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Churras. Bordaleiras. Merinas.

As 16 raças autóctones portuguesas de ovinos podem ser fundamentalmente agrupadas em três grandes grupos, que estão directamente relacionados com o tipo de lãs que produzem: Churras, Bordaleiras ou Merinas. Conhecer as características básicas das lãs produzidas por estes três grupos é uma forma muito eficaz de se ter uma ideia genérica do que uma determinada raça produz, apesar das grandes variações que podem surgir por influência de diversos factores.
A maior parte dos ovinos que por cá andam não estarão registados em Livro Genealógico (esta questão da raça e do seu significado é material para outro post), o que quer dizer que muitos ovinos não pertencem oficialmente a uma raça específica, mas a não ser que se trate de um animal de uma raça exótica, a lã que produz encaixar-se-á quase de certeza numa destas 3 tipologias.

 

CHURRAS

Podemos encontrar ovinos de tipo Churro de Trás-os-Montes ao Algarve, principalmente no interior do país. É a este grupo que pertencem 9 das 16 raças de ovinos. Neste grupo encontramos as lãs mais longas, as mais espessas, as mais rebeldes e as mais desafiantes.
As lãs churras, além de relativamente longas e espessas, são pouco homogéneas: as suas madeixas são caracteristicamente formadas por fibras distintas misturadas, em diversos graus consoante a raça e até o animal em questão (se há coisa que temos no grupo Churro é variedade!). As fibras longas costumam ser mais grossas, lisas e baças. As mais curtas, que costumam estar emaranhadas na base da madeixa, já são um pouco mais finas, macias, gordurosas e com ondulações irregulares. Esta mistura dá origem a madeixas pontiagudas ou apinceladas que são típicas das lãs churras. 

 Fazem parte deste grupo as seguintes raças:

- Churra do Minho
- Churra Galega Mirandesa
- Churra Galega Bragançana Branca
- Churra Galega Bragançana Preta
- Churra Badana
- Churra da Terra Quente
- Churra Mondegueira
- Churra do Campo
- Churra Algarvia.

Algumas imagens de ovinos de tipo Churro:
 

Ovinos de raça Churra da Terra Quente, Churra Mondegueira "Marialveira" e Churra Galega Mirandesa. (Créditos fotográficos: Dinis Pereira, António Pina da Fonseca e ACOM, respectivamente) /  Churra da Terra Quente, Churra Mondegueira and Churra Galega Mirandesa are a few examples of the churra type breeds.

Ovinos de raça Churra da Terra Quente, Churra Mondegueira "Marialveira" e Churra Galega Mirandesa. (Créditos fotográficos: Dinis Pereira, António Pina da Fonseca e ACOM, respectivamente) / Churra da Terra Quente, Churra Mondegueira and Churra Galega Mirandesa are a few examples of the churra type breeds.

Alguns exemplos de lã de tipo Churro:

Madeixas de lã de Churra Galega Mirandesa e Churra Mondegueira; /  Wool locks from Churra Galega Mirandesa and Churra Mondegueira;

Madeixas de lã de Churra Galega Mirandesa e Churra Mondegueira; / Wool locks from Churra Galega Mirandesa and Churra Mondegueira;

Velo de Churra Galega Mirandesa; /  Churra Galega Mirandesa fleece;

Velo de Churra Galega Mirandesa; / Churra Galega Mirandesa fleece;

 

BORDALEIRAS

Os ovinos de tipo Bordaleiro espalham-se de norte a sul do país, do Minho ao Baixo Alentejo. 
Embora com grandes variações, os ovinos deste grupo produzem lãs com características intermédias entre o tipo Churro e o tipo Merino.
As suas lãs são mais compridas e mais espessas que as de tipo Merino, com um frisado visível, mas mais largo. E são mais finas e curtas que as de tipo Churro, com fibras mais homogéneas, já com alguma regularidade de comprimento dentro da mesma madeixa.

Fazem parte deste grupo as seguintes raças:

- Bordaleira de Entre-Douro-e-Minho
- Bordaleira da Serra da Estrela (muitas vezes referida apenas como “Bordaleira” ou “Serra da Estrela")
- Saloia
- Campaniça.

Algumas imagens de ovinos de tipo Bordaleiro:

Ovinos de raça Saloia, Campaniça, e Serra da Estrela. (Créditos fotográficos: ACRO, João Madeira e Ruralbit). /  Saloia, Campaniça and Serra da Estrela, a few example of bordaleira type breeds.

Ovinos de raça Saloia, Campaniça, e Serra da Estrela. (Créditos fotográficos: ACRO, João Madeira e Ruralbit). / Saloia, Campaniça and Serra da Estrela, a few example of bordaleira type breeds.


Alguns exemplos de lã de tipo Bordaleiro:

Madeixa de lã Campaniça; /  Wool lock from Campaniça;

Madeixa de lã Campaniça; / Wool lock from Campaniça;

Velo de Bordaleira de Entre-Douro-e-Minho; /  Bordaleira de Entre-Douro-e-Minho fleece;

Velo de Bordaleira de Entre-Douro-e-Minho; / Bordaleira de Entre-Douro-e-Minho fleece;

 

MERINAS

Quando falamos em Merino não nos referimos a uma raça única de ovinos, mas sim um grupo que engloba várias raças com um antepassado em comum e que produzem um tipo de lã com características semelhantes. Dentro deste grupo, no mundo inteiro, encontramos dezenas de raças de tipo Merino que se foram afastando do seu antepassado em comum através da acção do Homem, que foi desenvolvendo cada uma dessas raças para se adaptar às suas necessidades mais específicas, sejam elas ambientais ou económicas.
Os ovinos de tipo Merino distinguem-se por produzirem uma lã de fibras excepcionalmente finas, elásticas e homogéneas, com um frisado pequeno mas bem pronunciado e mais curtas que as do tipo Bordaleiro.
Em Portugal temos três dessas raças merino, concentradas maioritariamente no sul do país:

- Merina Branca
- Merina Preta
- Merina da Beira Baixa

Algumas imagens de ovinos de tipo Merino:

Ovinos de raça Merina da Beira Baixa, Merina Branca e Merina Preta. (Créditos fotográficos: Carlos Andrade, Carlos Bígares e Tiago Perloiro) /  Merina da Beira Baixa, Merina Branca and Merina Preta are the three portuguese merino breeds.

Ovinos de raça Merina da Beira Baixa, Merina Branca e Merina Preta. (Créditos fotográficos: Carlos Andrade, Carlos Bígares e Tiago Perloiro) / Merina da Beira Baixa, Merina Branca and Merina Preta are the three portuguese merino breeds.

Exemplos de lã de tipo Merino:

Madeixas de lã Merina Branca; /  Wool locks from the white merino breed (Merina Branca);

Madeixas de lã Merina Branca; / Wool locks from the white merino breed (Merina Branca);

Velo de raça Merina Preta;  Black merino fleece;

Velo de raça Merina Preta; Black merino fleece;

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In Portugal (and this applies to our country only), the 16 autochthonous sheep breeds are usually divided in three groups, that are directly related to the type of wool they produce: Churras, Bordaleiras and Merinas. To know the basic characteristics of the wool from each group is a very effective way of knowing what type of wool a specific portuguese breed has to offer, in spite of the big variations that can occur due to several factors.
It's also important to know that most animals are currently not registered in the genealogical book, which means they do not officially belong to a specific breed, nevertheless, the wool they produce is most likely to belong to one of these three groups.


 

CHURRAS

Churro type sheep can be found from north to south, but mainly in the interior of the country. 9 out of 16 breeds belong to this group, where we will find the longest, thickest, wildest and most challenging wools.
Churro type wools, besides being relatively long and thick, are not very homogeneous: their locks are tipically composed of different fibers mixed together, in different proportions depending on the breed and even the animal (if there's one thing we have in the Churro group that is variety!). The longer fibers are usually thicker, straight and dull. The shorte ones, the are at the base of the lock, will be thiner, softer, even a little bit ondulated and greasy. This mix, of shorter fibers at the base and longer ones, is what makes for the typical pointy locks that are so characteristic of our churro breeds.
 This group includes the following breeds:

- Churra do Minho
- Churra Galega Mirandesa
- Churra Galega Bragançana Branca
- Churra Galega Bragançana Preta
- Churra Badana
- Churra da Terra Quente
- Churra Mondegueira
- Churra do Campo
- Churra Algarvia.


*Please check images of churro type sheep and their wool in the portuguese version of the post;
 

BORDALEIRAS

The Bordaleiro type sheep can also be found all over the country, from Minho to Alentejo. Although there are big variations, within this group we'll be able to find wools that are a middle ground between the Churro and the Merino.
Their wool will be longer and thicker than that of the Merino type, with a defined, but larger crimp. And they'll be thinner and shorter that the Churro type, with more homogenous fibers, with regular length within the lock.

This group includes the following breeds:

- Bordaleira de Entre-Douro-e-Minho
- Bordaleira da Serra da Estrela (also known as “Bordaleira” or simply “Serra da Estrela")
- Saloia
- Campaniça.


*Please check images of bordaleiro type sheep and their wool in the portuguese version of the post;

 

MERINAS

When we use the term Merino, we're generally not referring to a specific sheep breed, but rather to a larger group that includes several breeds with a common ancestor and that produce wool with similar characteristics. Within this group, in the whole world, there are several merino type breeds that were developed by humans to serve several specific purposes.
The Merino type sheep are known for producing a exceptionally thin, elastic and homogenous wool, with a small and very well defined crimp, with shorter fibers that the Bordaleiro type sheep.
In Portugal, we have three Merino type breeds, located mainly in the south of the country:

- Merina Branca
- Merina Preta
- Merina da Beira Baixa

*Please check images of merino type sheep and their wool in the portuguese version of the post;

de volta das lãs portuguesas

Hoje, um dia passado a separar amostras de velos em bruto de todas as raças de ovinos portugueses para uma pequena exposição a acontecer no final de Setembro. Tantas lãs diferentes num país tão pequeno!

P.S.: Obrigada, Catarina e Rita, pela ajuda indispensável!
 


Today, a day spent organizing samples from raw fleeces from all our local sheep breeds, for a small exhibition that will happen in late September. So many different wools for such a small country!

P.S.: Thank you Catarina and Rita for your wonderful help!

[wip] Lãs Portuguesas - um guia prático
Amostras organizadas e embaladas das 15 raças de ovinos autóctones, prontas para serem fotografadas; /  Organized and packed samples of wool from our 15 sheep breeds, ready for the photoshoot;

Amostras organizadas e embaladas das 15 raças de ovinos autóctones, prontas para serem fotografadas; / Organized and packed samples of wool from our 15 sheep breeds, ready for the photoshoot;

Para cada uma das raças organizamos amostras da lã em bruto e lavada (madeixas), fiada, tecida, tricotada, crochetada e ainda feltrada. Estas pertencem à raça Merina Preta, com três lindas das suas variações naturais de cor; /  For each breed we organized samples of their raw wool, but also washed, spun, woven, knitted, crocheted and felted. These belong the Black Merino breed, with three of their natural color variations;

Para cada uma das raças organizamos amostras da lã em bruto e lavada (madeixas), fiada, tecida, tricotada, crochetada e ainda feltrada. Estas pertencem à raça Merina Preta, com três lindas das suas variações naturais de cor; / For each breed we organized samples of their raw wool, but also washed, spun, woven, knitted, crocheted and felted. These belong the Black Merino breed, with three of their natural color variations;

Para algumas raças as amostras multiplicaram-se: a Mondegueira, embora não seja a única, possui um velo com duas camadas, uma exterior e outra interior com fibras de espessura e comprimento muito diferentes que podem ser trabalhadas separadamente; /  For some breeds, the samples got multiplied: the Mondegueira, although not the only one, is a double coated breed with an outercoat and an undercoat with very different fibers;

Para algumas raças as amostras multiplicaram-se: a Mondegueira, embora não seja a única, possui um velo com duas camadas, uma exterior e outra interior com fibras de espessura e comprimento muito diferentes que podem ser trabalhadas separadamente; / For some breeds, the samples got multiplied: the Mondegueira, although not the only one, is a double coated breed with an outercoat and an undercoat with very different fibers;

A maior parte das raças admite animais de outra cor que não branca no seu Livro Genealógico e para essas esforcei-me por reunir também amostras de algumas variações de cor que ocorrem naturalmente. Estas são apenas 6 das que a raça Churra Galega Mirandesa tem para oferecer; /  Most of our breeds standards accept animals with other colo  rs that not white. For those breeds I made an effort to also gather different colour samples. These are only 6 of the different colors that the Churra Galega Mirandesa has to offer;

A maior parte das raças admite animais de outra cor que não branca no seu Livro Genealógico e para essas esforcei-me por reunir também amostras de algumas variações de cor que ocorrem naturalmente. Estas são apenas 6 das que a raça Churra Galega Mirandesa tem para oferecer; / Most of our breeds standards accept animals with other colors that not white. For those breeds I made an effort to also gather different colour samples. These are only 6 of the different colors that the Churra Galega Mirandesa has to offer;

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"When you look back 6 months from today and don't feel embarassed by your naiveté, there's a problem."

     - Ryan Hoover, founder of Product Hunt in Founder Mantras

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Ora aqui está um problema que eu nunca tenho.
Se eu sabia que passar destes sacos de lã em bruto oriundos de todos os cantos deste país para uns micro-envelopes como estes ia dar tanto trabalho? Claro que não. Mas ainda bem que não sabia, senão tinha-me assustado e hoje ainda não teria nada disto feito.
Por isso, mais ingenuidade, menos ingenuidade, o trabalho está lançado.
Consegui reunir velos das 15 raças de ovinos autóctones portugueses, que entretanto se transformaram em 16 (olá Churra Galega Bragançana Preta), graças à ajuda dos secretários técnicos das Associações e contactos meus que me fizeram chegar todo o material ao Porto.
Com a indispensável ajuda da Isabel Cartaxo, da Guida Fonseca e da Diana Regal, produziram-se as amostras de lã que contemplam as madeixas em bruto e lavadas, mas também de fio, tecelagem, tricot, crochet e feltro - sem estas generosas senhoras, nada feito.
Reuni amostras da maior parte das variações de cor que cada uma produz segundo o padrão da raça, e ainda algumas mais que se espera virem a fazer parte da raça - descobrir depois do material todo reunido que afinal alguns dos velos pretos não são contemplados no padrão da raça e que me faltavam outros que afinal são, só veio tornar as coisas mais interessantes...
Reuni variações de lã de ovelhas aparentemente semelhantes, mas que produzem lãs diferentes e ainda por cima com várias camadas - Mondegueira, porque é que és tão complicada?
Reuni censos actualizados que me dizem exactamente como o reduzido tamanho dos efectivos de certas raças as colocam em risco de extinção e também informações que, apesar da diversidade que é característica das nossas raças, não deixam de ser muito úteis quando queremos ter uma ideia do tipo de lã que uma certa raça produz : espessuras e comprimentos médios das fibras de cada uma das raças, peso médio dos velos produzidos, rendimentos em lavado. 
Descobri a quanto tem sido vendida a lã em bruto de cada uma das raças e como esse valor varia de acordo com coisas muito subjectivas - este tópico dá pano para mangas.
E, acima de tudo, neste momento já consigo perceber o contexto em que cada uma se insere, como evoluiu num passado recente e como esse historial a levou à situação em que se encontra agora, seja essa situação de declínio ou expansão. 
Agora só falta terminar. É como correr a maratona. Os quilómetros finais são os mais difíceis.


[wip] Portuguese Wools - a practical guide

"When you look back 6 months from today and don't feel embarassed by your naiveté, there's a problem."

     - Ryan Hoover, founder of Product Hunt in Founder Mantras

Well, There's a problem that I just never have...    
Did I know that transforming bags of raw wool from every corner of our country into teeny-tiny envelopes like these would be so much work? Of course not. And I'm glad I didn’t, otherwise I would have chickened out.
So, more or less naiveté, the work has begun.
In the past months, I managed to collect fleeces from all the 15 breeds of portuguese sheep that, in the meanwhile, have become 16 ( hello, Black Churra Galega Bragançana!), thanks to the help of the technical secretaries of each breed association and some of my contacts that sent all the material to Porto.
With the enormous help from Isabel Cartaxo, Guida Fonseca and Diana Regal, all the samples were produced, including raw and washed locks, but also yarn and woven, knitted, crocheted and felted samples . Without this generous help, nothing of this would have been possible.     
I collected samples from almost all color variations that each breed produces according to the breed standards and some more that are expected to be a part of the standard - finding out after gathering all the material that some of the black fleeces are not included in the breed standards and that I missed some that actually are, just made things way more interesting…
I gathered variations of sheep wool which may seem similar at first, but that have different wools and also multiple layers - oh, Mondegueira, why are you so complicated?
I gathered updated census that show why some breeds are considered to be in risk of extinction and also technical information that, in spite of diversity which is characteristic in our breeds, is extremely useful if we want to have and idea about the kind of wool each one produces: average thickness and length of fiber, average fleece weight and yield.
By now,  I know how much the raw wool from each breed is being sold for and how this value changes according to very subjective things - I could go on forever about this.
And, above all, I finally have a good feel of the context each one is into, how it evolved in the recent past and how this background has led to the situation they are currently in, being that of decay or of expansion.

All I have to do is finish it. It’s like running a marathon. The last miles are always the hardest ones.

 

Lã Portuguesa - as madeixas em bruto
la-portuguesa
la-portuguesa
Imagens: Guida Fonseca; /  Photos: Guida Fonseca;

Imagens: Guida Fonseca; / Photos: Guida Fonseca;

Entretanto, os trabalhos de processamento e análise das lãs portuguesas prosseguem nas mãos da Isabel e da Guida, já em Viana do Alentejo.
Por aqui, vou partilhando algumas imagens do trabalho em progresso que vou acompanhando à distância. Nas imagens, podem ver as primeiras amostras das madeixas de cada uma das raças de ovinos autóctones, ainda em bruto.
Acho que posso dizer que ficamos todas surpreendidas com a variedade de lã que um pequeno país como o nosso tem para oferecer.

Para algumas raças mostramos ainda só a madeixa em branco, já que normalmente é a cor mais comum, excepto para a raça Merina Preta que se distingue exactamente por ser uma raça exclusivamente de lã escura, mas temos intenção de mostrar as variações de cor existentes no final do trabalho.

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[06.07.2015 / Este post refere-se à investigação e actividades desenvolvidas no âmbito do programa Saber Fazer em Serralves ]


Portuguese Wool -  the locks


In the meantime, the processing and analysis of the portuguese wools keep going, down in Viana do Alentejo, in Guida's and Isabel's hands.

I'll be sharing with you some of the images that they are sending me of this work in progress. Here, you can see images of sample locks from each breed, still unclean.
We're actually quite amazed by the variety of wool our small country has to offer.

For some breeds we're showing you the locks only in the white color, since that's usually the most common, except for the Black Merino breed that is set apart precisely for being exclusively of dark wool sheep, but we intend to show all the color variations by the end of this work.

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[06.07.2015 / This post refers to the investigation and activities developed during the Saber Fazer em Serralves program]

A Tosquia na Quinta de Serralves - 2015

No sábado passado o tempo esteve fabuloso, apareceu um público muito interessado e participativo, e depois da tosquia feita pelo Martin, as ovelhas estão mais fresquinhas e nós temos uns belos velos de Bordaleira-de-Entre-Douro-e-Minho para trabalhar. Ou seja, foi uma manhã perfeita.

Antes do evento, pedi ao Marty e à Suzana para fazerem uma boa introdução ao que ia acontecer. Resumir o background do Marty, explicar para que serve e o que implica uma tosquia, falar das ferramentas e da técnica usada. Uma abordagem que mostrasse como se faz uma boa tosquia num ambiente profissional e actual, mesmo que em pequena escala, era o mais importante, e também explicar que sendo a ovelha um animal domesticado, temos obrigações a cumprir para manter o seu bem-estar, e a tosquia é uma delas.

O Marty, que é natural da Nova Zelândia, cresceu numa quinta com milhares de ovelhas e foi aos 18 que foi mandado pelo pai para uma escola de Tosquia - facto que não lhe agradou muito na altura, mas o sentimento agora é outro. Trabalhou e trabalha na indústria lanar tanto na NZ como na Austrália, mas também por toda a Europa, incluindo Inglaterra, Escócia, Suiça, Itália, etc.
Neste momento reside em Portugal com a Suzana, em Marvão, onde continua a trabalhar como tosquiador tanto no nosso país, como fora, em diferentes épocas do ano.
Uma das coisas que torna o Marty interessante para mim, e para a investigação que estamos a fazer, é a sua experiência comparativa. O facto de trabalhar em países com indústrias lanares bem distintas e "culturas da fibra" também ela distintas dá-lhe uma visão interessante do assunto. As diferentes abordagens, os diferentes objectivos, as diferentes expectativas de cada sítio. 
Em Portugal, tem tosquiado principalmente na zona do Alentejo.
Por aqui, diz ele, a grande diferença é que o objectivo dos criadores e tosquiadores em geral é simplesmente aliviar a ovelha da lã, e não a obtenção da fibra têxtil com qualidade, que exige cuidados específicos. Na maior parte dos casos não se faz sequer a desbordagem dos velos logo após a tosquia, e muito menos a separação da lã pela qualidade da fibra (o "wool grading"), o que faz baixar o valor da lã por haver uma mistura de produtos de fraca qualidade com outros de alta qualidade.
Também acha que há uma percepção errada quanto à qualidade da lã que produzimos em Portugal. A nossa lã é muito melhor que aquilo que os portugueses pensam, e por cá há raças bem interessantes para serem exploradas. Outro ponto a melhorar são os cuidados prestados às ovelhas durante todo o ano que antecede a tosquia. Tudo começa aí, a lã é um reflexo do bem-estar do animal.

Este sábado foi a primeira vez que tosquiou ovelhas Bordaleiras-de-Entre-Douro-e-Minho e não deixou de dizer que adorou tanto a sua personalidade, que classificou como "very nice sheep", como a qualidade da lã também.
O maior feedback de quem assistiu foram os elogios à forma delicada, mas segura e eficaz, como o Marty manuseou os animais, e também, acima de tudo, como o processo foi tão calmo e pacífico, o que me pareceu criar muita surpresa entre o público, como se pôde ver pelo silêncio durante a tosquia da primeira ovelha e as palmas quando a Suzana abriu o primeiro velo para toda a gente tocar.

A mim surpreendeu-me pela positiva o tipo de perguntas colocadas pelo público após a tosquia da primeira ovelha. Perguntas pertinentes e muito interessantes, a meu ver, todas relacionadas com os aspectos práticos e económicos da actividade: "como é que se armazena esta lã assim suja?", "Que tipo de lã é a desta raça?", "como é que se lava o velo?", "Quanto é que pesa o velo e quanto lã é que rende depois de lavada?", "Aproveita-se toda a lã do velo?" e outras semelhantes. Perguntas que penso mostrarem que a apresentação do assunto por parte do Marty e da Suzana foi bem interessante, e que tirou muita gente do simples papel de espectador para passarem a querer perceber mais do assunto.

Ainda quero aqui falar da técnica específica de tosquia usada pelo Martin - a técnica Bowen, e também da forma como se faz a desbordagem e o armazenamento correcto dos velos tosquiados, o que farei nos próximos posts.

Tosquiador de Ovelhas
Marty & Suzana
T: 968152967
Marvão, Portugal

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[09.05.2015 / Este post refere-se à investigação e actividades desenvolvidas no âmbito do programa Saber Fazer em Serralves ]


The shearing

 

Last saturday we had fabulous weather, an interested audience showed up, and after the nice shearing done by Martin, the sheep are now much lighter and we have some beautiful fleeces from the Bordaleira-de-Entre-Douro-e-Minho to work with. It was a perfect morning.

Before the event, I asked Marty and Suzana if they could make a good introduction to what was about to happen. Talk about Marty’s background, explain the purpose of the shearing and what it implies, the tools and the technique used. An approach that showed how a good shearing in done in a professional environment, even if small scale, was the most important, and also convey the idea that sheep are domesticated animals, and therefore we have an obligation of assuring their well-being, and shearing is a part of that.

Marty, born in New Zealand, grew up in a farm with thousands of sheep and at the age of 18 was sent by his father to a shearing school - something he didn’t like at the time, but the he has different feelings about that now. He has worked and still works in the wool industry, both in NZ and Australia, but also all over Europe, including England, Scotland, Switzerland, Italy, etc.
At the moment he lives in Portugal with Suzana, in Marvão, where he keeps working as a shearer, both in our country and abroad, in different times of the year.
One of the things that makes Marty so interesting for me and the investigation we’re carrying, is his comparative experience. The fact that he has worked in countries with very different wool industries and “fiber cultures” allows him to have an interesting view on the subject. The different approaches, different goals and different expectations of each place.
In Portugal he has been shearing mainly in Alentejo.
He tells me that around here the main difference is that the goal of the shearers in general is simply to relieve the sheep from its wool, and not obtaining the wool for fiber purposes, which demands specific care. In most cases, the fleeces aren’t skirted and no wool grading is done, and this lowers the wool value, simply because the low quality product is being thrown together with the high quality one.

This saturday was the first time he sheared Bordaleiras-de-Entre-Douro-e-Minho sheep (a local breed from northern Portugal) and his comments about them were that they were “very nice sheep” and that they had good wool.
The biggest feedback from the audience were the compliments to the delicate, yet confident and firm way, as Marty handled the animals and above all, how calm and peaceful the whole process was, which seemed to surprise a lot of people, as I could see from the silence during the first shearing and the applause when Suzana opened the first fleece for everyone to see and touch.

I was pleasantly surprised by the type of questions asked by the audience after the first sheep was sheared. Interesting and important questions, all related with the practical and economical side of the activity: “how do you store the raw fleece?”, “What kind of wool is this?”, “How do you wash the fleece?”, “How much does this fleece weight and how much wool will it give after washing?, “Do you use all the wool from the whole fleece?” and others very similar. I think these questions show that Marty and Suzana’s approach to the subject was interesting, and many people were interested in much more that just watching.

I still want to talk about the shearing technique Marty uses - the Bowen technique - and also about skirting the fleece and how to properly store a raw fleece, but I’ll do that in the next posts.
 

Tosquiador de Ovelhas (Sheep Shearer)
Marty & Suzana
T: 00351 968152967
Marvão, Portugal

[09.05.2015 / This post refers to the investigation and activities developed during the Saber Fazer em Serralves program]

Vem aí a tosquia!
Imagens:  Martin O'Connel

Estamos quase em Maio, e a época da tosquia já está aberta há algum tempo, mas em Serralves, a primeira tosquia às ovelhas Bordaleiras-de-Entre-Douro-e-Minho a ser realizada na própria Quinta vai acontecer no próximo sábado dia 9 de Maio, pelas 11h.

Uma boa tosquia é, não só, um passo incontornável para a obtenção de uma fibra têxtil de qualidade, mas também um momento de demonstração de respeito pelo animal que nos oferece uma valiosa matéria-prima, e que deve ser tratado de forma cuidadosa e conhecedora.
Por isso mesmo, convidei o Marty O'Connel a vir cá ser o tosquiador de serviço. O objectivo não é apenas fazer uma boa tosquia às ovelhas Bordaleiras de Entre Douro e Minho, mas também ter alguém que adora o seu trabalho, adora comunicá-lo e é óptimo a fazê-lo.
A tosquia vai fazer-se na zona da quinta de Serralves junto aos estábulos, e vai estar aberta ao público.
Se gostam de lã ou fibras têxteis em geral, têm curiosidade sobre estes processos e gostariam de ver em primeira mão como se processam quando são bem executados, esta é uma oportunidade única para aprender com um bom profissional.

Aqui ficam os pormenores da actividade e podem ver mais informação no site de Serralves:

Dia e hora: 9 de Maio
Horário: 11h - 12.30h
Local: Parque - Quinta de Serralves (junto aos estábulos)
Orientação: Martin O'Connel
Link para o programa: Programa "Saber Fazer" - a Tosquia


The shearing is coming!
 

We're almost in May and shearing season has been open for a while now, but in Serralves, the first time the Bordaleiras-Entre-Douro-e-Minho sheep will be sheared in the farm will be in the next saturday, the 9th of May, starting at 11h in the morning.

A good shearing is an essencial step to obtain good quality fibre, but it is also a moment of demonstration of respect for the animal that each year offers us a valuable raw matter, and that should be treated in a careful a knowingly manner.
That's why I invited Marty O'Connel to come to Serralves and be our shearer this year. Our goal is not only to have the sheep properly sheared, but also to receive someone that loves their job, loves talking about it and it's great at it.
The shearing will take place in the Serralves' farm, close to the stables, and it is going to be open to the public.
If you're a wool lover or enjoy textile fibers in general, and are curious about seeing these processes first hand, then this is a great opportunity to watch, learn and ask questions to an excellent professional.

Here are the details, and you can check the program at Serralves' website:

Day: 9th of May (saturday)
Time: 11h - 12.30h
Place: Serralves Park / Farm (close to the stables)
Guidance: Martin O'Connel
Link: "Saber Fazer" Program - the Shearing (in english)

o rebanho da Casa da Lã
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Na segunda-feira fomos conhecer um dos rebanhos de onde vem a lã com que trabalham as Mulheres de Bucos.
Por lá, quando falamos com quem trabalha a lã, esta é sempre distinguida em apenas dois tipos: a lã brava e a lã meirinha.
As ovelhas bravas, que vim a saber que são as autóctones Churras do Minho, são as ovelhas que pastavam livremente no monte e não com o gado, daí a “brava”. São pequenas e o velo é mais comprido, oleoso e áspero do que o das meirinhas, o que seria de esperar de uma ovelha não tão domesticada.
Meirinha, que não duvido que seja uma adaptação de “merina”, usa-se para definir a lã que é mais macia e vem das ovelhas mais domesticadas, que pastam com o gado. Neste caso, por aqui a raça é a Bordaleira Entre Douro e Minho, também autóctone. Seriam outras se, recentemente, a população não tivesse aderido aos apoios destinados a assegurar a preservação da espécie e não tivesse feito a conversão das ovelhas de raça brangaçana que tinham anteriormente.
Numa altura em que a lã é considerada um subproduto que acontece quando se criam ovinos para carne, há muita gente que abandona a lã tosquiada pelos campos por não saber como lhe dar uso.

 

Last monday we went to see the sheep where the wool spun by the Women of Bucos come from. Over there, the women have only two terms to differentiate the wool they work with: the “lã brava” (something like wild wool) and the “lã meirinha”.
I came to know that those "wild" sheep (bravas) are actually the local Churras do Minho - a kind of sheep that used to graze freely through the hills (hence the “wild” definition). They are small and their fleece is longer and not so soft as the one from the “meirinhas”. I think this would be expected from a wild sheep.
"Meirinha", that I’m pretty sure to be a portuguese adaptation of the word Merina, is used to define all the wool that comes from more domesticated sheep, that graze with the normal cattle. In this case, it is the Bordaleira Entre Douro e Minho, also local.
I
t could be another race if, recently, the population hadn’t been receiving support to have local races like the Churra and the Bordaleira, and hadn’t made the conversion from the Bragançanas they had previously.
In a time where wool is considered a byproduct of raising sheep for meat, there are a lot of people that abandon it throughout the fields after the shearing, because they simply don’t know what to do with it.