Torcer o fio com um fuso português

 

Surpreendentemente, a maior parte dos fusos portugueses têm viajado até ao outro lado do Atlântico. Mas não devia ser surpresa nenhuma por duas razões: a primeira é que a "cultura das fibras têxteis" é muito mais intensa e desenvolvida que no nosso país. A segunda, é que este fuso é bastante invulgar e, por isso, não é estranho que desperte curiosidade.
Mas estou a falar disto porque recebi o seguinte email da Margaret:

"I am very pleased with the spindle I ordered from you. Thank you also for the illustration included in the package.  I am curious whether portuguese spindlers ply their wool and whether they use a different spindle for that purpose.  I brought the spindle to my spindle group this week here in New Hampshire, USA and it generated excitement. It is beautifully made and very pleasurable to use!"

Por pura falta de tempo, há algumas coisas básicas que tenho deixado por fazer, como um tutorial para ensinar a usar este fuso (há diversas técnicas) e responder a questões como aquela que a Margaret colocou. Por isso, começo por responder a esta mesma usando registos que fui buscar ao arquivo! 
Sim, as fiandeiras portuguesas torcem (ou dobram) o fio. Este tipo de fuso é principalmente usado no norte do país no Minho, e por aqui já vi duas soluções. A primeira, é usando um fuso idêntico, mas que em vez da mainça, tem um gancho na ponta para torcer.

(continua abaixo...)

 
Bucos, Julho 2011

Bucos, Julho 2011

Bucos, Novembro 2011

Bucos, Novembro 2011

A segunda maneira, da qual gosto mais, é usando exactamente o mesmo fuso, mas atando um pequeno pauzinho na transversal com o próprio fio, para o transformar num fuso próprio para torcer.
Tanto numa solução como na outra, o importante é criar um ponto a partir do qual o fio fixa, para lhe transmitimos torção a partir do fuso.

Salto, Setembro 2011

Salto, Setembro 2011

 

Já agora, o fio nestas imagens parece sujo porque está mesmo - a D.Benta fia a lã ludra, que é a lã com a sujidade natural do velo, o que não é nada comum em Portugal, mas bastante eficaz. 
A D.Benta tem um método muito interessante para torcer o fio, porque após colocar o fuso a girar, atira-o a uma certa distância enquanto liberta mais fio do novelo, permitindo que a torção suba. Capturei um pouco do método dela neste vídeo, no longínquo mês de Setembro de 2011. Há quatro anos! O tempo voa.

 




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