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Um pequeno glossário da lã
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Ajuntador: intermediário no processo de comercialização da lã, que recolhe e concentra a lã tosquiada junto dos produtores de ovinos para a vender a empresas que a processam industrialmente.

Apartação: processo de separação do velo nas lãs de diferentes qualidades que o compõem.

Bordaleiro: tipo de ovino que produz tipicamente lãs com características intermédias entre as merinas e as churras.

Brava: expressão utilizada no Minho para as ovelhas da raça Churra que eram predominantes na região e que pastavam livremente pelos campos.

Capacidade de redução: relativo ao processo de feltragem e que se refere à capacidade de uma porção de lã diminuir de tamanho como consequência do processo de feltragem. A sua capacidade de redução está directamente relacionada com a sua capacidade de feltragem.

Cardação: Processo de preparação das fibras para a fiação ou feltragem que consiste em escovar a lã de forma a dispô-las de forma uniforme. A lã pode ser cardada manualmente, utilizando-se um par de cardas, ou mecanicamente numa cardadeira de tambor.

Cardas: escovas grandes de forma rectangular, forradas com um pano que possui dentes metálicos e que são utilizadas para cardar a lã. Costumam ser utilizadas aos pares.

Churro: tipo de ovino mais primitivo que produz tipicamente lãs compridas, grosseiras e escorridas. Este termo também é utilizado no sistema de Classificação das Lãs Nacionais para classificar as lãs grossas e compridas, formadas por diversos tipos de fibras, que não são consideradas próprias para vestuário no âmbito da produção industrial.

Classificação das Lãs Nacionais: sistema de classificação criado em 1946 pelo Dr.Mário Coelho Morais com o objectivo de avaliar qualitativamente as lãs produzidas em Portugal, com subordinação ao critério da utilização industrial. Esta classificação continua em vigor actualmente.

Contraste lanar: avaliação da qualidade e quantidade de lã produzida através de métodos cientificamente validados.

Cortes duplos: fibras duplamente cortadas como resultado de um repasse da máquina ou tesoura de tosquia, quando a primeira passagem não foi realizada bem rente à pele do animal. Estes repasses resultam em diminuição do comprimento das fibras obtidas e consequente perda de valor comercial.

Cruzado: termo utilizado no âmbito do sistema de Classificação das Lãs Nacionais e que se refere a “lãs de médio comprimento, variando entre 8 e 10cm, com bastante regularidade no comprimento das fibras, às vezes da mesma madeixa, e formadas por fêveras muito semelhantes, com ondulações bem acentuadas, embora irregulares na forma, no tamanho e na direcção, dando origem àquele aspecto a que se chama grão cruzado”. As lãs ou os velos de tipo cruzado correspondem, muitas vezes, às lãs produzidas pelas raças de tipo Bordaleiro.
 
Desbordagem: trabalho realizado logo após a tosquia durante o qual se removem as partes do velo que são de má qualidade ou se encontram contaminadas com o objectivo de assegurar o armazenamento do velo sem degradação da lã.

Dobadoira: dispositivo giratório de madeira que gira num plano horizontal e no qual se coloca a meada de fio para ser dobada em novelos.

Dobar: transformar a meada em novelo.

Efectivo da raça: número de animais registados em Livro Genealógico da raça e que compõem a sua população.

Elasticidade (da lã): capacidade que a fibra da lã tem de recuperar a sua forma inicial. A elasticidade é tanto maior quanto o número de ondulações presentes na fibra por unidade de comprimento.

Enrolamento do velo: forma de enrolar o velo após a tosquia e a desbordagem, com vista à sua correcta armazenagem, que consiste geralmente em fazer uma dobra em toda a altura de ambos os lados, juntando as abas ao centro, e enrolando o velo da zona do rabo para o pescoço, usando-se a lã desta zona ligeiramente torcida, como uma corda, para atar o velo e mantê-lo fechado.

Ensarilhar: transferir o fio do fuso ou da bobine da roda de fiar para uma meada.

Esgadelhar: processo que consiste em abrir a lã com os dedos para remover impurezas e facilitar a cardação.

Feltragem: processo de compactação e transformação das fibras soltas da lã num têxtil coeso por acção da fricção, temperatura e água. Este processo é irreversível.

Fiação: transformação das fibras soltas da lã em fio, através da aplicação de torção.

Fibras meduladas: fibras que apresentam o cortex medulado, o que afecta a elasticidade e a resistência. As lãs mais finas não possuem medula. As lãs mais espessas, lisas e pouco elásticas, bem como o pêlo e o pêlo morto, apresentam medula contínua ou intermitente.

Fio cardado: fio resultante da fiação da lã cujas fibras foram preparadas com recurso à cardação.

Fio penteado: fio resultante da fiação da lã cujas fibras foram preparadas com recurso à penteação.

Frisado: ondulado da fibra da lã que lhe dá elasticidade, resistência e capacidade de recuperar a sua forma inicial.

Fibra da Lã: fibra têxtil de origem animal caracterizada pela sua elasticidade e finura. Possui a sua superfície caracteristicamente coberta de escamas que se sobrepõem e as lãs mais finas não possuem medula, o que as torna mais resistentes e elásticas. É uma fibra higroscópica e resistente ao fogo.

Fuso: instrumento de madeira de forma cilíndrica que termina numa rosca na parte superior e que é utilizado para fiar fio.

Lã ludra: expressão local que se refere à lã suja, tal como foi tosquiada do animal.

Lanolina: gordura naturalmente presente na lã de ovelha.

Livro Genealógico: registo reconhecido pela Direcção Geral de Veterinária no qual se encontram inscritos reprodutores de raça pura de uma determinada raça. A inscrição de animais nos Livros Genealógico obedece sempre aos respectivos regulamentos e a ascendência dos animais é obrigatoriamente conhecida. O Livro Genealógico tem como objectivo assegurar a preservação genética de uma raça e auxiliar o seu progresso zootécnico, favorecendo a disseminação de bons reprodutores. 

Maçaroca: a lã acumulada no fuso durante a fase de fiação.

Madeixa: conjunto de mechas de lã.

Mainça: a rosca da parte superior do fuso.

Manelo: conjunto das duas pastas de lã cardada que resulta do processo de cardar e que é tradicionalmente colocado na roca para ser fiado.

Meada: porção de fio enrolado no sarilho.

Mecha: grupo de 6 a 13 fibras de lã agregadas quer por outras fibras mais finas, como pela própria lanolina.

Meirinha: expressão utilizada no Minho para definir ovelhas que são geralmente de tipo bordaleiro e produzem uma lã mais suave que as churras. 

Merino: tipo de ovino que produz lãs caracteristicamente finas, macias e elásticas. Este termo também é utilizado no sistema de Classificação das Lãs Nacionais para classificar as lãs de maior finura e qualidade, independentemente da raça do animal de origem. 

Mícron: unidade de medição habitualmente utilizada para indicar a espessura da fibra da lã. Um mícron corresponde à milésima parte do milímetro e é representado pelas letras μm.

Pasta: lã cardada pronta a fiar.

Pêlo: fibras de carácter intermédio entre a fibra da lã e o pêlo morto. Possuem geralmente uma medula intermitente, são mais espessos que a lã, mais longos que o pêlo morto e caem naturalmente.

Pêlo morto: fibras meduladas, rígidas, quebradiças e opacas encontradas em algumas lãs. Estas fibras indesejáveis costumam ser muito mais curtas que a lã envolvente, caem naturalmente e encontram-se frequentemente soltas no velo.

Penteação: Processo de preparação da lã para a fiação que nos permite não só alinhar as fibras, mas também separar as fibras mais curtas das mais longas. 

Programa de Melhoramento: programa desenvolvido com o objectivo de apurar a raça e melhorar o seu rendimento produtivo. Consiste geralmente na recolha e tratamento de informação produtiva e genealógica, com o objectivo de avaliar geneticamente o efetivo da raça em questão, tendo em vista o seu progresso genético e valorização.

Registo Zootécnico: registo dos animais constituintes de uma determinada raça e que tem como objectivo assegurar a sua preservação genética e progresso zootécnico. O registo zootécnico, que antecede a criação do Livro Genealógico, pode ou não dar a conhecer a ascendência dos animais e está em constante actualização.
 
Rendimento em lavado: relação entre o peso de uma lã em sujo e o peso da mesma lã lavada.

Roca: instrumento composto por um cabo central, de cerca de um metro de comprimento, encimado por peças de cana flexíveis dispostas em arco e presas em ambas as extremidades, que suporta a pasta ou manelo de lã que se pretende fiar.

Sarilho: dispositivo giratório de madeira com quatro braços dispostos em cruz, para o qual se transfere a lã do fuso ou da bobine, transformando-a em meadas. Ao contrário da dobadoira, o sarilho gira num plano vertical.

Sistema extensivo de criação: sistema de criação de animais caracterizado pelo máximo aproveitamento dos recursos naturais, com pouco investimento de capital e equipamentos, ocorrendo em extensões variáveis de terreno onde os ovinos pastoreiam o ano todo.

Sistema intensivo de criação: sistema de criação caracterizado pelo aproveitamento máximo das pastagens, do efectivo e dos seus produtos, com rotação de zonas de pastoreio e maior número de animais por área de terreno. Este sistema requer constante monitorização, mais equipamento e investimento em instalações. 

Suarda: substância gordurosa que envolve as fibras da lã e que resulta da mistura da lanolina com o suor das ovelhas.

Suinto: também designado de sugo ou suor, é a substância resultante da sudação da ovelha. Esta substância ajuda à aderência entre fibras e é o que mantém o velo inteiro.

Tosquia: remoção da lã da ovelha geralmente realizada por um tosquiador recorrendo a máquina ou tesoura.

Tochado: característica do velo relacionada com a densidade de fibras por centímetro quadrado, sendo tanto mais tochado quanto mais denso. Os velos de qualidade são, de forma geral, bem tochados, sendo difícil penetrar a mão e apertar as madeixas.

Torcer: juntar dois cabos que foram fiados separadamente, torcendo-os juntos num só fio;
Transumância: migração sazonal de rebanhos inteiros e dos seus pastores, para locais mais favoráveis ao pastoreio, habitualmente praticada em locais montanhosos.

Velo: lã que cobre o corpo do ovino, sendo a mesma designação dada à totalidade da lã que se obtém do animal após a tosquia.

Velo extenso: velo característico de algumas raças, em que praticamente todo o corpo da ovelha está coberto, desde a cabeça até às patas.

Vezeira: prática ancestral de pastoreio revezado, cabendo a um só pastor a responsabilidade de guardar num dia o rebanho de toda a aldeia, passando no dia seguinte a vez a outro pastor e assim sucessivamente a todos os sócios da vezeira. Ocorria principalmente no norte do país e na Serra da Estrela.

de volta das lãs portuguesas

Hoje, um dia passado a separar amostras de velos em bruto de todas as raças de ovinos portugueses para uma pequena exposição a acontecer no final de Setembro. Tantas lãs diferentes num país tão pequeno!

P.S.: Obrigada, Catarina e Rita, pela ajuda indispensável!
 


Today, a day spent organizing samples from raw fleeces from all our local sheep breeds, for a small exhibition that will happen in late September. So many different wools for such a small country!

P.S.: Thank you Catarina and Rita for your wonderful help!

[wip] Lãs Portuguesas - um guia prático
Amostras organizadas e embaladas das 15 raças de ovinos autóctones, prontas para serem fotografadas; /  Organized and packed samples of wool from our 15 sheep breeds, ready for the photoshoot;

Amostras organizadas e embaladas das 15 raças de ovinos autóctones, prontas para serem fotografadas; / Organized and packed samples of wool from our 15 sheep breeds, ready for the photoshoot;

Para cada uma das raças organizamos amostras da lã em bruto e lavada (madeixas), fiada, tecida, tricotada, crochetada e ainda feltrada. Estas pertencem à raça Merina Preta, com três lindas das suas variações naturais de cor; /  For each breed we organized samples of their raw wool, but also washed, spun, woven, knitted, crocheted and felted. These belong the Black Merino breed, with three of their natural color variations;

Para cada uma das raças organizamos amostras da lã em bruto e lavada (madeixas), fiada, tecida, tricotada, crochetada e ainda feltrada. Estas pertencem à raça Merina Preta, com três lindas das suas variações naturais de cor; / For each breed we organized samples of their raw wool, but also washed, spun, woven, knitted, crocheted and felted. These belong the Black Merino breed, with three of their natural color variations;

Para algumas raças as amostras multiplicaram-se: a Mondegueira, embora não seja a única, possui um velo com duas camadas, uma exterior e outra interior com fibras de espessura e comprimento muito diferentes que podem ser trabalhadas separadamente; /  For some breeds, the samples got multiplied: the Mondegueira, although not the only one, is a double coated breed with an outercoat and an undercoat with very different fibers;

Para algumas raças as amostras multiplicaram-se: a Mondegueira, embora não seja a única, possui um velo com duas camadas, uma exterior e outra interior com fibras de espessura e comprimento muito diferentes que podem ser trabalhadas separadamente; / For some breeds, the samples got multiplied: the Mondegueira, although not the only one, is a double coated breed with an outercoat and an undercoat with very different fibers;

A maior parte das raças admite animais de outra cor que não branca no seu Livro Genealógico e para essas esforcei-me por reunir também amostras de algumas variações de cor que ocorrem naturalmente. Estas são apenas 6 das que a raça Churra Galega Mirandesa tem para oferecer; /  Most of our breeds standards accept animals with other colo  rs that not white. For those breeds I made an effort to also gather different colour samples. These are only 6 of the different colors that the Churra Galega Mirandesa has to offer;

A maior parte das raças admite animais de outra cor que não branca no seu Livro Genealógico e para essas esforcei-me por reunir também amostras de algumas variações de cor que ocorrem naturalmente. Estas são apenas 6 das que a raça Churra Galega Mirandesa tem para oferecer; / Most of our breeds standards accept animals with other colors that not white. For those breeds I made an effort to also gather different colour samples. These are only 6 of the different colors that the Churra Galega Mirandesa has to offer;

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"When you look back 6 months from today and don't feel embarassed by your naiveté, there's a problem."

     - Ryan Hoover, founder of Product Hunt in Founder Mantras

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Ora aqui está um problema que eu nunca tenho.
Se eu sabia que passar destes sacos de lã em bruto oriundos de todos os cantos deste país para uns micro-envelopes como estes ia dar tanto trabalho? Claro que não. Mas ainda bem que não sabia, senão tinha-me assustado e hoje ainda não teria nada disto feito.
Por isso, mais ingenuidade, menos ingenuidade, o trabalho está lançado.
Consegui reunir velos das 15 raças de ovinos autóctones portugueses, que entretanto se transformaram em 16 (olá Churra Galega Bragançana Preta), graças à ajuda dos secretários técnicos das Associações e contactos meus que me fizeram chegar todo o material ao Porto.
Com a indispensável ajuda da Isabel Cartaxo, da Guida Fonseca e da Diana Regal, produziram-se as amostras de lã que contemplam as madeixas em bruto e lavadas, mas também de fio, tecelagem, tricot, crochet e feltro - sem estas generosas senhoras, nada feito.
Reuni amostras da maior parte das variações de cor que cada uma produz segundo o padrão da raça, e ainda algumas mais que se espera virem a fazer parte da raça - descobrir depois do material todo reunido que afinal alguns dos velos pretos não são contemplados no padrão da raça e que me faltavam outros que afinal são, só veio tornar as coisas mais interessantes...
Reuni variações de lã de ovelhas aparentemente semelhantes, mas que produzem lãs diferentes e ainda por cima com várias camadas - Mondegueira, porque é que és tão complicada?
Reuni censos actualizados que me dizem exactamente como o reduzido tamanho dos efectivos de certas raças as colocam em risco de extinção e também informações que, apesar da diversidade que é característica das nossas raças, não deixam de ser muito úteis quando queremos ter uma ideia do tipo de lã que uma certa raça produz : espessuras e comprimentos médios das fibras de cada uma das raças, peso médio dos velos produzidos, rendimentos em lavado. 
Descobri a quanto tem sido vendida a lã em bruto de cada uma das raças e como esse valor varia de acordo com coisas muito subjectivas - este tópico dá pano para mangas.
E, acima de tudo, neste momento já consigo perceber o contexto em que cada uma se insere, como evoluiu num passado recente e como esse historial a levou à situação em que se encontra agora, seja essa situação de declínio ou expansão. 
Agora só falta terminar. É como correr a maratona. Os quilómetros finais são os mais difíceis.


[wip] Portuguese Wools - a practical guide

"When you look back 6 months from today and don't feel embarassed by your naiveté, there's a problem."

     - Ryan Hoover, founder of Product Hunt in Founder Mantras

Well, There's a problem that I just never have...    
Did I know that transforming bags of raw wool from every corner of our country into teeny-tiny envelopes like these would be so much work? Of course not. And I'm glad I didn’t, otherwise I would have chickened out.
So, more or less naiveté, the work has begun.
In the past months, I managed to collect fleeces from all the 15 breeds of portuguese sheep that, in the meanwhile, have become 16 ( hello, Black Churra Galega Bragançana!), thanks to the help of the technical secretaries of each breed association and some of my contacts that sent all the material to Porto.
With the enormous help from Isabel Cartaxo, Guida Fonseca and Diana Regal, all the samples were produced, including raw and washed locks, but also yarn and woven, knitted, crocheted and felted samples . Without this generous help, nothing of this would have been possible.     
I collected samples from almost all color variations that each breed produces according to the breed standards and some more that are expected to be a part of the standard - finding out after gathering all the material that some of the black fleeces are not included in the breed standards and that I missed some that actually are, just made things way more interesting…
I gathered variations of sheep wool which may seem similar at first, but that have different wools and also multiple layers - oh, Mondegueira, why are you so complicated?
I gathered updated census that show why some breeds are considered to be in risk of extinction and also technical information that, in spite of diversity which is characteristic in our breeds, is extremely useful if we want to have and idea about the kind of wool each one produces: average thickness and length of fiber, average fleece weight and yield.
By now,  I know how much the raw wool from each breed is being sold for and how this value changes according to very subjective things - I could go on forever about this.
And, above all, I finally have a good feel of the context each one is into, how it evolved in the recent past and how this background has led to the situation they are currently in, being that of decay or of expansion.

All I have to do is finish it. It’s like running a marathon. The last miles are always the hardest ones.

 

Entretanto: raças ovinas nacionais.

Enquanto não termino a maratona que está a ser o trabalho sobre as lãs produzidas pelas nossas raças autóctones, aqui fica um videozinho sobre as raças ovinas nacionais.
Imagino que já esteja um pouco desactualizado, quanto mais não seja porque já temos oficializadas mais umas quantas raças do que aquelas mencionadas, mas não deixa de ser interessante.

(via Ovinos Mirandeses)


While I don't finish the marathon that this small study about the wool from portuguese sheep breeds as turned into, here's a little video on the subject.
I'm sure this is a bit outdated by now, mainly because a few more breeds have been made official since then, but it's still very interesting.
In Portuguese only, but you can look at the pretty pictures.

(via Ovinos Mirandeses)

As primeiras experiências
Imagens: Guida Fonseca;

Imagens: Guida Fonseca;

Mesmo estando soterrada em trabalho e sem tempo para escrever todos os posts que tenho para escrever, não quis de deixar de partilhar as primeiras experiências da Guida Fonseca com algumas das lãs descobertas através do processo de trabalho para o estudo comparativo das lãs produzidas pelas nossas raças autóctones, que estamos a desenvolver, na sua própria produção.
É que o objectivo é mesmo este: dar a conhecer a variedade das lãs que por cá temos para despertar diferentes interesses e ideias, principalmente a quem trabalha em pequena e média-escala, e tem capacidade criativa para revelar o potencial de cada uma.
Depois da produção das amostras, a Guida não resistiu a integrar diversas churras num trabalho que tinha em curso, e diz o seguinte:

"Mais uma etapa deste novo trabalho. A diversidade das nossas Churras surpreendeu-me ao longo do estudo das Lãs Portuguesas. Umas mais agrestes, outras mais suaves mas todas de forte "personalidade", convidaram-me a tecê-las assim mesmo, como são. Deixá-las respirar numa nova vida. Do Algarve ao Minho, estão cá todas. Foi um prazer conhecê-las!"


The first experiments

Although I'm buried in work and do not have the time to write all the posts I need to write, I had to come here and share Guida Fonseca's first experiments with some of the wools she discovered through our ongoing small Portuguese Wools study, in her own work.
This is exactly our goal: to show the variety of the wools we have in our country so that it rouses new ideas, especially coming from those who work on a small or middle size scale, and have the creative capacity to reveal the potential of each one.
After making the samples for the book, Guida couldn't help but using wool from several churra breeds, on an ongoing work of hers, and here are a few words from her:

"This is another step in this new work. I was surprised by the diversity in our Churra breeds, throughout our Portuguese Wool study. Some wilder, and some softer, but all with a strong personality, invited me to weave them just like they are. Allowing them to breathe a new life. From the Algarve all the way to Minho, they are all here. It was a pleasure getting to know them!"

Inventário
Imagem: Guida Fonseca /  Photo by Guida Fonseca

Imagem: Guida Fonseca / Photo by Guida Fonseca

A obcecada por informação organizada que há em mim está super-excitada com esta imagem que a Guida acabou de me enviar, com as amostras de todas as lãs portuguesas (mechas sujas e já lavadas), devidamente organizadas e identificadas.
Uma primeira vez para as lãs das nossas raças autóctones, certamente!
Em Viana do Alentejo, os trabalhos para este pequeno livro dedicado à comparação das lãs do nosso país, prosseguem.

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[15.07.2015 / Este post refere-se à investigação e actividades desenvolvidas no âmbito do programa Saber Fazer em Serralves ]


Inventory

The organizational freak in me is super-excited with this picture Guida just sent me, featuring all the samples from the portuguese wools, both of raw and washed locks, very well organized.
That's a first for portuguese wool, people!
In Viana do Alentejo, the work for our little book devoted to comparing all the wools produced in our country go on.


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[15.07.2015 / This post refers to the investigation and activities developed during the Saber Fazer em Serralves program]

 

Lã Portuguesa - as madeixas em bruto
la-portuguesa
la-portuguesa
Imagens: Guida Fonseca; /  Photos: Guida Fonseca;

Imagens: Guida Fonseca; / Photos: Guida Fonseca;

Entretanto, os trabalhos de processamento e análise das lãs portuguesas prosseguem nas mãos da Isabel e da Guida, já em Viana do Alentejo.
Por aqui, vou partilhando algumas imagens do trabalho em progresso que vou acompanhando à distância. Nas imagens, podem ver as primeiras amostras das madeixas de cada uma das raças de ovinos autóctones, ainda em bruto.
Acho que posso dizer que ficamos todas surpreendidas com a variedade de lã que um pequeno país como o nosso tem para oferecer.

Para algumas raças mostramos ainda só a madeixa em branco, já que normalmente é a cor mais comum, excepto para a raça Merina Preta que se distingue exactamente por ser uma raça exclusivamente de lã escura, mas temos intenção de mostrar as variações de cor existentes no final do trabalho.

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[06.07.2015 / Este post refere-se à investigação e actividades desenvolvidas no âmbito do programa Saber Fazer em Serralves ]


Portuguese Wool -  the locks


In the meantime, the processing and analysis of the portuguese wools keep going, down in Viana do Alentejo, in Guida's and Isabel's hands.

I'll be sharing with you some of the images that they are sending me of this work in progress. Here, you can see images of sample locks from each breed, still unclean.
We're actually quite amazed by the variety of wool our small country has to offer.

For some breeds we're showing you the locks only in the white color, since that's usually the most common, except for the Black Merino breed that is set apart precisely for being exclusively of dark wool sheep, but we intend to show all the color variations by the end of this work.

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[06.07.2015 / This post refers to the investigation and activities developed during the Saber Fazer em Serralves program]

Velos e mais velos de lã portuguesa
Algumas mechas de lã das Bordaleiras de Entre Douro e Minho cá de Serralves. /  A few locks from the Bordaleira Entre Douro e Minho sheep that live here in Serralves.

Algumas mechas de lã das Bordaleiras de Entre Douro e Minho cá de Serralves. / A few locks from the Bordaleira Entre Douro e Minho sheep that live here in Serralves.

A Isabel a segurar uma pequena amostra da Churra Badana. /  Isabel holding a small sample of the Churra Badana, one of the longwool breeds we have.

A Isabel a segurar uma pequena amostra da Churra Badana. / Isabel holding a small sample of the Churra Badana, one of the longwool breeds we have.

O velo da Churra Galega Mirandesa, que bem se destacou entre todas as outras churras que nos chegaram. /  The fleece from the Churra Galega Mirandesa breed, that stuck out from all the other churras we got.

O velo da Churra Galega Mirandesa, que bem se destacou entre todas as outras churras que nos chegaram. / The fleece from the Churra Galega Mirandesa breed, that stuck out from all the other churras we got.

As amostras de todas as lãs em bruto, já separadas e identificadas. /  The samples from the fleeces from all our national wools, properly separated and identified.


As amostras de todas as lãs em bruto, já separadas e identificadas. / The samples from the fleeces from all our national wools, properly separated and identified.

Deitamos mãos à obra e abrimos todas as embalagens que me tinham vindo a chegar durante semanas, para analisar e separar. Das Churras transmontanas às Algarvias, passando por diversas merinas, saloias e bordaleiras, foi um prazer ver e tocar em todas estas lãs nacionais pela primeira vez.
Os velos vinham em diferentes estados de armazenamento e limpeza, claro. Não nos podemos esquecer que a maior parte das nossas raças não têm como vocação principal a produção de lã e que, por isso, não é de estranhar que alguns velos nos cheguem incrivelmente sujos, com os duplos cortes típicos de uma tosquia mal feita ou mal enrolados. Por isso, grande parte do tempo foi gasto a fazer a desbordagem dos que vinham mais sujos, já que para a maior parte das raças pedi mais que um velo, e precisávamos de os voltar a armazenar de forma correcta para usar mais tarde.

Pudemos verificar que as churras conseguem ser bastante diferentes entre si, ficamos surpreendidas com a lã da Saloia (que nenhuma de nós havia ainda experimentado) e eu voltei a confirmar que a Bordaleira Entre Douro e Minho é completamente subestimada (o Martin já tinha comentado, após a nossa tosquia, que a achava uma lã bem interessante).

Do dia de trabalho resultaram mais de 15 embalagens, que contêm as amostras que seleccionámos para serem trabalhadas, devidamente separadas e identificadas.
Parte do trabalho vai prosseguir agora com a Guida Fonseca e a Isabel Cartaxo, em Viana do Alentejo, que vão trabalhar e analisar todas estas lãs pela primeira vez.

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[03.07.2015 / Este post refere-se à investigação e actividades desenvolvidas no âmbito do programa Saber Fazer em Serralves ]


Fleeces and more fleeces of portuguese wool


We started by opening all the packages that had been arriving for the last weeks, to analyse and separate all the wools. From the Trás-os-Montes Churras to the Algarve Churra, from the several merinos, the Saloias and Bordaleiras, it was a real pleasure to get to see and touch all these wools for the first time.
The fleeces arrived in very different conditions of dirtiness and storage, of course. We can't forget that most of sheep breeds in Portugal aren't raised for fiber purposes, and so it is perfectly normal that the fleeces arrive incredibly dirty, with second cuts from a bad shearing or not stored properly. So, a large portion of the time was spent skirting the fleeces, because I had asked for more than one fleece for each breed, and we needed to restore them properly for later use.

We could see how different our Churras are from each other, the wool from the Saloia surprised us (none of us had seen or touched Saloia before) and I confirmed, once again, that the wool from the Bordaleira entre Douro e Minho is underestimated (Martin had already mentioned, after the shearing, that he found this wool very interesting).

At the end of the day, we gathered more that 15 bags containing the samples selected to be processed.
Part of the work will now proceed in the hands of Guida Fonseca and Isabel Cartaxo, in Viana do Alentejo, where they will be processing, using and analysing these wools for the very first time.


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[03.07.2015 / This post refers to the investigation and activities developed during the Saber Fazer em Serralves program]