GUR, da ilustração para o tear

Dia de visitar a GUR para ir buscar a nossa nova peça cá para casa e ver ao vivo como é que a Célia se estava a dar com o seu novo tear Louet Jane, que tem estado a usar desde novembro do ano passado!

A GUR, fundada e desenvolvida pela Célia Esteves, é um projeto que se baseia num modelo de trabalho colaborativo, traduzindo e interpretando as ilustrações de diversos artistas para peças têxteis.
Apesar do nome "GUR" se traduzir literalmente para "tapete" (quando lido ao contrário), e destas peças poderem de facto ser usadas como tal, na sua maioria são colocadas na parede, como os objetos artísticos que são.
Não posso assim deixar de notar como o trabalho de interpretação da ilustração, da mão do artista para o meio têxtil pela mão da Célia, é similar ao que os especialistas em tapeçaria faziam quando traduziam pinturas em peças tecidas. Para cada peça, num trabalho colaborativo entre os diferentes artistas e a Célia, as ilustrações passam por um processo de análise e interpretação, sendo sujeitas às limitações do tear, mas também beneficiando com as possibilidades que este meio oferece. Trabalho que não se faz sem o conhecimento técnico específico do ofício, neste caso da tecelagem.
Ainda não é hoje que vou tentar explicar a diferença entre tecelagem e tapeçaria, nem porque é que apesar do tear que vemos aqui ser indiscutivelmente de tecelagem, a produção de objetos artísticos tais como os GUR situa este trabalho no âmbito da tapeçaria. Fica para a próxima.

Mas voltando ao que me levou à GUR, o Louet Jane! Foi há uns meses que a Célia decidiu fazer o upgrade para um Louet Jane, quando surgiu a necessidade de tecer umas centenas de GUR faces em tempo recorde para uma encomenda próxima do Natal.
Ao contrário das peças maiores da GUR, que são tecidas em colaboração com tecedeiras da zona de Viana do Castelo, estas peças mais pequenas são tecidas pela própria Célia, cá no Porto. Depois de algumas trocas de mensagens e chamadas, e de comparar diferentes modelos e marcas de teares, chegamos à conclusão de que a melhor opção para este tipo de peças, que são de pequena escala e vivem da manipulação da trama, mais do que uma produção sempre igual em grande velocidade, seria mesmo um tear de quadros com teclas, e não pedais. E que não seria necessário ir mais longe, em termos de investimento, do que um Louet Jane. Outra vantagem foi o reduzido tamanho deste tear, tornando possível tê-lo num pequeno espaço na loja da GUR, ou até em casa.

O Jane foi então posto intensamente à prova, tecendo num curto espaço de tempo mais de 200 GUR faces! Aprovado.
Da Célia ouvi como o novo tear não só aumentou a produtividade (rapidamente o investimento foi recuperado), como lhe devolveu o prazer de estar sentada a tecer, mesmo quando há encomendas e prazos para cumprir. No dia em que lá fui, tecia as peças para a parceria com a the campamento.

Por cá, nós gostamos de ouvir estes testemunhos, não só porque somos apologistas da renovação tecnológica no sector dos ofícios artesanais, mas porque também sabemos que a qualidade do equipamento afeta a possibilidade de renovação geracional no sector. Com isto quero dizer que sem equipamento que torne o trabalho mais eficiente, agradável e ergonómico, não se pode esperar uma entrada de pessoas mais jovens para assegurar a continuidade destas áreas.

O Louet Jane está na loja da GUR.

Tirela de algodão, a matéria-prima usada em muitas das peças da GUR.

Uma das peças que a Célia teceu enquanto lá estive, para a parceria com a the campamento.

A ilustração do Júlio Dolbeth e a peça à qual deu origem.

Mini-GURs das casas do Porto, criados pela Célia.

Esta peça criada em colaboração com o Bob Mollema foi a peça que escolhemos cá para casa (Inside Wilderness).

Esboços e esquemas dos mini-GUR das casas do Porto.

O pormenor da ilustração do Paul Loubet a partir do qual a Célia criou esta peça.

G-U-R.

O Xuxo, companhia da Célia na GUR e não só.

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