, so expectations are high for this workshop!