Posts tagged lã portuguesa
Amostras do que aí vem
Base de lã de Merina Branca com velo de Churra da Terra Quente / White Merino wool with Churra da Terra Quente fleece

Base de lã de Merina Branca com velo de Churra da Terra Quente / White Merino wool with Churra da Terra Quente fleece

Lã Bordaleira de Entre-Douro-e-Minho

Lã Bordaleira de Entre-Douro-e-Minho

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Estas são algumas das amostras em que a Ana Rita anda a trabalhar para a oficina de Feltragem que virá cá orientar no próximo dia 24 de Fevereiro. Vamos trabalhar exclusivamente com diferentes lãs portuguesas para ficar a conhecer as suas características e comportamento durante o processo de feltragem, e explorar diferentes técnicas de modelação: pregas, rendilhados, laminados e trabalhar com velo em bruto também. 
Esta oficina vai ser uma estreia, já que a feltragem é o assunto que menos tenho explorado, mas sobre o qual tenho imensa curiosidade e no qual vejo muito potencial.
Quem conhece a Ana Rita já conhece a sua energia, bem como a capacidade de explorar diferentes técnicas e formas de expressão, por isso as expectativas para esta oficina são altas!

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These are some of the samples Ana Rita has been working on for our upcoming Felting workshop. We'll be working exclusively with several types of portuguese wool to get to know their characteristics and behavior under the felting process, and also explore different modeling techniques.
This workshop is going to be a first, mostly because Felt has been the theme that I have explored the least, but one that I'm immensely curious about.
Those that know Ana Rita know her energy, as well her capacity to explore different techniques and forms of expression, so expectations are high for this workshop!

A penteação e o outro lado das lãs portuguesas
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Pentear lã com os pentes da Louet tem sido, nos últimos tempos, um dos meus maiores prazeres. Então quando tenho nas mãos uma beleza como este merino cinza claro que trouxe da Ancorme há um par de semanas, o resultado é qualquer coisa de especial. Conseguem ver nas fotos como se mantêm os reflexos castanhos no penteado final? É lindo.

Apesar de escolher cardar vs pentear ser absolutamente determinante no tipo de fio que se vai fiar, quando comecei a aprender a trabalhar a lã, ensinaram-me a cardar como se não existissem mais opções (nem houvesse necessidade de existirem!). E de facto, em Portugal, a cardação é na maior parte das vezes o único método de preparação da fibra utilizado no trabalho artesanal, salvo em algumas regiões onde a lã produzida pela raça local é de tal forma longa que praticamente exige ser penteada. 

Embora já soubesse que os resultados obtidos utilizando um método vs o outro são radicalmente diferentes, não deixei de ficar surpreendida quando comecei a pentear lãs portuguesas que até então só tinha fiado cardadas. Foi como conhecer um lado novo de alguém que eu achava que já conhecia muito bem.
É que o que a penteação faz (e a cardação não) é separar as fibras mais longas das mais curtas, enquanto as alinha. Se por um lado produz desperdício, que pode ser maior ou menor consoante a qualidade da lã, por outro lado permite-nos ficar apenas com as melhores fibras para trabalhar e isso faz toda a diferença. A forma como abre as fibras também tem a vantagem de ir soltando muito do pêlo morto e outros detritos que possam existir.
Acho que no nosso contexto específico, adicionar a penteação ao repertório não se trata apenas de alargar a gama de resultados que as nossas lãs podem oferecer, mas também tirar partido de outras vantagens que este método traz consigo. Uma dessas vantagens, segundo a minha experiência, é conseguir dar a volta àqueles velos menos bons, que facilmente nos vêm parar às mãos quando se vive num país como o nosso, onde os ovinos não são criados para lã.

Estes Mini Combs da Louet, que têm o condão de serem leves e práticos, sem deixarem de fazer um bom trabalho estão agora disponíveis na loja online para quem se quiser iniciar na penteação.

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Combing wool with Louet's mini combs has been one of my latest pleasures. And combing this gorgeous light gray portuguese merino that I brought from Ancorme a few weeks ago, makes it even more so. I don't know if you can see in the photos how the light brown shades show in the roving. It's beautiful.
Even though choosing to card vs combing is absolutely determinant of the yarn we're going to be spinning, when I was taught to spin wool, I was taught to card like there were no other options available (and there were no need for them!). In fact, in Portugal, carding is almost always the only fiber prepping method when handprocessing wool, maybe except in some regions where the wool from the local sheep breeds is so long that it practically demands to be combed.
Although I knew the results using one method vs the other are radically different, I was still surprised when combing and spinning portuguese wools that I had only spun carded until then. It was like seeing a whole new side of someone I though I knew really well!
The fact that combing separates the longer fibers from the shorter ones, allowing us to keep the best ones to work with, does make a lot of difference in making the most from the fleeces we get when you live in a country where most of the sheep are not raised for wool. It's so easy to find yourself with a not-so-good fleece in your hands, and I feel that combing instead of carding, could sometimes be a better option to make the most of it.

[wip] lãs portuguesas - um guia prático

A parte muito entediante de fotografar todas as amostras é a parte muito satisfatória de ver o trabalho a ganhar forma.
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The very tedious part of doing the sample photoshoot is the very satisfactory part of seeing your work finally come together. 

Entretanto: raças ovinas nacionais.

Enquanto não termino a maratona que está a ser o trabalho sobre as lãs produzidas pelas nossas raças autóctones, aqui fica um videozinho sobre as raças ovinas nacionais.
Imagino que já esteja um pouco desactualizado, quanto mais não seja porque já temos oficializadas mais umas quantas raças do que aquelas mencionadas, mas não deixa de ser interessante.

(via Ovinos Mirandeses)


While I don't finish the marathon that this small study about the wool from portuguese sheep breeds as turned into, here's a little video on the subject.
I'm sure this is a bit outdated by now, mainly because a few more breeds have been made official since then, but it's still very interesting.
In Portuguese only, but you can look at the pretty pictures.

(via Ovinos Mirandeses)

Lã Portuguesa - as madeixas em bruto
la-portuguesa
la-portuguesa
Imagens: Guida Fonseca; /  Photos: Guida Fonseca;

Imagens: Guida Fonseca; / Photos: Guida Fonseca;

Entretanto, os trabalhos de processamento e análise das lãs portuguesas prosseguem nas mãos da Isabel e da Guida, já em Viana do Alentejo.
Por aqui, vou partilhando algumas imagens do trabalho em progresso que vou acompanhando à distância. Nas imagens, podem ver as primeiras amostras das madeixas de cada uma das raças de ovinos autóctones, ainda em bruto.
Acho que posso dizer que ficamos todas surpreendidas com a variedade de lã que um pequeno país como o nosso tem para oferecer.

Para algumas raças mostramos ainda só a madeixa em branco, já que normalmente é a cor mais comum, excepto para a raça Merina Preta que se distingue exactamente por ser uma raça exclusivamente de lã escura, mas temos intenção de mostrar as variações de cor existentes no final do trabalho.

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[06.07.2015 / Este post refere-se à investigação e actividades desenvolvidas no âmbito do programa Saber Fazer em Serralves ]


Portuguese Wool -  the locks


In the meantime, the processing and analysis of the portuguese wools keep going, down in Viana do Alentejo, in Guida's and Isabel's hands.

I'll be sharing with you some of the images that they are sending me of this work in progress. Here, you can see images of sample locks from each breed, still unclean.
We're actually quite amazed by the variety of wool our small country has to offer.

For some breeds we're showing you the locks only in the white color, since that's usually the most common, except for the Black Merino breed that is set apart precisely for being exclusively of dark wool sheep, but we intend to show all the color variations by the end of this work.

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[06.07.2015 / This post refers to the investigation and activities developed during the Saber Fazer em Serralves program]

Velos e mais velos de lã portuguesa
Algumas mechas de lã das Bordaleiras de Entre Douro e Minho cá de Serralves. /  A few locks from the Bordaleira Entre Douro e Minho sheep that live here in Serralves.

Algumas mechas de lã das Bordaleiras de Entre Douro e Minho cá de Serralves. / A few locks from the Bordaleira Entre Douro e Minho sheep that live here in Serralves.

A Isabel a segurar uma pequena amostra da Churra Badana. /  Isabel holding a small sample of the Churra Badana, one of the longwool breeds we have.

A Isabel a segurar uma pequena amostra da Churra Badana. / Isabel holding a small sample of the Churra Badana, one of the longwool breeds we have.

O velo da Churra Galega Mirandesa, que bem se destacou entre todas as outras churras que nos chegaram. /  The fleece from the Churra Galega Mirandesa breed, that stuck out from all the other churras we got.

O velo da Churra Galega Mirandesa, que bem se destacou entre todas as outras churras que nos chegaram. / The fleece from the Churra Galega Mirandesa breed, that stuck out from all the other churras we got.

As amostras de todas as lãs em bruto, já separadas e identificadas. /  The samples from the fleeces from all our national wools, properly separated and identified.


As amostras de todas as lãs em bruto, já separadas e identificadas. / The samples from the fleeces from all our national wools, properly separated and identified.

Deitamos mãos à obra e abrimos todas as embalagens que me tinham vindo a chegar durante semanas, para analisar e separar. Das Churras transmontanas às Algarvias, passando por diversas merinas, saloias e bordaleiras, foi um prazer ver e tocar em todas estas lãs nacionais pela primeira vez.
Os velos vinham em diferentes estados de armazenamento e limpeza, claro. Não nos podemos esquecer que a maior parte das nossas raças não têm como vocação principal a produção de lã e que, por isso, não é de estranhar que alguns velos nos cheguem incrivelmente sujos, com os duplos cortes típicos de uma tosquia mal feita ou mal enrolados. Por isso, grande parte do tempo foi gasto a fazer a desbordagem dos que vinham mais sujos, já que para a maior parte das raças pedi mais que um velo, e precisávamos de os voltar a armazenar de forma correcta para usar mais tarde.

Pudemos verificar que as churras conseguem ser bastante diferentes entre si, ficamos surpreendidas com a lã da Saloia (que nenhuma de nós havia ainda experimentado) e eu voltei a confirmar que a Bordaleira Entre Douro e Minho é completamente subestimada (o Martin já tinha comentado, após a nossa tosquia, que a achava uma lã bem interessante).

Do dia de trabalho resultaram mais de 15 embalagens, que contêm as amostras que seleccionámos para serem trabalhadas, devidamente separadas e identificadas.
Parte do trabalho vai prosseguir agora com a Guida Fonseca e a Isabel Cartaxo, em Viana do Alentejo, que vão trabalhar e analisar todas estas lãs pela primeira vez.

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[03.07.2015 / Este post refere-se à investigação e actividades desenvolvidas no âmbito do programa Saber Fazer em Serralves ]


Fleeces and more fleeces of portuguese wool


We started by opening all the packages that had been arriving for the last weeks, to analyse and separate all the wools. From the Trás-os-Montes Churras to the Algarve Churra, from the several merinos, the Saloias and Bordaleiras, it was a real pleasure to get to see and touch all these wools for the first time.
The fleeces arrived in very different conditions of dirtiness and storage, of course. We can't forget that most of sheep breeds in Portugal aren't raised for fiber purposes, and so it is perfectly normal that the fleeces arrive incredibly dirty, with second cuts from a bad shearing or not stored properly. So, a large portion of the time was spent skirting the fleeces, because I had asked for more than one fleece for each breed, and we needed to restore them properly for later use.

We could see how different our Churras are from each other, the wool from the Saloia surprised us (none of us had seen or touched Saloia before) and I confirmed, once again, that the wool from the Bordaleira entre Douro e Minho is underestimated (Martin had already mentioned, after the shearing, that he found this wool very interesting).

At the end of the day, we gathered more that 15 bags containing the samples selected to be processed.
Part of the work will now proceed in the hands of Guida Fonseca and Isabel Cartaxo, in Viana do Alentejo, where they will be processing, using and analysing these wools for the very first time.


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[03.07.2015 / This post refers to the investigation and activities developed during the Saber Fazer em Serralves program]

As lãs portuguesas de norte a sul

Estes são apenas alguns dos embrulhos que têm chegado a Serralves, de todo o país, com as lãs de todas as nossas raças autóctones.
Desde final de Abril que andamos a fazer contactos com associações e produtores para conseguirmos ter este material todo reunido e dar início ao que, a par do desenvolvimento dos ciclos de três fibras têxteis, também propus que fosse feito neste ano de 2015, a propósito do Saber Fazer em Serralves: uma publicação que se dedicasse a analisar e comparar as lãs produzidas pelas nossas raças autóctones.

Os velos que recebemos destinam-se a ser parcialmente processados para produzirmos as amostras que vão dar origem a este livro, que deve ficar disponível pelo final deste ano.
O objectivo é tão simples como este: produzir um documento que permita a alguém que trabalhe a lã numa escala mais pequena, ou que tenha um simples interesse pelo tema, conhecer as características básicas da produção lanar das nossas raças nacionais.
Estamos a falar de aliar dados mais técnicos, como o rendimento lanar, a espessura e comprimento médios das fibras produzidas pela raça, que geralmente já existem fruto de estudos zootécnicos, a questões ligadas ao processamento têxtil em pequena escala que, em Portugal, nunca são abordadas com o rigor que merecem. Por exemplo, perceber quais são as características naturais da lã que encontramos em cada raça, as variações que existem, o tipo de preparação mais adequado para essa fibra, ou que resultados obtemos quando as utilizamos para diferentes fins.
Um documento que, raça a raça, nos diga claramente o que temos por cá e que nos dê uma ideia do seu potencial.

Admito que estou bastante contente por termos conseguido reunir todas as lãs nacionais num só local, e também por ter a oportunidade de as conhecer em primeira mão, juntamente com as pessoas a quem pedi para me ajudar na tarefa de produzir a informação para este caderno.

Quando falo sobre este trabalho com alguém que esteja interessado no tema, recebo imediatamente a seguinte pergunta: "Mas então quantas raças autóctones temos?".
A resposta é: dezasseis, que são as seguintes, para quem desse lado tem a mesma dúvida:

- Bordaleira de Entre Douro e Minho (Minho);
- Campaniça (Baixo Alentejo e Algarve);
- Churra Algarvia (Algarve);
- Churra Badana (Trás-os-Montes - Terra Quente);
- Churra da Terra Quente (Trás-os-Montes / Terra Quente);
- Churra do Campo (Raia da Beira Baixa);
- Churra do Minho (Minho);
- Churra Galega Mirandesa (Trás-os-Montes / Planalto Mirandês);
- Churra Galega Bragançana Branca (Trás-os-Montes / Terra Fria Transmontana);
- Churra Galega Bragançana Preta* (Trás-os-Montes / Terra Fria Transmontana);
- Merino da Beira Baixa (Beira Baixa);
- Merina Branca (da Estremadura ao Algarve);
- Merina Preta (Beira Interior e Alentejo);
- Mondegueira (Norte do Alto Mondego) ;
- Saloia (Zona rústica de Lisboa, Setúbal);
- Serra da Estrela (zona da bacia do rio Mondego);

*declarada oficialmente em Julho de 2015;

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[Este post refere-se à investigação e actividades desenvolvidas no âmbito do programa Saber Fazer em Serralves ]


All the Portuguese Wools

These are only a few of the packages that have been arriving to Serralves, from all over the country, filled with raw wool from all our sheep breeds.
Since late April that we have been working hard at making the necessary contacts to be able to have all this material gathered, and start what, along with the development of the three textile fiber cycles, I also proposed to do this year for the Saber Fazer em Serralves program: a
 little book dedicated to analyzing and comparing all the wools produced by our local sheep breeds.

The fleeces we received are destined to be partially processed to make the samples that will be part of this book, expected to be ready by he end of this year.
The goal is as simple as creating information for those that work with wool in a smaller scale, or that simply want to know more about it, and want to know the fundamental characteristics related to fiber, from each breed.
We’re talking about more technical facts, like fiber length and thickness, but also facts related to small scale fiber processing that, in Portugal, are never subject of much rigour. For example, understanding the natural characteristics of the wool locks, the variations within the breed, the most adequate preparation for each type of fiber or what the best final uses may be.
Something that can clearly show what we have in our country and their potential.

I have to admit I'm quite happy to have succeeded in gathering all the different fleeces in one place and for having the opportunity to getting to know them first hand, along with the people I invited to help me produce the information and samples for this little study.

When I talk with someone that is interested in the subject about this work, I always get the following question: “So, how many sheep breeds are they in Portugal, after all?”. The answer is: fifteen, which are as follow, for you out there that also doesn't know about them:

- Bordaleira de Entre Douro e Minho;
- Campaniça;
- Churra Algarvia;
- Churra Badana;
- Churra da Terra Quente;
- Churra do Campo;
- Churra do Minho;
- Churra Galega Mirandesa;
- Churra Galega Bragançana;
- Merino da Beira Baixa;
- Merina Branca;
- Merina Preta;
- Mondegueira;
- Saloia;
- Serra da Estrela;

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[This post refers to the investigation and activities developed during the Saber Fazer em Serralves program]