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Diário | Journal

O Curso do Linho de longa duração - dia final

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Semeámos, vimos crescer, colhemos, ripamos, maceramos, secamos e moemos o nosso próprio linho, no espaço de dois meses e meio. Esta foi a parte fácil de produzir linho, a mais trabalhosa vinha a seguir e é a que nos leva a espadelar, assedar e fiar.
No último dia do nosso curso, juntámo-nos todos a trabalhar onde tudo começou. Foi um dia bem bonito em volta das nossas fibras. Falamos da nossa experiência, discutimos resultados e opiniões, aprendemos a espadelar, à mão e com a nossa espadeladora mecânica. Assedamos com sedeiros antigos e modernos. Ainda aprendemos a usar as cardas como ferramenta que nos permite aproveitar mais fibras da estopa que fica da fase da assedagem e aprendemos também a cardar as fibras mais curtas para facilitar a fiação.
Da fiação, que na verdade não estava incluída no programa do curso por achar que é uma arte em si só, falamos um pouco e houve quem tivesse dado umas voltinhas nas rodas de fiar, nos fusos de suspensão e no fuso português. Fiar linho é mais difícil que fiar lã, na minha opinião. E a responsabilidade aumenta quando estamos a usar as fibras que cultivamos nós próprios e que tanto tempo levaram até chegar às nossas mãos, assim sedosas e loiras.

Este curso foi dos projectos que mais gozo me deu desenvolver este ano. As oficinas de 1 dia são úteis e interessantes, mas este é definitivamente o nível seguinte. Acompanhar o tempo natural de crescimento e processamento do Linho permitiu-nos abordar cada um dos assuntos com calma e entre actividades havia novamente tempo para a informação assentar e as questões surgirem. Além de aprendermos sobre o ofício propriamente dito, visitamos entidades e pessoas que nos ajudaram a ver este tema de diversas perspectivas. Algo absolutamente essencial para que possamos ter uma visão realista do que é o trabalho do Linho em Portugal actualmente, sem ilusões de folclores e museus etnográficos.
Além de tudo isto tive a sorte de receber um grupo interessado e diverso, com pessoas que se inscreveram cada um pelas suas razões e no final fiquei satisfeita por saber que aprenderam bastante.
Na verdade, este curso foi uma oportunidade única para quem conseguir inscrever-se, possível apenas por ser um programa apoiado pelo Município de Vila Nova de Famalicão, ao qual temos de agradecer pela forma como nos receberam e pelo apoio incrível que prestaram a todos os trabalhos que se desenrolaram. Sem esta abertura, nada teria sido possível.

Para o ano há mais!

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We sowed, saw it grow, harvested, rippled, retted, dried and ground our own flax in a two and a half months time. This was the easy part of flax growing, the hardest one was yet to come and that is the one that demands us to scutch, comb and spin our flax.
In the last day of our course, we got together to work in the same place where it all started. It was a beautiful day, spent taking care of our fibers. We shared opinions, discussed experiences and results. Learned how to scutch by hand and with our new scutcher. Combed the flax with old and new hackles. And we still had time to learn how to use a simple pair of handcards to make the most of the shorter flax fibers.
Spinning flax actually was not a part of the program, but I took the spinning wheels, drop spindles and
portuguese traditional spindles and people got the opportunity to experiment with that. Flax is not the easiest fiber to start to learn spinning, in my opinion, and that difficulty increases when you realize you're learning while using the beautiful fiber that took you so much time and effort to grow. A sense of responsibility quickly arises!
This course was one of the projects that I had most pleasure in developing this year. One day workshops are interesting, but this is clearly the next level. Following the natural rhythms of growing and processing flax allowed us to approach each subject with the required time and, in between activities there was time to let the information settle and see more questions arise. On top of learning about this specific process, we visited several places and people that helped us get a realistic notion of what is the context of flax production in Portugal, without illusions of
folklore or museums.
We also were very lucky to have a very interested and diverse group, with people that came for very different reasons.
This course was an exceptional opportunity and was only possible because of the support of the Vila Nova de Famalicão Municipality, to whom we need to thank for the way we were received in this city and for the generous collaboration in all the stages of the process.
We'll have more next year!