Posts tagged tecelagem
Aprender a tecer com o Rei
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Fantástica e intensa! Foi assim a Oficina de Iniciação à Tecelagem com o Fernando Rei que tivemos no passado fim-de-semana de 13 e 14 de Janeiro. 
Ficam aqui algumas imagens para quem quer dar uma espreitadela ao que fizemos.
Nesta oficina estreamos o Manual de Iniciação à Tecelagem, resultante de um levantamento técnico que fiz com a Guida Fonseca já em 2016. Estes manuais que vos vou mostrando podem parecer apenas um pormenor, mas são na realidade fruto de muito trabalho e uma das coisas que tornam os momentos de aprendizagem do Saber Fazer realmente diferentes. 

A próxima edição da iniciação à Tecelagem com o Fernando vai ser no fim-de-semana de 17 e 18 de Março e as inscrições já estão abertas!

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Fantastic and intense! That's how it was doing the introduction to weaving workshop with Fernando Rei on the 13th and 14th of January.
Here are some images of what we did.

The next weaving workshop with Fernando Rei is already scheduled to the 17 and 18th of March!

Em Vale de Gatos
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Uma ida a Évora em misto trabalho/passeio e demos um salto a Vale de Gatos para conhecer o espaço da Isabel e do Carlos. Quis o destino que a Isabel tivesse de viajar uns dias antes de lá irmos, mas recebeu-nos o Carlos, que me deixou fotografar o atelier mesmo sem a dona presente.
Todo o espaço é lindo, mas o luminoso atelier, concebido pelo Carlos no ponto de união entre as duas antigas casas que foram renovadas quando ambos se mudaram para lá, povoado de teares, rodas de fiar, respectiva parafernália e livros, é um sonho para qualquer amantes das fibras têxteis.
Cá fora, entre outros animais, podemos ainda encontrar um pequeno rebanho de ovelhas de raça Campaniça (os exemplares brancos estão registados no Livro Genealógico da raça), cuja lã a Isabel vai trabalhando todos os anos e que eu também já tive a possibilidade de experimentar várias vezes. A lã Campaniça, na minha opinião, é uma das mais interessantes das lãs portuguesas, mas esta conversa fica para outra altura.
Rodas e teares lá dentro, ovelhas cá fora: algo a que aspirar no futuro.

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A trip to Évora in a mix of work/pleasure and a quick visit to Vale de Gatos to finally get to know Isabel and Carlos's place. Unexpected news made Isabel travel a little sooner than expected, but Carlos was there to show us around and allow me to photograph the atelier.
The house is beautiful in its whole, but the luminous atelier, designed by Carlos as the connection between the two old houses that were renovated when the couple moved there 20 years ago, filled with looms, spinning wheels, related paraphernalia and books, is the dream of any of us fiber lovers.
Outside, among other animals, they have a small flock of Campaniça sheep, one of the rarest portuguese heritage breeds, that produces one of the most interesting portuguese wools, in my opinion. The white sheep are purebreds and officially registered by the breed association. Isabel works with this wool every year and I have had the chance to try it several times, as well.
Looms and spinning wheels inside, sheep outside. Something to aim for in the future.

Aprender

A parte boa do meu trabalho é ter direito a momentos únicos de aprendizagem, como estes dias passados no início de Agosto a fazer uma iniciação intensiva à tecelagem com a Guida Fonseca.
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The really good part of my job is to have access to unique learning opportunities, like these past days in the beginning of August doing a crash course on weaving with Guida Fonseca.

Uma questão de perspectiva

"I eventually broach the ‘craft’ question and see how Daniel sees himself in the context of London’s east end burgeoning of cottage/barge/spare room business. He stops me mid flow and firmly tells me what he does is anti craft, the perception I am given is he views himself as a neo-industrialist, he expresses his anger of those who seem to view what he does as a novelty which has no real context in the world of manufacturing. He puts it perfectly in summary himself;  “It’s the difference between careless mass production and considered mass production.” Then when you look at the end product you can really understand what he is on about. By working on such a smaller scale Daniel is able to produce not just an incredible final product with his attention to detail but also a wide range. It’s not just fashion companies that come calling; his size allows him to produce for private clients looking for their own custom tweed. Daniel launches into a tangent containing speech about the joy of working with such a variety of fantastic designers from all different backgrounds- big boys such as Ralph Lauren work with him and local celebrated designers such as S.E.H. Kelly."

- The Holborn Mag : 
LONDON CLOTH COMPANY: DANIEL HARRIS & LONDON’S FIRST MICRO-MILL

Já escrevi sobre o caso do Daniel Harris antes, em 2012, mas é um caso que apetece revisitar porque entretanto o trabalho dele já cresceu e consolidou-se, e é agora um exemplo comprovado do que quis mostrar na altura.

Neste caso, um homem sozinho passa meses a recolher teares e outras máquinas relacionadas para montar uma pequena fábrica que consiga operar com imensa qualidade e rentabilidade. Depois parte para montar um negócio de produção têxtil baseado nestes princípios, focado em abastecer um público que procura produtos de grande valor acrescentado, produzidos localmente e de forma ética. Pelo caminho ainda consegue ir a outros países desenvolvidos para ajudar a colocar maquinaria semelhante em funcionamento, de forma a criar outras micro-tecelagens baseadas nos mesmos princípios.

Instituto Monsenhor Airosa - Braga, Portugal / Março 2011

Instituto Monsenhor Airosa - Braga, Portugal / Março 2011

Instituto Monsenhor Airosa - Braga, Portugal / Março 2011

Instituto Monsenhor Airosa - Braga, Portugal / Março 2011

Instituto Monsenhor Airosa - Braga, Portugal / Março 2011

Instituto Monsenhor Airosa - Braga, Portugal / Março 2011

Instituto Monsenhor Airosa -   Braga, Portugal / Março 2011

Instituto Monsenhor Airosa - Braga, Portugal / Março 2011

Instituto Monsenhor Airosa   -   Braga, Portugal / Março 2011

Instituto Monsenhor Airosa Braga, Portugal / Março 2011

Por cá, maquinaria semelhante está parada no Instituto Monsenhor Airosa, que parou de laborar em 2012 (eu visitei-os em 2011). O conjunto inclui uns raros teares jacquard, que eram ainda mais raros quando ainda estavam em pleno funcionamento, há 5 anos atrás. Não sei o que a direcção do IMA planeia fazer com um espólio destes, mas sei que o equipamento é visto como tendo apenas valor "arqueológico-industrial", o que me parece excluir a possibilidade de o reactivar. 
À primeira vista esta tecnologia parece datada, mas na realidade não é bem assim. O avanço da indústria tornou-a aparentemente obsoleta durante umas décadas, mas acabou por colocá-la numa categoria intermédia, que não é bem artesanal nem bem industrial, mas que pode ser imensamente útil. Regra geral, permite produzir melhor e em menor quantidade, sendo rentável por ter um certo nível de automação, e permite que seja explorada por empresas pequenas ou até individuais.

Talvez colocar e manter este tipo de maquinaria em funcionamento não seja tarefa fácil nem barata, mas muito mais difícil e dispendioso que isso é, depois de enviar tudo para a sucata, reconstruir de raiz uma tecnologia que já tivemos e, talvez o mais difícil de tudo, recuperar o conhecimento que lhe estava associado.

Mas para ser justa, por cá já vejo os sinais de mudança quando sei de empresas que compram antigas fiações que estavam destinadas à sucata para poderem produzir em menor quantidade e com mais qualidade ou ouço profissionais da indústria a lamentarem de se terem desfeito de máquinas mais pequenas e especializadas que agora fazem falta. 


A matter of perspective


"I eventually broach the ‘craft’ question and see how Daniel sees himself in the context of London’s east end burgeoning of cottage/barge/spare room business. He stops me mid flow and firmly tells me what he does is anti craft, the perception I am given is he views himself as a neo-industrialist, he expresses his anger of those who seem to view what he does as a novelty which has no real context in the world of manufacturing. He puts it perfectly in summary himself;  “It’s the difference between careless mass production and considered mass production.” Then when you look at the end product you can really understand what he is on about. By working on such a smaller scale Daniel is able to produce not just an incredible final product with his attention to detail but also a wide range. It’s not just fashion companies that come calling; his size allows him to produce for private clients looking for their own custom tweed. Daniel launches into a tangent containing speech about the joy of working with such a variety of fantastic designers from all different backgrounds- big boys such as Ralph Lauren work with him and local celebrated designers such as S.E.H. Kelly."

- The Holborn Mag : LONDON CLOTH COMPANY: DANIEL HARRIS & LONDON’S FIRST MICRO-MILL

I have written about Daniel Harris case before, back in 2012, but it is something worthy of bringing back, as it is now an even better and more consolidated example of what I wanted to show at the time.
In this case, a man spends months gathering looms and other related machinery to set up a small mill that can operate in a smaller scale and with high quality.
He then creates his textile business based on those principles, focused on supplying clients that look for high quality products, made locally and ethically. On his way, he even manages to go to other developed countries and help set up similar machinery, so as to help create other small scale mills based on the same manufacturing principles.

Around here, similar machinery is standing still in Instituto Monsenhor Airosa, that stopped working somewhere around 2012 (I visited them in 2011). The mill includes rare punched cards jacquard looms, that were even more rare when they were fully working 5 years ago.
I don’t know what IMA’s management is planning to do with all this, but I know that the equipment is viewed as being of “archeological-industrial” value only, which seems to exclude the possibility of bringing it back to activity.

At first sight, this technology seems simply outdated, but that’s not quite right. The textile industry advances made it apparently obsolete for many decades, but in the end it placed it in this middle ground, that is not quite artisanal nor industrial, but that can be very useful. Generally speaking, it allows to manufacture better, less quantity, keeping it profitable because it can be automated, and it can be operated by very small companies and even individuals.
Maybe getting this type of machinery to work isn’t the easiest or cheapest thing to do, but more difficult and expensive than that may be, after sending everything to the junkyard, to rebuild from scratch a technology that we used to have and, the most difficult thing, to recover the knowledge associated with it.

To be fair, the signs of change are very visible when I know about companies that buy old spinning mills that were destined to be destroyed so that they can start their own small scale production or when I hear from industry professionals that are sorry for having discarded small and more specific machinery that they now need to fulfill their new type of clients demands.

Instituto Monsenhor Airosa
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Fiar e Tecer são duas actividades que exercem sobre mim um fascínio fantástico. Repare-se que [ainda] não sei fazer nenhuma das duas, mas quando vejo a fibra a transformar-se em fio, seguida do fio em tecido não consigo deixar de pensar que têm uma aura mística qualquer que me deixa hipnotizada.

Quando fotografei o Linhal, em Julho do ano passado, fiquei a saber que o linho lá produzido era enviado para ser tecido no Instituto Monsenhor Airosa, em Braga, sendo depois devolvido para serem confeccionados os trajes tradicionais do Grupo Folclórico da Corredoura. Tenho conhecimento de alguns artesãos que têm e trabalham com teares artesanais, mas ainda não tinha visitado nenhum local com uma estrutura destas. Os teares são mecânicos, mas funcionam num sistema misto entre o completamente automatizado e o completamente artesanal.

As tecedeiras já são poucas, não é de admirar, e para que as máquinas não enferrujem, a D.Isabel, tecedeira-mor, faz rodar os trabalhos cada quinze dias de modo a manter tudo funcional.

Trabalham com linho, principalmente, mas também com lã e algodão. Fazem trabalhos por iniciativa própria, para comercializar, mas também aceitam encomendas específicas de fora, e aí até trabalham com o fio que lhes for fornecido. Não ficou por expressar a dificuldade que têm tido para conseguir fornecimento de linho e algodão. O linho vem de Itália, porque se tornou impossível obtê-lo em Portugal há já muitos anos. O algodão está cada vez mais difícil de obter, não é difícil perceber porquê. A maior parte dos desenhos reproduzidos ainda são os originais criados pelo Monsenhor Airosa, guardados desde sempre num dos armários do centro, e traduzidos para serem tecidos através dos cartões perfurados, em linguagem de zeros e uns.

Nisto tudo, para mim, a D.Isabel é a personagem-chave que faz tudo funcionar como deve ser. Faz exactamente hoje, dia 17 de Março, 54 anos que lá entrou com 15 anos apenas, e desde então que vive no meio dos teares. Estive com ela 3 horas e fiquei a desejar que a tecnologia chegasse ao ponto em que fosse possível transferir integralmente a informação contida no cérebro desta mulher. Acho admirável, já que eu fico baralhada só de olhar para o emaranhado de fios que sobe e desce para fazer o trabalho todo.

Spinning and Weaving are two things that have this mesmerizing power over me. I don’t know how to do any of the two, yet, but when I see the fiber turning into yarn, and then the yarn into fabric I can’t help thinking that there’s a mystical aura about it that hypnotizes me.

When I photographed the Linen process, last July, I was told that their linen was sent to the Instituto Monsenhor Airosa, in Braga, to be woven into fabric that then would be sent be back to make the typical clothes of the Folclorical Group. I know of a few artisans that have artisanal looms, but I had never visited a place with a structure like this. Their looms are mechanic, but they work in between the completely automatized and completely handweaved.

There only a few women weavers, not a surprise, and to prevent the looms from rusting, Miss Isabel rotates the work every two weeks in order to keep the machines working.

They work mainly with linen, but also with cotton and wool. They work on their own, but also accept orders from the outside and even work with whatever yarn is supplied. The difficulty of finding a steady supply of linen and cotton was obvious. The linen comes from Italy, since it became impossible to find in Portugal many years ago, and they are struggling to buy cotton and it’s not hard to know why. Most of the patterns were designed by Monsenhor Airosa, kept in paper and translated to the looms in a language of zeros and ones using these punched cardboards.

In the middle of all this, the most relevant character would be Miss Isabel. Today, 17th of March, it’s the 54th birthday of her coming to this institution, at the age of fifteen, and she’s been living amidst the looms ever since. I spent only three hours with her and came home wishing that technology was advanced to a point that allowed me to download all the information in this woman’s brain. Along with the weaving, these women are also responsible for maintaining and repairing the looms and other machines. Set in a corner, they have all the tools and parts necessary to repair anything right there. If a mechanic is necessary to work on something heavier, he still needs miss Isabel to run the operation and make sure that everything gets assembled correctly. For me this is admirable, considering that I get confused just by looking at the tangled threads that go up and down to do all the work, let alone assembling them.

 

Instituto Monsenhor Airosa
Rua Monsenhor Airosa
4704-537 Braga - Portugal
+351 253 204 150
geral@artesanato-airosa.pt 
www.artesanato-airosa.pt