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COMO SE PRODUZ SEDA - oficinas práticas e demonstrações na Quinta de Serralves

No próximo sábado 11 de Junho, o Saber Fazer traz a Serralves um dia inteiramente dedicado à fibra da Seda e à sua produção em pequena escala com demonstrações, experimentações e visitas orientadas à criação do bicho-da-seda, que se faz pelo segundo ano consecutivo na Quinta de Serralves.
Uma oportunidade única para ficar a saber tudo sobre o Sirgo e a Seda e aprender pessoalmente diversas técnicas numa exclusiva oficina prática orientada por uma das únicas artesãs no nosso país que produziu esta fibra têxtil durante décadas: Mª Teresa Frade.

São duas actividades que estão programadas: uma decorre durante todo o dia e é de entrada livre (ver o programa abaixo) e outra, a Oficina Prática de extração de Seda, é de lotação limitada e decorre apenas da parte da tarde.

Fica aqui uma sinopse das duas actividades e toda a informação para que possam vir aprender e experimentar sobre a Seda no próximo fim-de-semana:


SÁBADO 11 de JUNHO
11H-13H e 15H-18H QUINTA DE SERRALVES (LAGAR)



COMO SE PRODUZ SEDA, DA LAGARTA AO FIO: VISITA GUIADA, DEMONSTRAÇÕES E EXPERIMENTAÇÃO LIVRE
 

 


Em Junho, a criação de bicho-da-seda que se faz na Quinta de Serralves pelo segundo ano consecutivo, encontra-se num momento especial em que é possível observar todas as fases de desenvolvimento do insecto que nos oferece esta fibra extraordinária, do ovo à borboleta. No próximo sábado dia 11 de Junho, usaremos este momento único como uma oportunidade para explorar a temática da produção da Seda e as técnicas necessárias para obter esta fibra fascinante.
Crianças e adultos poderão ficar a conhecer mais sobre o insecto, as especificidades da sua criação e experimentar a técnica da extração da seda utilizando casulos verdadeiros.

Orientação: Alice Bernardo, Helena Tomás, Paula Péres e Margarida Afonso (visita e experimentação) e Mª Teresa Frade (demonstração da manhã)
Dia: 11 de Junho (sábado);
Horário: 11h-13h e 15h-18h;
Local: Quinta de Serralves (Lagar);
Entrada: livre, mediante aquisição de bilhete Museu ou Parque;
Mais informações: www.serralves.pt
 



SÁBADO 11 DE JUNHO
15H-18H  QUINTA DE SERRALVES (LAGAR)



OFICINA PRÁTICA DE EXTRAÇÃO E LAVAGEM DA SEDA COM MªTERESA FRADE


 

Nesta oficina iremos aprender sobre a extração do fio da seda com a orientação de Mª Teresa Frade, uma artesã natural de Castelo Branco que nos irá ensinar como os casulos se transformam em fio. Em Portugal já se contam pelos dedos de uma mão os artesãos que ainda trabalham esta fibra extraordinária, e serão menos ainda os que conhecem os seus mistérios. Maria Teresa Frade fez da criação do sirgo e da produção de seda artesanal a sua profissão durante décadas. Esta oficina em Serralves é uma oportunidade única para receber parte do seu conhecimento.

Orientação: Mª Teresa Frade;
Dia: 11 de Junho (sábado);
Horário: 15h-18h;
Local: Quinta de Serralves (Lagar);
Público-alvo: crianças maiores de 12 anos e adultos;
Custo: 7.5€;
Lotação: 10 participantes com inscrição prévia;
Mais informações: www.serralves.pt

INSCRIÇÕES:
·         Na Receção do Museu: de 2ª a Domingo, no horário de funcionamento
·         Online (brevemente disponível)
·         Por transferência bancária, à ordem de Fundação de Serralves com o IBAN: PT50 0010.0000.86451970001.02 - enviando comprovativo e dados da inscrição por e-mail para apoio.se@serralves.pt; dados necessários para a inscrição: nome completo, endereço de e-mail, telefone/telemóvel.


**English translation coming soon**

A encasular
image.jpg

Metade das nossas lagartas já entraram no último ínstar, a desatar a comer folhas de amoreira negra que nem umas loucas, como é típico dos dias que antecedem o início da construção do casulo. 
Algumas pioneiras já começaram a encasular, mas desta vez não me apanharam [tão] desprevenida: já tinha uma estrutura preparada para elas e já lhes conheço melhor os sintomas que antecedem o encasulamento.

A outra metade da criação, que é mais pequena este ano, ainda está atrasada, o que é bom porque no próximo dia 11 de Junho há um dia inteiro de demonstrações e oficinas sobre a produção de Seda, (incluindo uma oficina prática de extração da seda dos casulos com a MªTeresa Frade) e gostava de chegar lá com as diversas fases do bicho-da-seda: ovos, lagartas, pupas e borboletas. Vamos ver se não me pregam uma rasteira.

O video é um timelapse, mas quando olhamos para um tabuleiro sem folhas depois de as termos alimentado dois minutos antes, temos a sensação de que esta é a velocidade real a que comem.


Cocooning  

Half of our silkworms have entered the last instar and have started to feed on black mulberry leaves like crazy, as they should in the days before cocooning.
Some early birds have already started cocooning, but this time around I was more prepared: I had a cocooning structure ready and I recognize a little better the "cocooning symptoms".

The other half of our silkworms is a little bit late, which is a good thing, because on the next saturday the 11th of June we'll be having a whole day in Serralves dedicated to Silk production, including silkworm rearing and cocoon reeling demonstrations and workshops. I would like to get to the day with all the silkworm stages happening: eggs, worm, pupae and butterflies. Let's see if they don't play a trick on me.

The video is a timelapse, not real time, but this is the speed we feel they are actual feeding to when we spread the mulberry leaves and look back after 2 minutes to find they already ate everything.

Aquela altura do ano outra vez
11.04.2016: Lagartas do bicho-da-seda recém-nascidas /  Newborn silkworms

11.04.2016: Lagartas do bicho-da-seda recém-nascidas / Newborn silkworms

Sim, é verdade. Nem consegui acabar de contar a história da nossa produção de seda do ano passado e já cá estão as lagartas de 2016. Mas pronto, é o que acontece quando se quer pôr uma quinta a produzir seda, linho, lã e escrever sobre isso, fazer um estudo sobre lãs portuguesas, manter uma loja a funcionar e ainda ter um bébé pelo meio. 

Eu estava a planear acabar o relato assim de rompante, enquanto mantínhamos as lagartas num sítio fresco e escuro para atrasar um bocadinho a eclosão delas, mas a Natureza é que manda e poucos dias depois das amoreiras se encherem de folhas, a maior parte das lagartas decidiu nascer enquanto os ovos ainda estavam guardados dentro dos envelopes.
Quando fomos abrir para confirmar que estava tudo intacto, encontramos dezenas e dezenas de lagartas perdidas dentro dos envelopes. A minha reacção inicial foi pensar que estava tudo perdido e que este ano não ia haver seda para ninguém, mas como tenho tendência para ficar a olhar para o leite derramado, ou neste caso para as lagartas prematuras, consegui perceber que a maior parte ainda estava viva, à espera que as pusessem num sítio mais confortável e que lhes dessem de comer rapidamente.
Executada a operação de salvamento e aguardados uns dias, verificamos que a maior parte sobreviveu e que, felizmente, muitos dos ovos ainda não tinham eclodido.
Lição aprendida.

Hoje, as mais velhas já tem uns dez dias (aqui estão elas a perguntar onde é que está o lanche) e uma parte nasceu apenas ontem, por isso desta vez consegui fotografá-las mesmo desde o início.


it's that time of the year again

Yes, it's true. I didn't even finish telling the story of last year's silkworm raising and silk reeling and the 2016 silkworms are here already. But that's what happens when you want to get a farm to produce, wool, flax, silk, write about that, make a study about portuguese wool, run a shop and also have a baby by the way.

I was planning making a bunch of posts at once and finishing the story while the eggs were kept in a dark, cool place as to prevent their unwanted hatching, but Nature is the big boss and a few days after the black mulberry trees got their new leaves, most of the silkworms decided to hatch while still in the envelopes.
One of the times we opened it to check everything was ok, we found dozens of silkworms laying around. My initial reaction was to think this year's production was gone and there's not going to be any silk for anyone, but since I have a tendency to stare at spilled milk, or, in this case, at premature silkworms, I noticed that most of them were alive and hanging around, waiting to be put in a more comfortable place and fed.

After performing a swift rescue operation and waiting out a few days, I guess most of them survived and, luckily, many of the eggs hadn't hatched yet.
Lesson learned.

Today, the oldest are 10 days old (here they are, wondering where their food is) and a couple of dozen was born about yesterday, so I managed to photograph them since the beginning, this year.

 

11.04.2016: Lagartas do bicho-da-seda recém-nascidas /  Newborn silkworms;

11.04.2016: Lagartas do bicho-da-seda recém-nascidas / Newborn silkworms;

20.04.2016: Lagartas do bicho-da-seda com 10 dias /  10 days old silkworms;

20.04.2016: Lagartas do bicho-da-seda com 10 dias / 10 days old silkworms;

20.04.2016: Lagartas do bicho-da-seda com dez dias e outras de eclosão mais recente /  silkworms 10 days old side-by-side with others that hatched more recently;

20.04.2016: Lagartas do bicho-da-seda com dez dias e outras de eclosão mais recente / silkworms 10 days old side-by-side with others that hatched more recently;

A primeira a encasular

Andava eu a pensar "Mas quando é que estas lagartas vão começar a encasular?", quando encontramos esta pioneira a trabalhar, alojada na lateral de uma das caixas de madeira.
Encontrada esta primeira, e não sabendo ainda o grau de sincronização entre todas as lagartas, tive um bocado de receio que começassem todas a encasular ao mesmo tempo, da noite para o dia, e que eu não tivesse tempo para preparar estruturas adequadas para o efeito. Seria o caos.
Por isso, passo seguinte: aprender a reconhecer os sinais de que uma lagarta está prestes a encasular e descobrir qual é o sítio ou estrutura ideal para que o possam fazer. Rápido.

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[22.05.2015 / Este post refere-se à investigação e actividades desenvolvidas no âmbito do programa Saber Fazer em Serralves ]


The first one

The thought on my mind was “But when will these silkworms start cocooning?”, when we found this pioneer working on her cocoon, on one of the sides of the wooden trays.
Having found this first one, and not knowing how synchronized they all were, I was a bit afraid that they would all start cocooning overnight simulteaneously, leaving me with no time to provide them with adequate cocooning structures.
So, next step: learning how to recognize the signs of a silkworm that is about to start cocooning, and find out what kind of structure would work well for this stage. And better do it fast.

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[ 22.05.2015 / This post refers to the investigation and activities developed during the Saber Fazer em Serralves program]

Vê-las a crescer

Nascem com cerca de 1mm e crescem até cerca de 7.5cm, mesmo antes de começarem a dar sinais de quererem encasular. 
Quando propus que fizessem uma criação de bichos-da-seda em Serralves, com vista à produção de fibra, pensei em começar com umas poucas lagartas - umas 150 no máximo - não só porque o faríamos pela primeira vez, mas porque não tinha a certeza quanto à quantidade de alimento necessária e se as amoreiras do parque seriam suficientes.
Em Bragança ofereceram-nos um envelope cheio de ovos, que não foram propriamente contados e mais à frente verificamos que tivemos cerca de 720 bichos-da-seda. Bem longe dos 150 que tinha imaginado.
Mas Serralves conta com 3 exemplares de Amoreira Negra, já adultos, que chegaram perfeitamente para alimentar estes 720. 

Com a experiência, viemos a aprender que o ciclo delas entre o nascimento e o encasulamento se processa tanto mais rápido ou mais lento de acordo com a estabilidade das condições em que vivem e da quantidade de alimento disponível.
Quero dizer que elas vão consumir sensivelmente sempre a mesma quantidade de alimento durante o crescimento, mas o ciclo prolongar-se-á mais se lhes dermos menos alimento de cada vez, ou será mais rápido se as deixarmos alimentar-se bastante bem e várias vezes ao dia. Ou seja, convém mantê-las sempre alimentadas com abundância, porque acabam por encasular mais rápido e isso corresponde a menos dias de manutenção. Além de que também aprendi que, com o prolongamento excessivo desta fase de crescimento, elas podem ficar "cansadas" e têm depois mais dificuldades em encasular, o que leva algumas a ficar pelo caminho.
No início talvez baste alimentá-las duas vezes por dia, mas na fase final, em que se tornam muito vorazes, quatro vezes por dia seria o mínimo. Nesta fase chegamos ao ponto em que colocávamos folhas no primeiro tabuleiro e, quando chegávamos ao quinto ou sexto, o primeiro já estava vazio.

Resumindo: manter as instalações delas bem limpas, sem qualquer tipo de humidade (é fácil a humidade combinada com os dejectos e restos de folhas darem maus resultados), temperatura amena e estável (elas começam a desenvolver-se mais lentamente, se a temperatura baixar demasiado) e alimentá-las generosamente com folhas frescas. Como a higiene se mantém sempre crucial, convém lavar as mãos antes e depois de fazer a manutenção.

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[27.04.2015- 19.05.2015 / Este post refere-se à investigação e actividades desenvolvidas no âmbito do programa Saber Fazer em Serralves ]


Watching them grow

They are born measuring about 1mm and they grow to be approximately 7,5cm, before starting to show cocooning signs.
When I suggested to raise silkworms in Serralves, for textile purposes, I was thinking about starting with a few - something around 150, not only because we were doing it for the first time, but also because I wasn’t sure about how much food they needed and if the Serralves mulberry trees were enough.
In Bragança they gave us an envelope full of eggs, that we didn’t exactly count, and further ahead we counted 720 silkworms. Something far from the 150 I had planned. But Serralves has three fully grown black mulberry trees, and they were more than enough to feed those 720 silkworms. 

With this experience we came to understand that their cycle, between hatching and cocooning, can develop faster or slower accordingly with the stability of the conditions they live in, and the amount of food available.
This means they will eat the same amount of food while they grow, but this phase will take longer if we feed them less each time, or faster if we feed them well and several times a day. So, we should keep them well fed, because they end up cocooning faster and we end up spending less time taking care of them. And also learned that, when they take too long to reach the cocooning stage, they can become too tired and not have enough strength to cocoon, making a poor cocoon or even dying.
At the beginning, feeding twice a day may be enough, but at the end of the growing stage, when they get really voracious, four times a day would have been the minimum. At this phase we reached a point where we placed fresh leaves in the first tray, and when we got to the fifth or sixth, the food from the first tray was all gone.

In short: keep their trays clean, without any humidity except for the one present in the fresh leaves, warm and stable temperature (they slow down if the temperature drops too much) and feed them abundantly with fresh cut mulberry leaves.

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[ 27.04.2015- 19.05.2015 / This post refers to the investigation and activities developed during the Saber Fazer em Serralves program]

Nenhuma lagarta ficará para trás

Quando as lagartas ainda são bébés, ocupam um tabuleiro único, e limpar esse tabuleiro é fácil e rápido. Mas quando começam a crescer, temos de as espalhar por mais tabuleiros, para lhes dar espaço, e quando temos 11 tabuleiros para manter bem limpos, o trabalho complica-se e é preciso arranjar um sistema para facilitar a tarefa.
Muitas vezes olhei para estas imagens das lagartas em Freixo-de-Espada à Cinta, para ver, agora com outros olhos, como se fazia por lá. Mas, honestamente, a ideia de ter um simples jornal por baixo das lagartas e ir atirando folhas de amoreira cumulativamente, deixa-me um bocadinho insatisfeita com as condições de higiene. 

O que eu gostava de ter conseguido fazer era algo semelhante a esta técnica que vi aqui, em que colocamos a rede com folhas frescas por cima das lagartas, de forma a que, atraídas pelo alimento fresco se movam de baixo para cima, deixando para trás folhas velhas e excrementos:


O problema é que as nossas lagartas eram um pouco lentas, o que me obrigava a estar demasiado tempo à espera que elas mudassem de rede, principalmente quando eram mais pequenas, e havia sempre algumas menos enérgicas que ficavam para trás - tinha de procurar por elas e mudá-las uma a uma, porque, honestamente, não estava emocionalmente preparada para deixar nenhuma para trás.

Por isso, acabei por usar o sistema mais comum: usar uma base em rede para que os dejectos não se acumulem em contacto com as lagartas, como se fosse um galinheiro. Quando é altura de limpar as caixas, pegamos na rede onde as lagartas estão (imagens do topo), e trocamos a folha onde se acumulam os detritos por uma nova. Também removia as folhas velhas que se vão acumulando, mas à medida que as lagartas crescem, as folhas são comidas com mais voracidade, e acabam por ficar esmigalhadas em pedacinhos tão pequenos, que caem através da rede como tudo o resto.
Acabei por usar a técnica "galinheiro", porque as nossas lagartas são um pouco preguiçosas, e também porque a Carlota achava que elas ficavam muito esmagadas quando lhes punhamos a rede em cima, coitadinhas.
Portanto, com uma de nós a pegar em lagartas uma a uma porque nenhuma podia ficar para trás e outra a achar que elas não gostavam de ficar debaixo da rede, acabamos por dedicar muito tempo a estas meninas.
Se fosse hoje, com o que aprendi, faria sensivelmente o mesmo, mas de forma já mais organizada. Este esquema, ainda que improvisado e pouco bonito, faz lembrar estes tabuleiros japoneses de criação de bicho-da-seda tradicionais que encontrei aqui depois, e portanto, a nossa solução não está tão longe daquilo que deve ser o mais adequado para a dimensão da nossa criação.

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[11.05.2015- 19.05.2015 / Este post refere-se à investigação e actividades desenvolvidas no âmbito do programa Saber Fazer em Serralves ]


No silkworm will be left behind

When the silkworms are just babies, they take up a single tray, and cleaning up one tray is quick and easy. But when they start to grow, we need to spread them along several trays, so they have enough room, and suddenly, cleaning up 11 trays isn’t that quick.
Many times I looked at these photos I took in Freixo-de-Espada-à-Cinta, where they used to raise silkworms, just to see how they did it over there. But honestly, the idea of having them laying around on a simple newspaper and simply keep throwing mulberry leaves did not make me happy.
What I would like to had managed is this netting technique. You just place a net with fresh leaves on top of the silkworms, and they move up, towards the fresh food and away from the excrements and old leaves (See pictures above).
The problem is our silkworms are a bit slow, what made me wait too much time for all of them to move up, and there were always a few less energetic that would stay behind. They made me look for them and move them one by one, because, honestly, I was not emotionally ready to leave a single silkworm behind.

I ended up using the most common solution: using the net as a base so that the excrements don’t pile up in contact with silkworms, just like a chicken coop. When it’s cleaning time, we pick up the net where the silkworms are, and change the paper where the dirt is, for a new one. I would also remove the old leaves that piled up, but as the silkworms grow, the leaves get eaten more voraciously and end up on such small crums that it also falls through the net.
So, I used the “chicken coop” technique” because our silkworms were lazy, but also because Carlota thought they did not like being under the net, the poor things. As you can tell, with one of us picking up the lazy silkworms one by one and the other worried about wether they liked or not being under a net, we spent a lot of time on these things.
If I were to do it again, from what I’ve learnt, I would do more or less the same. This system, although not very organized and not very pretty, is similar to these traditional silkworm japanese trays that I saw here a while after, and so our solution isn’t that far from working well for our silkworm operation size.


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[ 11.05.2015- 19.05.2015 / This post refers to the investigation and activities developed during the Saber Fazer em Serralves program]

nom, nom, nom.

Porque ver lagartas a comer é relaxante.

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[06.05.2015 / Este post refere-se à investigação e actividades desenvolvidas no âmbito do programa Saber Fazer em Serralves ]


Nom, nom, nom.

Just because watching silkworms eat is relaxing.

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[06.05.2015 / This post refers to the investigation and activities developed during the Saber Fazer em Serralves program]

Ampliação das instalações

As lagartas crescem e com elas também tem de crescer o número de tabuleiros em que as temos. De um tabuleiro passamos a cinco.
Convém que o número de lagartas por tabuleiro seja controlado e que elas estejam espalhadas o máximo possível. Não queremos que as camadas de folhas se acumulem, tanto por razões de higiene (para que não comecem a acamar e a criar humidade), como para que as lagartas tenham fácil acesso ao alimento fresco. Quando colocamos as folhas novas por cima, elas vão mover-se na sua direcção, mas é bom que as folhas não estejam demasiado longe, porque elas não percorrem grandes distâncias. Por isso o ideal é passarem directamente para a camada acima de onde se encontram.

O bicho-da-seda é um animal domesticado e foi desenvolvido ao longo de séculos não só para melhorar a produção de seda, mas para que a sua criação fosse muito facilitada. Isto quer dizer que, por uma questão de conveniência, o animal foi apurado para ser bastante dócil e pouco empreendedor. As lagartas do bicho da seda, nesta fase larvar (quando têm de encasular a história já é outra), não saem do local onde está o alimento, e também não se movem grandes distâncias em busca dele, daí que tenhamos de assegurar que o têm bem próximo.
Da mesma forma, as borboletas que nascem destas larvas foram desenvolvidas para não voarem e para terem um tempo de vida bastante curto naturalmente, durante o qual a única missão é a reprodução, já que nem aparelho bucal para se alimentar possuem.

Aqui há umas semanas atrás, encontrei o relato do Bryan, que vive no Japão e produz a sua própria seda há bastantes anos, acerca de como no meio das suas lagartas domesticadas deste ano encontrou umas selvagens, e descreve um pouco a diferença de comportamento:

"(...) The silkworms this time around are not all behaving as they should. I noticed a few kuwako, the wild silkworms that occasionally come in on the mulberry from the field.
Then I noticed a few more. They walk around and stand on their simpler brothers and sister's heads and behave in other cheeky ways.  Climbing up the walls and running across leaves. (...)".


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[29.04.2015 / Este post refere-se à investigação e actividades desenvolvidas no âmbito do programa Saber Fazer em Serralves ]


Housing extension

The silkworms are constantly growing and the number of trays grow with them. From one tray we went to have five.
It’s good to control the number of silkworms per tray, and that they are spread out as much as possible, keeping the space not too crowded. We don’t want the leaf layers to accumulate a lot, both for hygiene reasons (so that it doesn’t start to create moisture in the tray), but also for the worms to have easy access to fresh food. When we place fresh leaves on top, they will move in their direction, but the leaves better no be too far away, because they won’t move that far. So, it’s best if they can go directly from one layer to the other without much trouble.

The silkworm is a domesticated animal and it was developed during centuries not only to improve the quality of the silk produced, but also to make its rearing easier. This means that the animal has been bred to be docile and not very entrepreneurial. Silkworms, in this larval stage (when they start to cocoon its a different story), don’t leave the place where the food is, and they won’t move a great distance to find it either, so we need to assure they have it close to them.
In the same manner, the butterflies will not fly away and they have a very short lifespan, during which their only purpose is to reproduce, since they can’t even feed.

A few weeks ago, I read this post from Bryan, that lives in Japan and breeds his own silk moths, about how in the middle of his domesticated silkworms he found a few of the wild ones, and describes the behavior difference:

"(...) The silkworms this time around are not all behaving as they should. I noticed a few kuwako, the wild silkworms that occasionally come in on the mulberry from the field.
Then I noticed a few more. They walk around and stand on their simpler brothers and sister's heads and behave in other cheeky ways.  Climbing up the walls and running across leaves. (...)".

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[29.04.2015 / This post refers to the investigation and activities developed during the Saber Fazer em Serralves program]

os ínstares e as mudas
Vestígios da muda de pele entre o primeiro e o segundo ínstar. / Traces of the silkworm moulting between the 1st and 2nd instar;

Vestígios da muda de pele entre o primeiro e o segundo ínstar. / Traces of the silkworm moulting between the 1st and 2nd instar;

As lagartas do bicho da seda, entre eclosão e encasulamento, sofrem um aumento de tamanho incrível e periodicamente têm que mudar a pele para conseguirem crescer - nascem com uns poucos milímetros e atingem cerca de 7 ou 8 centímetros antes de se preparar para encasular.
As lagartas desta raça passam especificamente por cinco ínstares (ou idades) e é entre um ínstar e o outro que ocorre a muda de pele, ou seja, mudam de pele quatro vezes. A primeira muda ocorre sensivelmente uma semana após a eclosão.
Como não as tenho a "viver" comigo (vivem felizes e contente no borboletário em Serralves), caso contrário estaria de olhos sempre postos em cima delas, nesta fase inicial não vi nenhuma exactamente durante o processo de muda, mas como sou eu que controlo o crescimento delas e faço a manutenção dos tabuleiros, apanhei os vestígios do processo nas folhas velhas.
Durante o processo de muda, que costuma demorar 24h, não se alimentam nem se movem muito - os japoneses dizem que elas estão a "dormir".

Os timings em que este tipo de coisas acontece, sejam as mudas de pele, sejam as eclosões ou encasulamentos, não é rígido nem matemático. Quando começamos a criação, tinha certas expectativas temporais que não corresponderam ao que aconteceu na realidade. O desenvolvimento do bicho-da-seda pode ser mais ou menos rápido de acordo, por exemplo, com a variedade do animal, quantidade de alimento disponível, temperatura das instalações e a estabilidade do conjunto de condições em que são criados.
Os nossos, apesar de terem crescido sem problemas e num ritmo constante, parece-me que foram mais lentos no desenvolvimento do que seria de esperar.

 

[27.04.2015 / Este post refere-se à investigação e actividades desenvolvidas no âmbito do programa Saber Fazer em Serralves  ]


Instars and moultings

Silkworms, in the larval stage, go through an enormous size increase and, periodically, they need to shed their skin in order to be able to grow - they are born with just a few millimeters and they grow to be 7 or 8cm long before cocooning.
They go through 5 instars and they shed their skin in between them. So, they shed their skin four times during larval stage. The first molt occurs about a week after hatching. Since the silkworms aren’t “living” with me (they are happily installed in Serralves), otherwise I would be obsessively watching over them, in this initial stage I didn’t see any of them go through the molting, but since I am the one checking on their growth and keeping them, I caught the old skins left on the leaves.
During the molting period, which lasts about 24h, they don’t feed or move a lot - the japanese say they are “sleeping”.

The timings for this type of events, be the molts, the hatching or cocoonings, are not mathematic. When we started with this silkworm breeding I had time expectations that didn’t match the reality. Silkworm development can be faster or slower according, for exemple, with the variety of the animal, the amount of food available, room temperatura and overall stability in rearing conditions.
Our, it seems to me, have been slower in developing, although they grew well and steady.

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[27.04.2015 / This post refers to the investigation and activities developed during the Saber Fazer em Serralves program]

Os ovos do bicho-da-seda
ovos-bicho-da-seda

A minha ideia para encontrar quem cedesse os primeiros ovos do bicho-da-seda era recorrer ao Centro de Artesanato de Freixo de Espada à Cinta. Foi onde, em 2011, consegui observar e perceber o Ciclo da Seda todo, do ovo ao fio. Mas acontece que nunca mais lá fui desde essa altura, e acabei por só saber este ano que o Centro foi encerrado em meados de 2012.
Ao que parece, o ciclo continua a ser perpetuado por uma senhora que ficou encarregue pelo poder local de o fazer, mas deixou de estar aberto ao público, e como praticamente tudo o que está sob o poder institucional em Portugal se torna opaco e pouco ágil, não houve contacto que fizéssemos que obtivesse resposta em tempo útil. Virou-se a página e procurou-se outra via.
À custa deste falhanço, aprendi que na Casa da Seda, que faz parte do Centro de Ciência Viva de Bragança, se faz criação do bicho-da-seda, embora não processem a fibra. Com um simples telefonema e um singelo pedido, até enviam os ovos até por correio. A finalidade da criação na Casa da Seda é pedagógica, e portanto é feita para efeitos de demonstração, mas também disseminam o bicho-da-seda por quem se interessa, sendo que normalmente são as escolas que pedem. Como a criação é feita pelas próprias técnicas da Casa da Seda, também foram elas uma fonte fiável e extremamente simpática no que diz respeito a esclarecer todas as dúvidas que tínhamos inicialmente, próprias de quem ainda não tem experiência nenhuma.

Estes ovos, naturalmente, foram postos no ano passado. Para ficarem conservados até ao ano seguinte, foram simplesmente guardados dentro de um envelope de papel, num sítio fresco e seco - normalmente ficam no armazém do Centro de Ciência Viva. Só quando as folhas das amoreiras começam a despontar, no início da Primavera, é que os ovos são retirados do armazenamento, para que a eclosão aconteça apenas quando já há alimento disponível.
Quando os fomos buscar ainda estávamos no início de Março e, por isso, nada de folhas nas amoreiras negras de Serralves. Ficaram então também guardados à espera da altura certa.
Nas imagens vemos ovos de cor castanha e uns poucos de tom amarelo. Os amarelos são os ovos que não chegaram a ser fertilizados e assim só contamos com os mais escuros para eclodirem.

Eu sei que há ainda imensas pessoas por aí que fazem a criação do bicho-da-seda por curiosidade, e arranjar a "semente" não seria tão difícil assim, já que cada borboleta põe entre 200 e 500 ovos, mas acho óptimo que haja uma instituição que faça da actividade uma coisa corrente e acessível a qualquer um, até à distância.
 

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[11.03.2015 / Criação do Bicho-da-Seda para o Saber Fazer em Serralves ]


The silkworm eggs
 

My first idea, to find someone who could offer us the silkworm eggs, was to contact the Centro de Artesanato de Freixo de Espada à Cinta. That's where, back in 2011, I got to see the whole cycle, from egg to yarn. But I hadn't been there since that time, and I came to know only now, that the Center was shut down in mid 2012.
They say that there is one lady responsible for keeping the silk cycle, but it is no longer available to the public, and like most things that under the institutional power in Portugal become opaque and not very agile, in spite of the several contacts we made, there was no answer. So, we turned the page and looked for another solution.
Because of this failure, I learned that in the Casa da Seda, that is a part of the Centro de Ciência Viva de Bragança, they still breed the silk worm, although they don't process the fiber. With just a phone call and a simple request, they will even mail you the silkworm eggs. Since their goal is to teach about the silkworm and its life cycle, they try to offer the eggs to those that also have an interest, but it's usually schools and children that request them. Since the silkworm breeding is also carried by the Casa da Seda own technicians, they were also wonderful at answering all our questions.

Obviously, these eggs were layed by last year's butterflies. They keep them stored until the next year by keeping them inside a paper envelope, in a cool and dry place. Only when the mulberry tree leaves start to grow, in Spring, do they take the eggs out of storage, so that they can resume their cycle, but only when their food is already available.
When we picked them up it was early March and the black mulberry trees in Serralves were still naked, so we also kept them in storage until now.
In the above photos, you can see most eggs are of a brown colour, and then a few are bright yellow. The yellow ones are the ones that are were not fertilized last year. Only the darker ones were expected to hatch.


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[11.03.2015 / Silkworm breeding for the Saber Fazer em Serralves program]