Posts in seda em serralves
Terminaram as oficinas da Primavera

Terminou a Primavera e com ela as oficinas que ensinaram a produzir e extrair fibras têxteis: Oficina prática de Tosquia, Oficina de extração de Seda e Oficina prática de processamento e fiação de Linho, que decorreram em Serralves.

Foi bom ver alguns objectivos deste programa começarem a cumprir-se: produziram-se as fibras na própria Quinta, reuniram-se as ferramentas e receberam-se os artesãos certos para que uma pequena fatia deste conhecimento pudesse começar a ser transmitida a quem quer aprender. Com esta combinação as oficinas esgotaram e, tal como eu sabia que aconteceria porque o mesmo se passou comigo, a paixão e o verdadeiro saber-fazer que a D.Teresa e a Dores têm pelo seu trabalho fez com que os participantes ganhassem verdadeira curiosidade nestes ofícios. 
Muita gente ficou de tal forma convencida que quem participou na da Seda quis levar consigo algumas lagartas ou casulos que, entretanto já soube que já fizeram criação, e quem participou na do Linho levou consigo semente de Linho Galego para começar um pequeno Linhal em 2017. A isto chama-se espalhar, literalmente, a semente.

Mas se a Primavera é a época da produção da matéria-prima, então no Outono começa a época da transformação e, por isso, daqui a uns meses haverão mais oficinas e artesãos fora-de-série para ensinar quem quiser vir aprender mais.

(Apesar das oficinas terem corrido muito bem, não consegui parar um minuto para tirar fotografias decentes. Só tenho estas aqui para mostrar um pouco do que foi, o que é uma pena, mas é o que é...)

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The Spring workshops are over

Spring is over and so are the workshops dedicated to teaching how to grow and process textile fibers from the ground: Sheep Shearing, Silk Reeling and Flax growing and processing were taught in Serralves using the fibers grown right on the farm.
It was nice to see some of the goals for the "Saber Fazer em Serralves" program being accomplished: growing the fibers in situ, gathering the right tools and having excellent craftsmen and women to pass along some of their knowledge to people that are genuinely interested. 

And if Spring is the time to grow your fibers, then Autumn will be the time to transform them. So, in a few months time, we'll have more workshops and craftsmen and women to come to Porto and teach their art.

(Although the workshops went really well, I had no time to stop a minute and take decent photos, which is a pity, but that's that....)

COMO SE PRODUZ SEDA - oficinas práticas e demonstrações na Quinta de Serralves

No próximo sábado 11 de Junho, o Saber Fazer traz a Serralves um dia inteiramente dedicado à fibra da Seda e à sua produção em pequena escala com demonstrações, experimentações e visitas orientadas à criação do bicho-da-seda, que se faz pelo segundo ano consecutivo na Quinta de Serralves.
Uma oportunidade única para ficar a saber tudo sobre o Sirgo e a Seda e aprender pessoalmente diversas técnicas numa exclusiva oficina prática orientada por uma das únicas artesãs no nosso país que produziu esta fibra têxtil durante décadas: Mª Teresa Frade.

São duas actividades que estão programadas: uma decorre durante todo o dia e é de entrada livre (ver o programa abaixo) e outra, a Oficina Prática de extração de Seda, é de lotação limitada e decorre apenas da parte da tarde.

Fica aqui uma sinopse das duas actividades e toda a informação para que possam vir aprender e experimentar sobre a Seda no próximo fim-de-semana:


SÁBADO 11 de JUNHO
11H-13H e 15H-18H QUINTA DE SERRALVES (LAGAR)



COMO SE PRODUZ SEDA, DA LAGARTA AO FIO: VISITA GUIADA, DEMONSTRAÇÕES E EXPERIMENTAÇÃO LIVRE
 

 


Em Junho, a criação de bicho-da-seda que se faz na Quinta de Serralves pelo segundo ano consecutivo, encontra-se num momento especial em que é possível observar todas as fases de desenvolvimento do insecto que nos oferece esta fibra extraordinária, do ovo à borboleta. No próximo sábado dia 11 de Junho, usaremos este momento único como uma oportunidade para explorar a temática da produção da Seda e as técnicas necessárias para obter esta fibra fascinante.
Crianças e adultos poderão ficar a conhecer mais sobre o insecto, as especificidades da sua criação e experimentar a técnica da extração da seda utilizando casulos verdadeiros.

Orientação: Alice Bernardo, Helena Tomás, Paula Péres e Margarida Afonso (visita e experimentação) e Mª Teresa Frade (demonstração da manhã)
Dia: 11 de Junho (sábado);
Horário: 11h-13h e 15h-18h;
Local: Quinta de Serralves (Lagar);
Entrada: livre, mediante aquisição de bilhete Museu ou Parque;
Mais informações: www.serralves.pt
 



SÁBADO 11 DE JUNHO
15H-18H  QUINTA DE SERRALVES (LAGAR)



OFICINA PRÁTICA DE EXTRAÇÃO E LAVAGEM DA SEDA COM MªTERESA FRADE


 

Nesta oficina iremos aprender sobre a extração do fio da seda com a orientação de Mª Teresa Frade, uma artesã natural de Castelo Branco que nos irá ensinar como os casulos se transformam em fio. Em Portugal já se contam pelos dedos de uma mão os artesãos que ainda trabalham esta fibra extraordinária, e serão menos ainda os que conhecem os seus mistérios. Maria Teresa Frade fez da criação do sirgo e da produção de seda artesanal a sua profissão durante décadas. Esta oficina em Serralves é uma oportunidade única para receber parte do seu conhecimento.

Orientação: Mª Teresa Frade;
Dia: 11 de Junho (sábado);
Horário: 15h-18h;
Local: Quinta de Serralves (Lagar);
Público-alvo: crianças maiores de 12 anos e adultos;
Custo: 7.5€;
Lotação: 10 participantes com inscrição prévia;
Mais informações: www.serralves.pt

INSCRIÇÕES:
·         Na Receção do Museu: de 2ª a Domingo, no horário de funcionamento
·         Online (brevemente disponível)
·         Por transferência bancária, à ordem de Fundação de Serralves com o IBAN: PT50 0010.0000.86451970001.02 - enviando comprovativo e dados da inscrição por e-mail para apoio.se@serralves.pt; dados necessários para a inscrição: nome completo, endereço de e-mail, telefone/telemóvel.


**English translation coming soon**

Aprender a desenrolar casulos com a D.Teresa Frade

No ano passado achei-me com uma caixa cheia de casulos resultantes da nossa criação sem fazer ideia de como é que havia de extrair o fio de seda.
Nos dias que correm, em Portugal, não é propriamente fácil encontrar quem nos possa ensinar a fazer algo tão específico. A pequena unidade de produção que existia em Freixo de Espada-à-Cinta já fechou há muito e, apesar de ainda existir quem o saiba fazer por lá, os contactos que fizemos não surtiram efeito e eu já tenho experiência suficiente para saber que o conhecimento só é bem passado à geração seguinte quando há gosto em fazê-lo.

Ao mencionar esta dificuldade à Isabel e à Guida, elas lembraram-se de um certo filme em que a protagonista, que produzia seda na zona de Castelo Branco, falava com as lagartinhas com muito carinho.
Esse filme era o documentário realizado pela Catarina Alves Costa em 2003, chamado "A Seda é um Mistério", e a protagonista é a D.Teresa Frade, que até há bem pouco tempo produzia não só a sua seda, mas também o seu linho ("O Linho é um Sonho" é o outro filme da Catarina com a D.Teresa). 

Depois de uma breve pesquisa, consegui entrar em contacto com um grupo de professoras da Escola Superior de Educação de Castelo Branco, que têm levado para a frente actividades e investigações relacionadas com a Seda (entre outras) no Centro Ciência, Tradição & Cultura e que rapidamente me marcaram um encontro com a D.Teresa para que eu pudesse aprender a desenrolar os benditos casulos.
Sem as professoras Helena Tomás, Paula Péres e Margarida Afonso, nada feito!

Aprender a desenrolar casulos é algo que eu já queria aprender há muito tempo, desde que vi a Susana a fazê-lo em Freixo. Não é preciso explicar porquê, é simplesmente fascinante!
Quando falei com a D.Teresa ao telefone, para lhe explicar que andava à procura de alguém que me ensinasse a desenrolar os casulos, ela limitou-se a responder: "Então, ensino-lhe eu!". Perfeito.

Por isso, em Outubro, lá fui a Castelo Branco conhecer a D.Teresa e aprender um pouco com ela.
O método é semelhante ao que já tinha observado, mas desta vez pude aprender mais sobre os pormenores que fazem toda a diferença para que o trabalho corra bem.
Não é difícil desenrolar os casulos, mas é difícil desenrolar bem, controlando a espessura do fio que estamos a enrolar no sarilho (que é composto por vários casulos), sem que fique demasiado grosso nem parta.
O processo tenho de o descrever num post à parte, porque tem que se lhe diga e este já vai longo.

Hoje queria falar da D.Teresa porque uma das coisas que sempre quis fazer foi tornar acessível a informação que está encerrada na experiência destes artesãos que vou encontrando, principalmente de ofícios que, continuando a ser relevantes, são cada vez mais difíceis de encontrar.
Apesar da D.Teresa não gostar nada de viajar, conseguimos convencê-la a vir ao Porto no próximo dia 11 de Junho, fazer demonstrações (da parte da manhã) e dar uma excepcional Oficina Prática de Extração e Lavagem de Seda (da parte da tarde), com lotação limitada a 10 pessoas, que vai decorrer na Quinta de Serralves.
Na verdade, todo o dia será dedicado à produção de seda, com bichos-da-seda, ferramentas, material pedagógico, bem como imensos casulos para fazer experiências e aprender sobre a produção de seda, mas os ensinamentos da D.Teresa são um ponto alto!

A descrição da oficina está aqui, bem como a informação necessária para fazer a inscrição, que em breve também estará actualizada no site de Serralves.


Learning to reel cocoons with Teresa Frade

Last year I found myself with a box full of cocoons and no idea at all on how to reel them into yarn.
It's not exactly easy to find someone to teach you this technique, in Portugal. The small production unit that existed in Freixo de Espada-à-Cinta had closed long ago and although there is still people that know how to do this over there, my attempts at finding someone came out empty.
I was talking about this to Isabel and Guida when they mentioned a short film they had seen in which the lady featured, that produced silk in Castelo Branco, talked to her silkworms as they were their kids.
That film was a documentary called "Silk is a Mistery", directed by Catarina Alves Costa in 2003 and the lady in it was Teresa Frade, that up until not long ago bred her own silkworms and grew her own flax ("Flax is a Dream" is the other documentary featuring Teresa, also directed by Catarina).

After a little research, I found a group of teachers in Castelo Branco that run the  Centro Ciência, Tradição & Cultura, in which they develop several activities and training related to several crafts, including silk, and short after I had a meeting set up with Teresa to learn to reel cocoons.

Learning to reel cocoons is something I had been wanting to learn for a long time, ever since I saw Susana doing it in Freixo. Long explanations are not needed, it's simply fascinating!
When I talked with Teresa to explain her that I was looking for someone to teach me, she quickly answered: "I'll teach you, then!". Perfect.

Last October, there I went to Castelo Branco to learn a little bit with Teresa and get our silk done.
The method is similar to the one I had seen, but this time I had the chance to try my hand at it and learn about the details that make all the difference.
Reeling cocoons is not difficult, but it takes experience to do it well, controlling the thickness of the yarn (which is composed by several cocoons), without it being to thick or breaking.

But today I wanted to talk about Teresa because one of the goals for my work is to make available the know-how that is enclosed in the experience of these crafstmen and women that I keep meeting.
So I'm happy to announce that although Teresa does not enjoy traveling at all, after much effort, we were able to convince her to come up to Porto, the next 11th of June, and teach a unique Silk Reeling and Washing workshop at Serralves Farm!
The whole day will actually be devoted to silk production, with silkworms, several tools, materials, demonstrations and experiments, but this will be a highlight in the day.

The description for the workshop is already up on the site and the registrations are open: it will be limited to 10 people. This information will also be soon updated in Serralves website.

A encasular
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Metade das nossas lagartas já entraram no último ínstar, a desatar a comer folhas de amoreira negra que nem umas loucas, como é típico dos dias que antecedem o início da construção do casulo. 
Algumas pioneiras já começaram a encasular, mas desta vez não me apanharam [tão] desprevenida: já tinha uma estrutura preparada para elas e já lhes conheço melhor os sintomas que antecedem o encasulamento.

A outra metade da criação, que é mais pequena este ano, ainda está atrasada, o que é bom porque no próximo dia 11 de Junho há um dia inteiro de demonstrações e oficinas sobre a produção de Seda, (incluindo uma oficina prática de extração da seda dos casulos com a MªTeresa Frade) e gostava de chegar lá com as diversas fases do bicho-da-seda: ovos, lagartas, pupas e borboletas. Vamos ver se não me pregam uma rasteira.

O video é um timelapse, mas quando olhamos para um tabuleiro sem folhas depois de as termos alimentado dois minutos antes, temos a sensação de que esta é a velocidade real a que comem.


Cocooning  

Half of our silkworms have entered the last instar and have started to feed on black mulberry leaves like crazy, as they should in the days before cocooning.
Some early birds have already started cocooning, but this time around I was more prepared: I had a cocooning structure ready and I recognize a little better the "cocooning symptoms".

The other half of our silkworms is a little bit late, which is a good thing, because on the next saturday the 11th of June we'll be having a whole day in Serralves dedicated to Silk production, including silkworm rearing and cocoon reeling demonstrations and workshops. I would like to get to the day with all the silkworm stages happening: eggs, worm, pupae and butterflies. Let's see if they don't play a trick on me.

The video is a timelapse, not real time, but this is the speed we feel they are actual feeding to when we spread the mulberry leaves and look back after 2 minutes to find they already ate everything.

pormenores

Uma coisa que devia ter feito no ano passado, mas não fiz, foi separar as gerações que nascem em dias diferentes, para que os bichos do mesmo conjunto passem pelas mesmas fases em simultâneo.
Quando chegamos à fase de encasulamento e andei às voltas* a tentar perceber quem é que já estava pronto para encasular e quem é que ainda precisava de se alimentar, ter tido esta pequena atenção inicial tinha ajudado muito.

*Se andaram aqui no blog à procura do resto do relato da produção e processamento da Seda do ano passado, como me atrasei tanto nos posts e com as lagartas deste ano já nascidas, decidi que ia acompanhar os timings da criação deste ano, para não confundir. Ou seja, falarei do encasulamento quando a geração deste ano estiver a encasular para não escrever duas histórias desfasadas.
Se quiserem mesmo ver, tenho aqui arquivadas a totalidade das imagens do ano passado e aqui estão alguns vídeos, também.


details

Something I should have done last year was to separate the generations born in different days, so that the silkworms in the same group go through the same phases at the same time.
When we got up to the cocooning stage and I was trying to figure out how to tell apart the silkworms that were ready to cocoon and those that were still feeding, this little detail would have made my life easier.

*If you're wondering where the rest of the story of our silk production from last year is, since I got so late telling it and this year's generation is already here, I've decided to talk about the rest according to this year's timing, as to make less confusion. That means I'll talk about the cocooning stage when this year's silkworms start cocooning.
If want, you can check the full photo archive available here and the videos, available here.

Aquela altura do ano outra vez
11.04.2016: Lagartas do bicho-da-seda recém-nascidas /  Newborn silkworms

11.04.2016: Lagartas do bicho-da-seda recém-nascidas / Newborn silkworms

Sim, é verdade. Nem consegui acabar de contar a história da nossa produção de seda do ano passado e já cá estão as lagartas de 2016. Mas pronto, é o que acontece quando se quer pôr uma quinta a produzir seda, linho, lã e escrever sobre isso, fazer um estudo sobre lãs portuguesas, manter uma loja a funcionar e ainda ter um bébé pelo meio. 

Eu estava a planear acabar o relato assim de rompante, enquanto mantínhamos as lagartas num sítio fresco e escuro para atrasar um bocadinho a eclosão delas, mas a Natureza é que manda e poucos dias depois das amoreiras se encherem de folhas, a maior parte das lagartas decidiu nascer enquanto os ovos ainda estavam guardados dentro dos envelopes.
Quando fomos abrir para confirmar que estava tudo intacto, encontramos dezenas e dezenas de lagartas perdidas dentro dos envelopes. A minha reacção inicial foi pensar que estava tudo perdido e que este ano não ia haver seda para ninguém, mas como tenho tendência para ficar a olhar para o leite derramado, ou neste caso para as lagartas prematuras, consegui perceber que a maior parte ainda estava viva, à espera que as pusessem num sítio mais confortável e que lhes dessem de comer rapidamente.
Executada a operação de salvamento e aguardados uns dias, verificamos que a maior parte sobreviveu e que, felizmente, muitos dos ovos ainda não tinham eclodido.
Lição aprendida.

Hoje, as mais velhas já tem uns dez dias (aqui estão elas a perguntar onde é que está o lanche) e uma parte nasceu apenas ontem, por isso desta vez consegui fotografá-las mesmo desde o início.


it's that time of the year again

Yes, it's true. I didn't even finish telling the story of last year's silkworm raising and silk reeling and the 2016 silkworms are here already. But that's what happens when you want to get a farm to produce, wool, flax, silk, write about that, make a study about portuguese wool, run a shop and also have a baby by the way.

I was planning making a bunch of posts at once and finishing the story while the eggs were kept in a dark, cool place as to prevent their unwanted hatching, but Nature is the big boss and a few days after the black mulberry trees got their new leaves, most of the silkworms decided to hatch while still in the envelopes.
One of the times we opened it to check everything was ok, we found dozens of silkworms laying around. My initial reaction was to think this year's production was gone and there's not going to be any silk for anyone, but since I have a tendency to stare at spilled milk, or, in this case, at premature silkworms, I noticed that most of them were alive and hanging around, waiting to be put in a more comfortable place and fed.

After performing a swift rescue operation and waiting out a few days, I guess most of them survived and, luckily, many of the eggs hadn't hatched yet.
Lesson learned.

Today, the oldest are 10 days old (here they are, wondering where their food is) and a couple of dozen was born about yesterday, so I managed to photograph them since the beginning, this year.

 

11.04.2016: Lagartas do bicho-da-seda recém-nascidas /  Newborn silkworms;

11.04.2016: Lagartas do bicho-da-seda recém-nascidas / Newborn silkworms;

20.04.2016: Lagartas do bicho-da-seda com 10 dias /  10 days old silkworms;

20.04.2016: Lagartas do bicho-da-seda com 10 dias / 10 days old silkworms;

20.04.2016: Lagartas do bicho-da-seda com dez dias e outras de eclosão mais recente /  silkworms 10 days old side-by-side with others that hatched more recently;

20.04.2016: Lagartas do bicho-da-seda com dez dias e outras de eclosão mais recente / silkworms 10 days old side-by-side with others that hatched more recently;

A primeira a encasular

Andava eu a pensar "Mas quando é que estas lagartas vão começar a encasular?", quando encontramos esta pioneira a trabalhar, alojada na lateral de uma das caixas de madeira.
Encontrada esta primeira, e não sabendo ainda o grau de sincronização entre todas as lagartas, tive um bocado de receio que começassem todas a encasular ao mesmo tempo, da noite para o dia, e que eu não tivesse tempo para preparar estruturas adequadas para o efeito. Seria o caos.
Por isso, passo seguinte: aprender a reconhecer os sinais de que uma lagarta está prestes a encasular e descobrir qual é o sítio ou estrutura ideal para que o possam fazer. Rápido.

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[22.05.2015 / Este post refere-se à investigação e actividades desenvolvidas no âmbito do programa Saber Fazer em Serralves ]


The first one

The thought on my mind was “But when will these silkworms start cocooning?”, when we found this pioneer working on her cocoon, on one of the sides of the wooden trays.
Having found this first one, and not knowing how synchronized they all were, I was a bit afraid that they would all start cocooning overnight simulteaneously, leaving me with no time to provide them with adequate cocooning structures.
So, next step: learning how to recognize the signs of a silkworm that is about to start cocooning, and find out what kind of structure would work well for this stage. And better do it fast.

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[ 22.05.2015 / This post refers to the investigation and activities developed during the Saber Fazer em Serralves program]

Vê-las a crescer

Nascem com cerca de 1mm e crescem até cerca de 7.5cm, mesmo antes de começarem a dar sinais de quererem encasular. 
Quando propus que fizessem uma criação de bichos-da-seda em Serralves, com vista à produção de fibra, pensei em começar com umas poucas lagartas - umas 150 no máximo - não só porque o faríamos pela primeira vez, mas porque não tinha a certeza quanto à quantidade de alimento necessária e se as amoreiras do parque seriam suficientes.
Em Bragança ofereceram-nos um envelope cheio de ovos, que não foram propriamente contados e mais à frente verificamos que tivemos cerca de 720 bichos-da-seda. Bem longe dos 150 que tinha imaginado.
Mas Serralves conta com 3 exemplares de Amoreira Negra, já adultos, que chegaram perfeitamente para alimentar estes 720. 

Com a experiência, viemos a aprender que o ciclo delas entre o nascimento e o encasulamento se processa tanto mais rápido ou mais lento de acordo com a estabilidade das condições em que vivem e da quantidade de alimento disponível.
Quero dizer que elas vão consumir sensivelmente sempre a mesma quantidade de alimento durante o crescimento, mas o ciclo prolongar-se-á mais se lhes dermos menos alimento de cada vez, ou será mais rápido se as deixarmos alimentar-se bastante bem e várias vezes ao dia. Ou seja, convém mantê-las sempre alimentadas com abundância, porque acabam por encasular mais rápido e isso corresponde a menos dias de manutenção. Além de que também aprendi que, com o prolongamento excessivo desta fase de crescimento, elas podem ficar "cansadas" e têm depois mais dificuldades em encasular, o que leva algumas a ficar pelo caminho.
No início talvez baste alimentá-las duas vezes por dia, mas na fase final, em que se tornam muito vorazes, quatro vezes por dia seria o mínimo. Nesta fase chegamos ao ponto em que colocávamos folhas no primeiro tabuleiro e, quando chegávamos ao quinto ou sexto, o primeiro já estava vazio.

Resumindo: manter as instalações delas bem limpas, sem qualquer tipo de humidade (é fácil a humidade combinada com os dejectos e restos de folhas darem maus resultados), temperatura amena e estável (elas começam a desenvolver-se mais lentamente, se a temperatura baixar demasiado) e alimentá-las generosamente com folhas frescas. Como a higiene se mantém sempre crucial, convém lavar as mãos antes e depois de fazer a manutenção.

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[27.04.2015- 19.05.2015 / Este post refere-se à investigação e actividades desenvolvidas no âmbito do programa Saber Fazer em Serralves ]


Watching them grow

They are born measuring about 1mm and they grow to be approximately 7,5cm, before starting to show cocooning signs.
When I suggested to raise silkworms in Serralves, for textile purposes, I was thinking about starting with a few - something around 150, not only because we were doing it for the first time, but also because I wasn’t sure about how much food they needed and if the Serralves mulberry trees were enough.
In Bragança they gave us an envelope full of eggs, that we didn’t exactly count, and further ahead we counted 720 silkworms. Something far from the 150 I had planned. But Serralves has three fully grown black mulberry trees, and they were more than enough to feed those 720 silkworms. 

With this experience we came to understand that their cycle, between hatching and cocooning, can develop faster or slower accordingly with the stability of the conditions they live in, and the amount of food available.
This means they will eat the same amount of food while they grow, but this phase will take longer if we feed them less each time, or faster if we feed them well and several times a day. So, we should keep them well fed, because they end up cocooning faster and we end up spending less time taking care of them. And also learned that, when they take too long to reach the cocooning stage, they can become too tired and not have enough strength to cocoon, making a poor cocoon or even dying.
At the beginning, feeding twice a day may be enough, but at the end of the growing stage, when they get really voracious, four times a day would have been the minimum. At this phase we reached a point where we placed fresh leaves in the first tray, and when we got to the fifth or sixth, the food from the first tray was all gone.

In short: keep their trays clean, without any humidity except for the one present in the fresh leaves, warm and stable temperature (they slow down if the temperature drops too much) and feed them abundantly with fresh cut mulberry leaves.

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[ 27.04.2015- 19.05.2015 / This post refers to the investigation and activities developed during the Saber Fazer em Serralves program]

nom, nom, nom.

Porque ver lagartas a comer é relaxante.

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[06.05.2015 / Este post refere-se à investigação e actividades desenvolvidas no âmbito do programa Saber Fazer em Serralves ]


Nom, nom, nom.

Just because watching silkworms eat is relaxing.

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[06.05.2015 / This post refers to the investigation and activities developed during the Saber Fazer em Serralves program]

Ampliação das instalações

As lagartas crescem e com elas também tem de crescer o número de tabuleiros em que as temos. De um tabuleiro passamos a cinco.
Convém que o número de lagartas por tabuleiro seja controlado e que elas estejam espalhadas o máximo possível. Não queremos que as camadas de folhas se acumulem, tanto por razões de higiene (para que não comecem a acamar e a criar humidade), como para que as lagartas tenham fácil acesso ao alimento fresco. Quando colocamos as folhas novas por cima, elas vão mover-se na sua direcção, mas é bom que as folhas não estejam demasiado longe, porque elas não percorrem grandes distâncias. Por isso o ideal é passarem directamente para a camada acima de onde se encontram.

O bicho-da-seda é um animal domesticado e foi desenvolvido ao longo de séculos não só para melhorar a produção de seda, mas para que a sua criação fosse muito facilitada. Isto quer dizer que, por uma questão de conveniência, o animal foi apurado para ser bastante dócil e pouco empreendedor. As lagartas do bicho da seda, nesta fase larvar (quando têm de encasular a história já é outra), não saem do local onde está o alimento, e também não se movem grandes distâncias em busca dele, daí que tenhamos de assegurar que o têm bem próximo.
Da mesma forma, as borboletas que nascem destas larvas foram desenvolvidas para não voarem e para terem um tempo de vida bastante curto naturalmente, durante o qual a única missão é a reprodução, já que nem aparelho bucal para se alimentar possuem.

Aqui há umas semanas atrás, encontrei o relato do Bryan, que vive no Japão e produz a sua própria seda há bastantes anos, acerca de como no meio das suas lagartas domesticadas deste ano encontrou umas selvagens, e descreve um pouco a diferença de comportamento:

"(...) The silkworms this time around are not all behaving as they should. I noticed a few kuwako, the wild silkworms that occasionally come in on the mulberry from the field.
Then I noticed a few more. They walk around and stand on their simpler brothers and sister's heads and behave in other cheeky ways.  Climbing up the walls and running across leaves. (...)".


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[29.04.2015 / Este post refere-se à investigação e actividades desenvolvidas no âmbito do programa Saber Fazer em Serralves ]


Housing extension

The silkworms are constantly growing and the number of trays grow with them. From one tray we went to have five.
It’s good to control the number of silkworms per tray, and that they are spread out as much as possible, keeping the space not too crowded. We don’t want the leaf layers to accumulate a lot, both for hygiene reasons (so that it doesn’t start to create moisture in the tray), but also for the worms to have easy access to fresh food. When we place fresh leaves on top, they will move in their direction, but the leaves better no be too far away, because they won’t move that far. So, it’s best if they can go directly from one layer to the other without much trouble.

The silkworm is a domesticated animal and it was developed during centuries not only to improve the quality of the silk produced, but also to make its rearing easier. This means that the animal has been bred to be docile and not very entrepreneurial. Silkworms, in this larval stage (when they start to cocoon its a different story), don’t leave the place where the food is, and they won’t move a great distance to find it either, so we need to assure they have it close to them.
In the same manner, the butterflies will not fly away and they have a very short lifespan, during which their only purpose is to reproduce, since they can’t even feed.

A few weeks ago, I read this post from Bryan, that lives in Japan and breeds his own silk moths, about how in the middle of his domesticated silkworms he found a few of the wild ones, and describes the behavior difference:

"(...) The silkworms this time around are not all behaving as they should. I noticed a few kuwako, the wild silkworms that occasionally come in on the mulberry from the field.
Then I noticed a few more. They walk around and stand on their simpler brothers and sister's heads and behave in other cheeky ways.  Climbing up the walls and running across leaves. (...)".

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[29.04.2015 / This post refers to the investigation and activities developed during the Saber Fazer em Serralves program]

os ínstares e as mudas
Vestígios da muda de pele entre o primeiro e o segundo ínstar. / Traces of the silkworm moulting between the 1st and 2nd instar;

Vestígios da muda de pele entre o primeiro e o segundo ínstar. / Traces of the silkworm moulting between the 1st and 2nd instar;

As lagartas do bicho da seda, entre eclosão e encasulamento, sofrem um aumento de tamanho incrível e periodicamente têm que mudar a pele para conseguirem crescer - nascem com uns poucos milímetros e atingem cerca de 7 ou 8 centímetros antes de se preparar para encasular.
As lagartas desta raça passam especificamente por cinco ínstares (ou idades) e é entre um ínstar e o outro que ocorre a muda de pele, ou seja, mudam de pele quatro vezes. A primeira muda ocorre sensivelmente uma semana após a eclosão.
Como não as tenho a "viver" comigo (vivem felizes e contente no borboletário em Serralves), caso contrário estaria de olhos sempre postos em cima delas, nesta fase inicial não vi nenhuma exactamente durante o processo de muda, mas como sou eu que controlo o crescimento delas e faço a manutenção dos tabuleiros, apanhei os vestígios do processo nas folhas velhas.
Durante o processo de muda, que costuma demorar 24h, não se alimentam nem se movem muito - os japoneses dizem que elas estão a "dormir".

Os timings em que este tipo de coisas acontece, sejam as mudas de pele, sejam as eclosões ou encasulamentos, não é rígido nem matemático. Quando começamos a criação, tinha certas expectativas temporais que não corresponderam ao que aconteceu na realidade. O desenvolvimento do bicho-da-seda pode ser mais ou menos rápido de acordo, por exemplo, com a variedade do animal, quantidade de alimento disponível, temperatura das instalações e a estabilidade do conjunto de condições em que são criados.
Os nossos, apesar de terem crescido sem problemas e num ritmo constante, parece-me que foram mais lentos no desenvolvimento do que seria de esperar.

 

[27.04.2015 / Este post refere-se à investigação e actividades desenvolvidas no âmbito do programa Saber Fazer em Serralves  ]


Instars and moultings

Silkworms, in the larval stage, go through an enormous size increase and, periodically, they need to shed their skin in order to be able to grow - they are born with just a few millimeters and they grow to be 7 or 8cm long before cocooning.
They go through 5 instars and they shed their skin in between them. So, they shed their skin four times during larval stage. The first molt occurs about a week after hatching. Since the silkworms aren’t “living” with me (they are happily installed in Serralves), otherwise I would be obsessively watching over them, in this initial stage I didn’t see any of them go through the molting, but since I am the one checking on their growth and keeping them, I caught the old skins left on the leaves.
During the molting period, which lasts about 24h, they don’t feed or move a lot - the japanese say they are “sleeping”.

The timings for this type of events, be the molts, the hatching or cocoonings, are not mathematic. When we started with this silkworm breeding I had time expectations that didn’t match the reality. Silkworm development can be faster or slower according, for exemple, with the variety of the animal, the amount of food available, room temperatura and overall stability in rearing conditions.
Our, it seems to me, have been slower in developing, although they grew well and steady.

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[27.04.2015 / This post refers to the investigation and activities developed during the Saber Fazer em Serralves program]

Limpar. Alimentar. Repetir.
[20.04.2015 - cerca de uma semana após a eclosão dos ovos de bicho-da-seda] /      [20.04.2015 - about a week after the silkworm eggs hatched]

[20.04.2015 - cerca de uma semana após a eclosão dos ovos de bicho-da-seda] / [20.04.2015 - about a week after the silkworm eggs hatched]

Durante as semanas de crescimento entre a eclosão dos ovos e o início da fase de encasulamento, a manutenção das lagartas resume-se praticamente a limpar as instalações das bichinhas, alimentá-las, e voltar a repetir o processo enquanto as vemos crescer.
Ao contrário de metade da população deste país, eu nunca tive lagartas do bicho-da-seda numa caixa de sapatos quando era miúda, por isso é a primeira vez que estou a acompanhar o crescimento delas e a aprender à medida que o faço.

Nasceram no berçário que existe no borboletário em Serralves, que tem uma forma estilo aquário, mas que para a manutenção das lagartas, mesmo nesta fase inicial, não é nada prático - demasiado estreito e fundo.
Passei-as para um tabuleiro largo, forrado com papel que é deitado fora juntamente com os dejectos (aquelas bolinhas negras) a cada limpeza. Também retiro as folhas velhas, passando alguma lagarta que tenha ficado para trás para as folhas novas. Como nesta fase são muito pequenas - nem 1 centímetro têm - pego nas que ficam para trás com a ajuda de uma folha.
Do que li sobre esta fase do crescimento das lagartas e respectiva manutenção, a higiene é chave.
Basicamente, acumulação de dejectos com folhas velhas é igual a potenciais doenças - isto pode intensificar-se se o ambiente estiver húmido. E tirando casos pontuais de lagartas menos saudáveis que vão ficando para trás, se a doença se instala, é para afectar uma grande quantidade delas. 
Quando se tem meia dúzia de lagartas numa caixa, esta questão não é tão importante: de vez em quando faz-se uma limpeza e não surgem problemas - é por isso que o bicho-da-seda é tão apreciado como animal de estimação. Mas quando se faz criação de alguns milhares, a escala é outra e os cuidados a ter também.
Aqui não temos milhares, apenas centenas, mas as imagens que já vi de lagartas doentes foram suficientes para me deixar alerta e tentar garantir que os tabuleiros estejam sempre bem limpos e secos.
Pela mesma razão, é importante ter as mãos limpas antes de tratar das lagartas e, obviamente, lavá-las depois.

Nesta fase, ainda de tamanho reduzido, alimentamos as lagartas uma vez por dia com folhas colhidas das amoreiras na hora. É importante garantir que as folhas estão frescas, mas sem humidade à superfície (gotas de orvalho, chuva, etc). 
Não convém que as lagartas passem dias sem comer, por isso, durante o fim-de-semana, a Carlota deixa um lote de folhas no frigorífico para que quem lá esteja nessa altura possa alimentá-las.  
Guardar as folhas frescas no frigorífico durante uns dias é uma boa solução também para quem faz criação e não tem amoreiras sempre à mão. 

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[20.04.2015 / Criação do Bicho-da-Seda para o Saber Fazer em Serralves ]


Clean. Feed. Repeat.

 

During the growth weeks in between the hatching and the cocooning, silkworm rearing is basically about cleaning the installations, feeding them, and repeat the process while we watch them grow.
Unlike half the population in this country, I never had silkworms in a shoebox when I was little, so it is the first time I’m accompanying their growth and learning about that while I do it.

They were born in the nursery in the butterfly house in Serralves, which is shaped like an aquarium, but that for silkworm rearing, even in this initial stage, is not practical at all - it’s too narrow and deep.
I transferred them to a wide tray, lined with paper on the bottom, that I throw away at each cleaning, along with the excrements (those black dots). I also remove the old leaves, transferring any silkworm that is left behind over to the new leaves. They are so small at this time (it has been only about a week since hatching and they’re not even 1cm long), so I use a leaf to pick them up.

From what I’ve read about this silkworm rearing phase, hygiene is paramount.
Basically, excrement accumulation plus old leaves equals potential disease. And except for those single cases of less healthy individuals that won't make it naturally, when a disease appears, it affects a big portion of the population.
When you’re raising a few silkworms in a shoebox, maybe this issue isn’t that important: once in a while you clean the box and that’s that. That’s why silkworms are so appreciated as pets. But when you’re raising a few thousands, that’s a different scale and care must be taken.
We don’t have thousands, only a few hundreds, but the photos I’ve seen of sick silkworms were more than enough to make me a little paranoid and try to make sure that the trays are always clean and dry.

For the same reason, it’s important to wash your hands before handling them, and, of course, afterwards.

At this stage, we have been feeding them once a day with fresh cut leaves from the black mulberry trees. It’s importante to guarantee that the leaves are fresh, but not wet - no dew or rain drops.
They should be fed every day without exception, so, during the weekend, Carlota leaves a fresh batch of leaves in the fridge for them to be fed by whoever was around. Keeping leaves in the fridge for some time might be a good solution if you want  to raise silkworms, but don’t have a mulberry tree in you backyard.

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[20.04.2015 / Silkworm breeding for the Saber Fazer em Serralves program]

Recém-nascidos

As nossas lagartas do bicho-da-seda nasceram já há uma semana e pouco. Foram muito poucos os ovos que não chegaram a eclodir, o que é óptimo. 
Umas autênticas comilonas, têm sido alimentadas com as folhas mais tenrinhas das amoreiras negras que moram em Serralves. Diz-se que o alimento deve acompanhar o crescimento da lagarta: lagartas pequenas, folhas pequenas, e vice-versa. Nesta fase, temo-las mantidas bem alimentadas e os tabuleiros bem limpos, para garantir que não ficam doentes.
 

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[20.04.2015 / Criação do Bicho-da-Seda para o Saber Fazer em Serralves ]


The newborns

Our silkworms hatched a week or so ago! Only a few of the fertilized eggs didn't hatch, which was great.
They eat a lot and we've been feeding them with the
black mulberry tree leaves that live in Serralves. They say the size of their food should grow as the worms grow: baby worms will eat baby leaves, and vice-versa.
At this stage we've just been keeping them well fed and the trays well clean, as to make sure they don't get some disease.


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[15.04.2015 / Silkworm breeding for the Saber Fazer em Serralves program]

Os ovos do bicho-da-seda
ovos-bicho-da-seda

A minha ideia para encontrar quem cedesse os primeiros ovos do bicho-da-seda era recorrer ao Centro de Artesanato de Freixo de Espada à Cinta. Foi onde, em 2011, consegui observar e perceber o Ciclo da Seda todo, do ovo ao fio. Mas acontece que nunca mais lá fui desde essa altura, e acabei por só saber este ano que o Centro foi encerrado em meados de 2012.
Ao que parece, o ciclo continua a ser perpetuado por uma senhora que ficou encarregue pelo poder local de o fazer, mas deixou de estar aberto ao público, e como praticamente tudo o que está sob o poder institucional em Portugal se torna opaco e pouco ágil, não houve contacto que fizéssemos que obtivesse resposta em tempo útil. Virou-se a página e procurou-se outra via.
À custa deste falhanço, aprendi que na Casa da Seda, que faz parte do Centro de Ciência Viva de Bragança, se faz criação do bicho-da-seda, embora não processem a fibra. Com um simples telefonema e um singelo pedido, até enviam os ovos até por correio. A finalidade da criação na Casa da Seda é pedagógica, e portanto é feita para efeitos de demonstração, mas também disseminam o bicho-da-seda por quem se interessa, sendo que normalmente são as escolas que pedem. Como a criação é feita pelas próprias técnicas da Casa da Seda, também foram elas uma fonte fiável e extremamente simpática no que diz respeito a esclarecer todas as dúvidas que tínhamos inicialmente, próprias de quem ainda não tem experiência nenhuma.

Estes ovos, naturalmente, foram postos no ano passado. Para ficarem conservados até ao ano seguinte, foram simplesmente guardados dentro de um envelope de papel, num sítio fresco e seco - normalmente ficam no armazém do Centro de Ciência Viva. Só quando as folhas das amoreiras começam a despontar, no início da Primavera, é que os ovos são retirados do armazenamento, para que a eclosão aconteça apenas quando já há alimento disponível.
Quando os fomos buscar ainda estávamos no início de Março e, por isso, nada de folhas nas amoreiras negras de Serralves. Ficaram então também guardados à espera da altura certa.
Nas imagens vemos ovos de cor castanha e uns poucos de tom amarelo. Os amarelos são os ovos que não chegaram a ser fertilizados e assim só contamos com os mais escuros para eclodirem.

Eu sei que há ainda imensas pessoas por aí que fazem a criação do bicho-da-seda por curiosidade, e arranjar a "semente" não seria tão difícil assim, já que cada borboleta põe entre 200 e 500 ovos, mas acho óptimo que haja uma instituição que faça da actividade uma coisa corrente e acessível a qualquer um, até à distância.
 

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[11.03.2015 / Criação do Bicho-da-Seda para o Saber Fazer em Serralves ]


The silkworm eggs
 

My first idea, to find someone who could offer us the silkworm eggs, was to contact the Centro de Artesanato de Freixo de Espada à Cinta. That's where, back in 2011, I got to see the whole cycle, from egg to yarn. But I hadn't been there since that time, and I came to know only now, that the Center was shut down in mid 2012.
They say that there is one lady responsible for keeping the silk cycle, but it is no longer available to the public, and like most things that under the institutional power in Portugal become opaque and not very agile, in spite of the several contacts we made, there was no answer. So, we turned the page and looked for another solution.
Because of this failure, I learned that in the Casa da Seda, that is a part of the Centro de Ciência Viva de Bragança, they still breed the silk worm, although they don't process the fiber. With just a phone call and a simple request, they will even mail you the silkworm eggs. Since their goal is to teach about the silkworm and its life cycle, they try to offer the eggs to those that also have an interest, but it's usually schools and children that request them. Since the silkworm breeding is also carried by the Casa da Seda own technicians, they were also wonderful at answering all our questions.

Obviously, these eggs were layed by last year's butterflies. They keep them stored until the next year by keeping them inside a paper envelope, in a cool and dry place. Only when the mulberry tree leaves start to grow, in Spring, do they take the eggs out of storage, so that they can resume their cycle, but only when their food is already available.
When we picked them up it was early March and the black mulberry trees in Serralves were still naked, so we also kept them in storage until now.
In the above photos, you can see most eggs are of a brown colour, and then a few are bright yellow. The yellow ones are the ones that are were not fertilized last year. Only the darker ones were expected to hatch.


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[11.03.2015 / Silkworm breeding for the Saber Fazer em Serralves program]