Posts tagged lã de tipo merino
Um pequeno glossário da lã
lã-mulheres-de-bucos.jpg

 

Ajuntador: intermediário no processo de comercialização da lã, que recolhe e concentra a lã tosquiada junto dos produtores de ovinos para a vender a empresas que a processam industrialmente.

Apartação: processo de separação do velo nas lãs de diferentes qualidades que o compõem.

Bordaleiro: tipo de ovino que produz tipicamente lãs com características intermédias entre as merinas e as churras.

Brava: expressão utilizada no Minho para as ovelhas da raça Churra que eram predominantes na região e que pastavam livremente pelos campos.

Capacidade de redução: relativo ao processo de feltragem e que se refere à capacidade de uma porção de lã diminuir de tamanho como consequência do processo de feltragem. A sua capacidade de redução está directamente relacionada com a sua capacidade de feltragem.

Cardação: Processo de preparação das fibras para a fiação ou feltragem que consiste em escovar a lã de forma a dispô-las de forma uniforme. A lã pode ser cardada manualmente, utilizando-se um par de cardas, ou mecanicamente numa cardadeira de tambor.

Cardas: escovas grandes de forma rectangular, forradas com um pano que possui dentes metálicos e que são utilizadas para cardar a lã. Costumam ser utilizadas aos pares.

Churro: tipo de ovino mais primitivo que produz tipicamente lãs compridas, grosseiras e escorridas. Este termo também é utilizado no sistema de Classificação das Lãs Nacionais para classificar as lãs grossas e compridas, formadas por diversos tipos de fibras, que não são consideradas próprias para vestuário no âmbito da produção industrial.

Classificação das Lãs Nacionais: sistema de classificação criado em 1946 pelo Dr.Mário Coelho Morais com o objectivo de avaliar qualitativamente as lãs produzidas em Portugal, com subordinação ao critério da utilização industrial. Esta classificação continua em vigor actualmente.

Contraste lanar: avaliação da qualidade e quantidade de lã produzida através de métodos cientificamente validados.

Cortes duplos: fibras duplamente cortadas como resultado de um repasse da máquina ou tesoura de tosquia, quando a primeira passagem não foi realizada bem rente à pele do animal. Estes repasses resultam em diminuição do comprimento das fibras obtidas e consequente perda de valor comercial.

Cruzado: termo utilizado no âmbito do sistema de Classificação das Lãs Nacionais e que se refere a “lãs de médio comprimento, variando entre 8 e 10cm, com bastante regularidade no comprimento das fibras, às vezes da mesma madeixa, e formadas por fêveras muito semelhantes, com ondulações bem acentuadas, embora irregulares na forma, no tamanho e na direcção, dando origem àquele aspecto a que se chama grão cruzado”. As lãs ou os velos de tipo cruzado correspondem, muitas vezes, às lãs produzidas pelas raças de tipo Bordaleiro.
 
Desbordagem: trabalho realizado logo após a tosquia durante o qual se removem as partes do velo que são de má qualidade ou se encontram contaminadas com o objectivo de assegurar o armazenamento do velo sem degradação da lã.

Dobadoira: dispositivo giratório de madeira que gira num plano horizontal e no qual se coloca a meada de fio para ser dobada em novelos.

Dobar: transformar a meada em novelo.

Efectivo da raça: número de animais registados em Livro Genealógico da raça e que compõem a sua população.

Elasticidade (da lã): capacidade que a fibra da lã tem de recuperar a sua forma inicial. A elasticidade é tanto maior quanto o número de ondulações presentes na fibra por unidade de comprimento.

Enrolamento do velo: forma de enrolar o velo após a tosquia e a desbordagem, com vista à sua correcta armazenagem, que consiste geralmente em fazer uma dobra em toda a altura de ambos os lados, juntando as abas ao centro, e enrolando o velo da zona do rabo para o pescoço, usando-se a lã desta zona ligeiramente torcida, como uma corda, para atar o velo e mantê-lo fechado.

Ensarilhar: transferir o fio do fuso ou da bobine da roda de fiar para uma meada.

Esgadelhar: processo que consiste em abrir a lã com os dedos para remover impurezas e facilitar a cardação.

Feltragem: processo de compactação e transformação das fibras soltas da lã num têxtil coeso por acção da fricção, temperatura e água. Este processo é irreversível.

Fiação: transformação das fibras soltas da lã em fio, através da aplicação de torção.

Fibras meduladas: fibras que apresentam o cortex medulado, o que afecta a elasticidade e a resistência. As lãs mais finas não possuem medula. As lãs mais espessas, lisas e pouco elásticas, bem como o pêlo e o pêlo morto, apresentam medula contínua ou intermitente.

Fio cardado: fio resultante da fiação da lã cujas fibras foram preparadas com recurso à cardação.

Fio penteado: fio resultante da fiação da lã cujas fibras foram preparadas com recurso à penteação.

Frisado: ondulado da fibra da lã que lhe dá elasticidade, resistência e capacidade de recuperar a sua forma inicial.

Fibra da Lã: fibra têxtil de origem animal caracterizada pela sua elasticidade e finura. Possui a sua superfície caracteristicamente coberta de escamas que se sobrepõem e as lãs mais finas não possuem medula, o que as torna mais resistentes e elásticas. É uma fibra higroscópica e resistente ao fogo.

Fuso: instrumento de madeira de forma cilíndrica que termina numa rosca na parte superior e que é utilizado para fiar fio.

Lã ludra: expressão local que se refere à lã suja, tal como foi tosquiada do animal.

Lanolina: gordura naturalmente presente na lã de ovelha.

Livro Genealógico: registo reconhecido pela Direcção Geral de Veterinária no qual se encontram inscritos reprodutores de raça pura de uma determinada raça. A inscrição de animais nos Livros Genealógico obedece sempre aos respectivos regulamentos e a ascendência dos animais é obrigatoriamente conhecida. O Livro Genealógico tem como objectivo assegurar a preservação genética de uma raça e auxiliar o seu progresso zootécnico, favorecendo a disseminação de bons reprodutores. 

Maçaroca: a lã acumulada no fuso durante a fase de fiação.

Madeixa: conjunto de mechas de lã.

Mainça: a rosca da parte superior do fuso.

Manelo: conjunto das duas pastas de lã cardada que resulta do processo de cardar e que é tradicionalmente colocado na roca para ser fiado.

Meada: porção de fio enrolado no sarilho.

Mecha: grupo de 6 a 13 fibras de lã agregadas quer por outras fibras mais finas, como pela própria lanolina.

Meirinha: expressão utilizada no Minho para definir ovelhas que são geralmente de tipo bordaleiro e produzem uma lã mais suave que as churras. 

Merino: tipo de ovino que produz lãs caracteristicamente finas, macias e elásticas. Este termo também é utilizado no sistema de Classificação das Lãs Nacionais para classificar as lãs de maior finura e qualidade, independentemente da raça do animal de origem. 

Mícron: unidade de medição habitualmente utilizada para indicar a espessura da fibra da lã. Um mícron corresponde à milésima parte do milímetro e é representado pelas letras μm.

Pasta: lã cardada pronta a fiar.

Pêlo: fibras de carácter intermédio entre a fibra da lã e o pêlo morto. Possuem geralmente uma medula intermitente, são mais espessos que a lã, mais longos que o pêlo morto e caem naturalmente.

Pêlo morto: fibras meduladas, rígidas, quebradiças e opacas encontradas em algumas lãs. Estas fibras indesejáveis costumam ser muito mais curtas que a lã envolvente, caem naturalmente e encontram-se frequentemente soltas no velo.

Penteação: Processo de preparação da lã para a fiação que nos permite não só alinhar as fibras, mas também separar as fibras mais curtas das mais longas. 

Programa de Melhoramento: programa desenvolvido com o objectivo de apurar a raça e melhorar o seu rendimento produtivo. Consiste geralmente na recolha e tratamento de informação produtiva e genealógica, com o objectivo de avaliar geneticamente o efetivo da raça em questão, tendo em vista o seu progresso genético e valorização.

Registo Zootécnico: registo dos animais constituintes de uma determinada raça e que tem como objectivo assegurar a sua preservação genética e progresso zootécnico. O registo zootécnico, que antecede a criação do Livro Genealógico, pode ou não dar a conhecer a ascendência dos animais e está em constante actualização.
 
Rendimento em lavado: relação entre o peso de uma lã em sujo e o peso da mesma lã lavada.

Roca: instrumento composto por um cabo central, de cerca de um metro de comprimento, encimado por peças de cana flexíveis dispostas em arco e presas em ambas as extremidades, que suporta a pasta ou manelo de lã que se pretende fiar.

Sarilho: dispositivo giratório de madeira com quatro braços dispostos em cruz, para o qual se transfere a lã do fuso ou da bobine, transformando-a em meadas. Ao contrário da dobadoira, o sarilho gira num plano vertical.

Sistema extensivo de criação: sistema de criação de animais caracterizado pelo máximo aproveitamento dos recursos naturais, com pouco investimento de capital e equipamentos, ocorrendo em extensões variáveis de terreno onde os ovinos pastoreiam o ano todo.

Sistema intensivo de criação: sistema de criação caracterizado pelo aproveitamento máximo das pastagens, do efectivo e dos seus produtos, com rotação de zonas de pastoreio e maior número de animais por área de terreno. Este sistema requer constante monitorização, mais equipamento e investimento em instalações. 

Suarda: substância gordurosa que envolve as fibras da lã e que resulta da mistura da lanolina com o suor das ovelhas.

Suinto: também designado de sugo ou suor, é a substância resultante da sudação da ovelha. Esta substância ajuda à aderência entre fibras e é o que mantém o velo inteiro.

Tosquia: remoção da lã da ovelha geralmente realizada por um tosquiador recorrendo a máquina ou tesoura.

Tochado: característica do velo relacionada com a densidade de fibras por centímetro quadrado, sendo tanto mais tochado quanto mais denso. Os velos de qualidade são, de forma geral, bem tochados, sendo difícil penetrar a mão e apertar as madeixas.

Torcer: juntar dois cabos que foram fiados separadamente, torcendo-os juntos num só fio;
Transumância: migração sazonal de rebanhos inteiros e dos seus pastores, para locais mais favoráveis ao pastoreio, habitualmente praticada em locais montanhosos.

Velo: lã que cobre o corpo do ovino, sendo a mesma designação dada à totalidade da lã que se obtém do animal após a tosquia.

Velo extenso: velo característico de algumas raças, em que praticamente todo o corpo da ovelha está coberto, desde a cabeça até às patas.

Vezeira: prática ancestral de pastoreio revezado, cabendo a um só pastor a responsabilidade de guardar num dia o rebanho de toda a aldeia, passando no dia seguinte a vez a outro pastor e assim sucessivamente a todos os sócios da vezeira. Ocorria principalmente no norte do país e na Serra da Estrela.

Entretanto: raças ovinas nacionais.

Enquanto não termino a maratona que está a ser o trabalho sobre as lãs produzidas pelas nossas raças autóctones, aqui fica um videozinho sobre as raças ovinas nacionais.
Imagino que já esteja um pouco desactualizado, quanto mais não seja porque já temos oficializadas mais umas quantas raças do que aquelas mencionadas, mas não deixa de ser interessante.

(via Ovinos Mirandeses)


While I don't finish the marathon that this small study about the wool from portuguese sheep breeds as turned into, here's a little video on the subject.
I'm sure this is a bit outdated by now, mainly because a few more breeds have been made official since then, but it's still very interesting.
In Portuguese only, but you can look at the pretty pictures.

(via Ovinos Mirandeses)

Ser Merino em Portugal
Imagem: Ancorme, via  Ruralbit ;

Imagem: Ancorme, via Ruralbit;

A confusão merina começou quando começamos a trabalhar sobre a análise comparativa das lãs portuguesas e termos que usávamos e ouvíamos frequentemente se misturaram com outros novos que fomos aprendendo. 
Merino, Merino Alentejano, Merina Branca, Merina Preta, Merina da Beira Baixa, merino extra, merino fino, merino médio e merino forte. O que significa cada um destes termos e qual é a relação entre eles?

Primeiro, interessa saber que a maior parte das ovelhas de tipo merino existentes no mundo não pertencem a uma única raça merino, mas sim a diversas raças locais que derivam do Merino 'original' (que se crê ter tido origem na Península Ibérica, mas há muitas opiniões e estudos com conclusões díspares), e que foram obtidas através de diversos cruzamentos. 
Uma raça é definida por um conjunto de animais com uma aparência, comportamento e certas características que os distinguem de outros animais e, por isso, apesar das ovelhas serem todas de tipo merino, tecnicamente pertencem a raças distintas. Como por exemplo, as Merino Dohne, as Merinolandschaf, as Rambouillet e muitas, muitas outras. Todas merino, mas raças diferentes.

Em Portugal, especificamente, temos três raças diferentes com a designação merina: a Merina Branca, a Merina Preta e a Merina da Beira Baixa.
Segundo o "Raças Autóctones Portuguesas", da DGAV, os ovinos da raça Merina Branca actuais são resultado de um apuramento genético efectuado com a mistura de merinos espanhóis e franceses (para serem maiores e mais rentáveis), efectuada no início do sec.XX por criadores e técnicos. É uma raça autóctone melhorada.
A raça Merina Preta pensa-se que será um descendente mais directo do Merino primitivo, que seria de origem pigmentada. E como não sofreu o melhoramento genético a que os Merinos Brancos foram sujeitos, são animais mais pequenos e rústicos. Só por isso, já têm características diferentes e são consideradas raças diferentes, apesar de, no que diz respeito à produção lanar, a única diferença registada ser a cor e o tamanho dos velos.
A Merina da Beira Baixa pensa-se que seja resultante do cruzamento do Merino Espanhol com uma raça autóctone portuguesa (há diversas teorias relativamente a qual, sendo que a maior parte se inclina para uma de tipo bordaleiro). Esta raça tem um efectivo maioritariamente branco, e é o que está descrito como sendo o padrão, que não admite animais de velo pigmentado, mas existem animais pretos que não podem ser inscritos no Livro Genealógico.
Portanto... a Merina Branca é constituída por animais brancos, mas podem existir alguns, mas muito raros, pretos. A Merina Preta tem um efectivo constituído por animais pretos que não são da mesma raça que as excepções pretas da Merina Branca. E a Merina da Beira Baixa é constituída por animais brancos e alguns, também raros, pretos, mas que nada têm a ver com os merinos brancos e os merinos pretos e que, oficialmente, nem pertencem à raça Merino da Beira Baixa.

Há ainda o termo "Merino Alentejano", que é amplamente usado por cá, mas que não é uma nenhuma raça específica, mas sim uma referência à lã proveniente das Merina Branca e Merina Preta que têm o seu solar em terras alentejanas. 

Confuso? Ainda não acabou.

Acontece que quando o Dr.Mário Morais Coelho criou o sistema de Classificação das Lãs Nacionais a ser usado pela indústria, utilizou o termo "merino" para nomear quatro das classes de lã com a espessura mais fina: as classes merino extra, merino fino, merino médio e merino forte. Mas esta classificação não tem nada que ver com as raças de onde vem a lã, apenas com a espessura das fibras.  
Ou seja, se a lã de uma ovelha Saloia, ou outra qualquer, corresponder ao diâmetro médio das fibras exigido por este Sistema de Classificação, é classificada como classe merino no âmbito da utilização industrial. 

Concluindo, dizer simplesmente "ovelha merino" não se traduz em nada especificamente, já que existem diversas raças de ovelhas de tipo merino, com características distintas. 
E em Portugal, o facto de usarmos o termo 'merino' em duas áreas diferentes (zootecnia vs indústria têxtil), para nos referirmos a duas coisas diferentes (raça vs classificação têxtil), causa confusão muito facilmente.

É isso.


Being Merino in Portugal

The merino confusion began with our work on portuguese wools, when terms we had been using for some time got mixed up with new terms we were learning.
Merino, Merino Alentejano, Merina Branca, Merina Preta, Merina da Beira Baixa, merino extra, merino fino, merino médio e merino forte. What do they mean, and how do they relate to each other?


The first thing that was important to make clear, is that most merino type sheep in the world today don't belong to a single merino breed, but to several local merino breeds that are derived from the "original merino", and that were obtained by being crossbred. So, although they are merino type, technically, they belong to different breeds. Like the Dohne Merino, the Merinolandschaf, the Rambouillet and many, many others. All merino, all different breeds.

Making the rest of the very long post short, in our country, the 'merino' designation is used for two different things, simultaneously, and that's where the confusion is born. 
First, we have three merino related breeds (Merina Branca, Merina Preta and Merina da Beira Baixa), and when we talk about wool from these sheep, we say it is 'merino wool', which is correct. But then, on our National Wools Classification system, the 4 classes that categorize the finer wools are named 'class merino', and the origin of the wool being categorized is indifferent. So, according to this system that was made with the textile industry in mind, any wool that has less that a certain fiber diameter is called 'class merino'. These classes were created only for the textile industry, and they relate with the english and french classifications systems - check the link, and you'll see the equivalences.
I don't believe, though, that a 'class merino' wool is understood, in the industry, as being 'merino' wool. But what I want to explain is that, in Portugal, using the same name, for two different things, causes a lot of confusion!

Inventário
Imagem: Guida Fonseca /  Photo by Guida Fonseca

Imagem: Guida Fonseca / Photo by Guida Fonseca

A obcecada por informação organizada que há em mim está super-excitada com esta imagem que a Guida acabou de me enviar, com as amostras de todas as lãs portuguesas (mechas sujas e já lavadas), devidamente organizadas e identificadas.
Uma primeira vez para as lãs das nossas raças autóctones, certamente!
Em Viana do Alentejo, os trabalhos para este pequeno livro dedicado à comparação das lãs do nosso país, prosseguem.

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[15.07.2015 / Este post refere-se à investigação e actividades desenvolvidas no âmbito do programa Saber Fazer em Serralves ]


Inventory

The organizational freak in me is super-excited with this picture Guida just sent me, featuring all the samples from the portuguese wools, both of raw and washed locks, very well organized.
That's a first for portuguese wool, people!
In Viana do Alentejo, the work for our little book devoted to comparing all the wools produced in our country go on.


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[15.07.2015 / This post refers to the investigation and activities developed during the Saber Fazer em Serralves program]

 

Lã Portuguesa - as madeixas em bruto
la-portuguesa
la-portuguesa
Imagens: Guida Fonseca; /  Photos: Guida Fonseca;

Imagens: Guida Fonseca; / Photos: Guida Fonseca;

Entretanto, os trabalhos de processamento e análise das lãs portuguesas prosseguem nas mãos da Isabel e da Guida, já em Viana do Alentejo.
Por aqui, vou partilhando algumas imagens do trabalho em progresso que vou acompanhando à distância. Nas imagens, podem ver as primeiras amostras das madeixas de cada uma das raças de ovinos autóctones, ainda em bruto.
Acho que posso dizer que ficamos todas surpreendidas com a variedade de lã que um pequeno país como o nosso tem para oferecer.

Para algumas raças mostramos ainda só a madeixa em branco, já que normalmente é a cor mais comum, excepto para a raça Merina Preta que se distingue exactamente por ser uma raça exclusivamente de lã escura, mas temos intenção de mostrar as variações de cor existentes no final do trabalho.

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[06.07.2015 / Este post refere-se à investigação e actividades desenvolvidas no âmbito do programa Saber Fazer em Serralves ]


Portuguese Wool -  the locks


In the meantime, the processing and analysis of the portuguese wools keep going, down in Viana do Alentejo, in Guida's and Isabel's hands.

I'll be sharing with you some of the images that they are sending me of this work in progress. Here, you can see images of sample locks from each breed, still unclean.
We're actually quite amazed by the variety of wool our small country has to offer.

For some breeds we're showing you the locks only in the white color, since that's usually the most common, except for the Black Merino breed that is set apart precisely for being exclusively of dark wool sheep, but we intend to show all the color variations by the end of this work.

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[06.07.2015 / This post refers to the investigation and activities developed during the Saber Fazer em Serralves program]

Velos e mais velos de lã portuguesa
Algumas mechas de lã das Bordaleiras de Entre Douro e Minho cá de Serralves. /  A few locks from the Bordaleira Entre Douro e Minho sheep that live here in Serralves.

Algumas mechas de lã das Bordaleiras de Entre Douro e Minho cá de Serralves. / A few locks from the Bordaleira Entre Douro e Minho sheep that live here in Serralves.

A Isabel a segurar uma pequena amostra da Churra Badana. /  Isabel holding a small sample of the Churra Badana, one of the longwool breeds we have.

A Isabel a segurar uma pequena amostra da Churra Badana. / Isabel holding a small sample of the Churra Badana, one of the longwool breeds we have.

O velo da Churra Galega Mirandesa, que bem se destacou entre todas as outras churras que nos chegaram. /  The fleece from the Churra Galega Mirandesa breed, that stuck out from all the other churras we got.

O velo da Churra Galega Mirandesa, que bem se destacou entre todas as outras churras que nos chegaram. / The fleece from the Churra Galega Mirandesa breed, that stuck out from all the other churras we got.

As amostras de todas as lãs em bruto, já separadas e identificadas. /  The samples from the fleeces from all our national wools, properly separated and identified.


As amostras de todas as lãs em bruto, já separadas e identificadas. / The samples from the fleeces from all our national wools, properly separated and identified.

Deitamos mãos à obra e abrimos todas as embalagens que me tinham vindo a chegar durante semanas, para analisar e separar. Das Churras transmontanas às Algarvias, passando por diversas merinas, saloias e bordaleiras, foi um prazer ver e tocar em todas estas lãs nacionais pela primeira vez.
Os velos vinham em diferentes estados de armazenamento e limpeza, claro. Não nos podemos esquecer que a maior parte das nossas raças não têm como vocação principal a produção de lã e que, por isso, não é de estranhar que alguns velos nos cheguem incrivelmente sujos, com os duplos cortes típicos de uma tosquia mal feita ou mal enrolados. Por isso, grande parte do tempo foi gasto a fazer a desbordagem dos que vinham mais sujos, já que para a maior parte das raças pedi mais que um velo, e precisávamos de os voltar a armazenar de forma correcta para usar mais tarde.

Pudemos verificar que as churras conseguem ser bastante diferentes entre si, ficamos surpreendidas com a lã da Saloia (que nenhuma de nós havia ainda experimentado) e eu voltei a confirmar que a Bordaleira Entre Douro e Minho é completamente subestimada (o Martin já tinha comentado, após a nossa tosquia, que a achava uma lã bem interessante).

Do dia de trabalho resultaram mais de 15 embalagens, que contêm as amostras que seleccionámos para serem trabalhadas, devidamente separadas e identificadas.
Parte do trabalho vai prosseguir agora com a Guida Fonseca e a Isabel Cartaxo, em Viana do Alentejo, que vão trabalhar e analisar todas estas lãs pela primeira vez.

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[03.07.2015 / Este post refere-se à investigação e actividades desenvolvidas no âmbito do programa Saber Fazer em Serralves ]


Fleeces and more fleeces of portuguese wool


We started by opening all the packages that had been arriving for the last weeks, to analyse and separate all the wools. From the Trás-os-Montes Churras to the Algarve Churra, from the several merinos, the Saloias and Bordaleiras, it was a real pleasure to get to see and touch all these wools for the first time.
The fleeces arrived in very different conditions of dirtiness and storage, of course. We can't forget that most of sheep breeds in Portugal aren't raised for fiber purposes, and so it is perfectly normal that the fleeces arrive incredibly dirty, with second cuts from a bad shearing or not stored properly. So, a large portion of the time was spent skirting the fleeces, because I had asked for more than one fleece for each breed, and we needed to restore them properly for later use.

We could see how different our Churras are from each other, the wool from the Saloia surprised us (none of us had seen or touched Saloia before) and I confirmed, once again, that the wool from the Bordaleira entre Douro e Minho is underestimated (Martin had already mentioned, after the shearing, that he found this wool very interesting).

At the end of the day, we gathered more that 15 bags containing the samples selected to be processed.
Part of the work will now proceed in the hands of Guida Fonseca and Isabel Cartaxo, in Viana do Alentejo, where they will be processing, using and analysing these wools for the very first time.


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[03.07.2015 / This post refers to the investigation and activities developed during the Saber Fazer em Serralves program]

As lãs portuguesas de norte a sul

Estes são apenas alguns dos embrulhos que têm chegado a Serralves, de todo o país, com as lãs de todas as nossas raças autóctones.
Desde final de Abril que andamos a fazer contactos com associações e produtores para conseguirmos ter este material todo reunido e dar início ao que, a par do desenvolvimento dos ciclos de três fibras têxteis, também propus que fosse feito neste ano de 2015, a propósito do Saber Fazer em Serralves: uma publicação que se dedicasse a analisar e comparar as lãs produzidas pelas nossas raças autóctones.

Os velos que recebemos destinam-se a ser parcialmente processados para produzirmos as amostras que vão dar origem a este livro, que deve ficar disponível pelo final deste ano.
O objectivo é tão simples como este: produzir um documento que permita a alguém que trabalhe a lã numa escala mais pequena, ou que tenha um simples interesse pelo tema, conhecer as características básicas da produção lanar das nossas raças nacionais.
Estamos a falar de aliar dados mais técnicos, como o rendimento lanar, a espessura e comprimento médios das fibras produzidas pela raça, que geralmente já existem fruto de estudos zootécnicos, a questões ligadas ao processamento têxtil em pequena escala que, em Portugal, nunca são abordadas com o rigor que merecem. Por exemplo, perceber quais são as características naturais da lã que encontramos em cada raça, as variações que existem, o tipo de preparação mais adequado para essa fibra, ou que resultados obtemos quando as utilizamos para diferentes fins.
Um documento que, raça a raça, nos diga claramente o que temos por cá e que nos dê uma ideia do seu potencial.

Admito que estou bastante contente por termos conseguido reunir todas as lãs nacionais num só local, e também por ter a oportunidade de as conhecer em primeira mão, juntamente com as pessoas a quem pedi para me ajudar na tarefa de produzir a informação para este caderno.

Quando falo sobre este trabalho com alguém que esteja interessado no tema, recebo imediatamente a seguinte pergunta: "Mas então quantas raças autóctones temos?".
A resposta é: dezasseis, que são as seguintes, para quem desse lado tem a mesma dúvida:

- Bordaleira de Entre Douro e Minho (Minho);
- Campaniça (Baixo Alentejo e Algarve);
- Churra Algarvia (Algarve);
- Churra Badana (Trás-os-Montes - Terra Quente);
- Churra da Terra Quente (Trás-os-Montes / Terra Quente);
- Churra do Campo (Raia da Beira Baixa);
- Churra do Minho (Minho);
- Churra Galega Mirandesa (Trás-os-Montes / Planalto Mirandês);
- Churra Galega Bragançana Branca (Trás-os-Montes / Terra Fria Transmontana);
- Churra Galega Bragançana Preta* (Trás-os-Montes / Terra Fria Transmontana);
- Merino da Beira Baixa (Beira Baixa);
- Merina Branca (da Estremadura ao Algarve);
- Merina Preta (Beira Interior e Alentejo);
- Mondegueira (Norte do Alto Mondego) ;
- Saloia (Zona rústica de Lisboa, Setúbal);
- Serra da Estrela (zona da bacia do rio Mondego);

*declarada oficialmente em Julho de 2015;

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[Este post refere-se à investigação e actividades desenvolvidas no âmbito do programa Saber Fazer em Serralves ]


All the Portuguese Wools

These are only a few of the packages that have been arriving to Serralves, from all over the country, filled with raw wool from all our sheep breeds.
Since late April that we have been working hard at making the necessary contacts to be able to have all this material gathered, and start what, along with the development of the three textile fiber cycles, I also proposed to do this year for the Saber Fazer em Serralves program: a
 little book dedicated to analyzing and comparing all the wools produced by our local sheep breeds.

The fleeces we received are destined to be partially processed to make the samples that will be part of this book, expected to be ready by he end of this year.
The goal is as simple as creating information for those that work with wool in a smaller scale, or that simply want to know more about it, and want to know the fundamental characteristics related to fiber, from each breed.
We’re talking about more technical facts, like fiber length and thickness, but also facts related to small scale fiber processing that, in Portugal, are never subject of much rigour. For example, understanding the natural characteristics of the wool locks, the variations within the breed, the most adequate preparation for each type of fiber or what the best final uses may be.
Something that can clearly show what we have in our country and their potential.

I have to admit I'm quite happy to have succeeded in gathering all the different fleeces in one place and for having the opportunity to getting to know them first hand, along with the people I invited to help me produce the information and samples for this little study.

When I talk with someone that is interested in the subject about this work, I always get the following question: “So, how many sheep breeds are they in Portugal, after all?”. The answer is: fifteen, which are as follow, for you out there that also doesn't know about them:

- Bordaleira de Entre Douro e Minho;
- Campaniça;
- Churra Algarvia;
- Churra Badana;
- Churra da Terra Quente;
- Churra do Campo;
- Churra do Minho;
- Churra Galega Mirandesa;
- Churra Galega Bragançana;
- Merino da Beira Baixa;
- Merina Branca;
- Merina Preta;
- Mondegueira;
- Saloia;
- Serra da Estrela;

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[This post refers to the investigation and activities developed during the Saber Fazer em Serralves program]