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Na loja: livros sobre o Linho!

Encontrar livros sobre a cultura do Linho escritos em português não é coisa fácil. A maior parte dos que encontro e que são de facto úteis para a prática já foram publicados na primeira metade do séc.XX e são raridades, na verdade.
Por isso, quando encontrei este número sobre o Linho e a sua Cultura publicado pela UTAD, tratei logo de o disponibilizar na loja. Este pequeno livro trata dos assuntos relacionados com o cultivo do Linho, fase que é absolutamente crucial na produção de bom linho, como vim a perceber pela minha experiência em 2015.
Fala de características botânicas, exigências ambientais, variedades, ciclo cultural e produção. Está disponível na loja do Saber Fazer, aqui.

O segundo livro é mesmo uma raridade, que eu já tenho na minha colecção, mas tive a sorte de encontrar outro exemplar e tenho-o disponível também na loja.
O "Linho em Portugal", publicado pela Direcção Geral dos Serviços Agrícolas em 1943 faz um retrato da situação da cultura do linho em Portugal nessa época, mas também dá informação sobre alguns pontos que são intemporais: zonas para o desenvolvimento da cultura do linho, instalações para a maceração e preparação do linho, sementes, maceração e a preparação da fibra.


Finding books about flax in portuguese is really difficult. I managed to find a couple that are now available in my shop, but they are available only in... Portuguese! Sorry about that.

Linho. Mas qual linho?

Todos os Linhos cultivados pertencem à espécie Linum usitatissimum L., da qual fazem parte centenas de variedades diferentes.
Algumas destas variedades são comerciais e são estas que são utilizadas correntemente para a produção comercial de Linho para diversos fins, por serem mais produtivas.
Existem também variedades tradicionais que, apesar de não serem cultivadas comercialmente, além de estarem adaptadas às condições locais, encerram em si uma grande riqueza genética e, como tal, é muito importante que sejam mantidas.

Dentro das diferentes variedades que existem, umas estão mais vocacionadas para fibra e outras para a produção de semente, usada para diversos fins.
As variedades mais próprias para fins têxteis costumam ter um caule mais longo e não ramificado, assegurando que as fibras são mais longas. As variedades mais próprias para a produção de semente costumam ter caules mais curtos, muito ramificados. Atenção que uma variedade pode não apresentar uma vocação clara para um fim ou outro, podendo ter uma finalidade mista.

Portanto, depois de se decidir que vamos semear linho, a pergunta a fazer é que linho vamos semear?
Para o cultivo na Quinta de Serralves, iniciado em 2015, tivemos duas coisas em conta: a primeiro é que a finalidade deste linho é a obtenção de fibra têxtil e a segunda é que se faz questão que seja uma variedade tradicional. 

Em Portugal, as duas variedades tradicionais que eram mais cultivadas eram o Linho Galego, que é um linho de Primavera, e o Linho Mourisco, que é um linho de Inverno.
Existem referenciados linhos tradicionais com nomes comuns como CoimbrãoVerdealAbertiço, Serrano e Riga Nacional, entre outros, mas não existem dados científicos que possam confirmar se eram de facto variedades diferentes (com características diferentes), ou se seriam a mesma variedade com nomes comuns diferentes, atribuídos localmente.

Os linhos de Primavera são semeados em Março/Abril, têm um ciclo mais curto que termina geralmente em Junho/Julho e são, geralmente, os que têm o crescimento indicado para a produção de boa fibra. O Linho Galego era conhecido por produzir uma fibra mais fina e delicada.
Os linhos de Inverno são semeados em Outubro/Novembro, têm um ciclo invernal que termina praticamente na mesma altura que os de Primavera, ficando por isso muito mais tempo na terra, e costumam ser as plantas mais indicadas para a produção da linhaça. O Mourisco, apesar de resultar numa planta mais alta, produz fibras mais rústicas que o Galego, e também mais estopa e desperdício de palha.

Se soubermos que estas variedades nacionais raramente crescem mais que 40/50cm de altura, e que as variedades estrangeiras vocacionadas para fibra chegam ao metro de altura, não é difícil de perceber que a desvantagem é que o rendimento da fibra produzida, por área cultivada, será muito menor para as nossas variedades.
No entanto, falando de qualidade e não de rendimento, o Linho Galego, quando bem cultivado e processado, produz fibras muito finas e de grande qualidade que, de acordo com alguns testemunhos de quem processa e trabalha esta fibra anualmente, é mais delicada do que muitas variedades mais rentáveis, prestando-se a produzir fios mais finos. Ou seja, não é a variedade mais rentável, mas o que produz é de boa qualidade.

Moral da história: na quinta de Serralves, semeamos Linho Galego.