Linho Galego: a semente


Por já me terem sido oferecidas sementes de Linho Galego noutra ocasião, ainda que em pequena quantidade, não pensei que conseguir semente em quantidade suficiente para cultivarmos a área planeada fosse tão difícil. Mas até agora, nunca tinha tentado comprar ou arranjar semente desta variedade.

O Linho Galego, como já mencionei aqui, é uma variedade regional de linho com finalidade mista (fibra e linhaça).
Acontece que para uma variedade de sementes ser comercializada legalmente, esta tem que constar no Catálogo Nacional de Variedades (CNV) ou no Catálogo Comum de Variedades (Europeu). E para constar num destes dois catálogos, tem de corresponder aos critérios DHE: Distinção, Homogeneidade e Estabilidade. As variedades regionais, que são importantes precisamente por serem uma fonte de incrível diversidade genética que carrega consiga diversas vantagens, por natureza, falham em responder a estes critérios que procuram homogeneizar as culturas e, assim deixam de poder ser comercializadas e usadas de forma corrente.
Esta página aqui explica tudo isto bastante bem.

No CNV de 2015, consta apenas uma variedade de Linho, mas com vocação para a produção de linhaça e não fibra.  
Dos nossos linhos regionais, nenhum está inscrito num catálogo de variedades, o que quer dizer que, quando queremos cultivar uma variedade local de linho pela primeira vez, não podemos simplesmente comprar semente. A única forma de a obtermos é encontrar alguém que já a cultive anualmente e nos ceda gratuitamente a quantidade de que precisamos. Tarefa que se revela mais complicada quando sabemos que já não há tanta gente assim a cultivar Linho Galego e que os que o fazem não costumam ter excedente de semente em quantidade suficiente para ceder a quem também quer semear uma área considerável.

Para conseguirmos semente, foi preciso fazê-lo através do Banco Português de Germoplasma Vegetal.
O BPGV, o que faz desde 1977, e de forma muito simplificada, é "colher, conservar, avaliar, documentar e valorizar os recursos genéticos garantes do Sistema Nacional para a Conservação dos Recursos Genéticos". É um banco de sementes, e não só, que alberga neste momento 45.000 variedades de 150 espécies, que são não apenas conservadas, mas também multiplicadas no terreno de 8 hectares que é parte das instalações da instituição,  em São Pedro de Merelim (Braga). 
A cedência de sementes por parte do Banco faz-se, naturalmente, sob a condição do receptor se comprometer a conservar e propagar a variedade pedida.

A quantidade que nos foi cedida foi de 500gr, o que é substancialmente menos do que o necessário para semear a área que tinha planeado inicialmente,  mas é o que temos para trabalhar. Esta semente foi colhida originalmente em Ponte de Lima e foi propagada pela última vez nos terrenos do BPGV em 2007, tendo ficado conservada na colecção activa deles desde então.
Para nós, a acrescentar ao objectivo de ter fibra têxtil para trabalhar, acrescenta-se agora o de multiplicar a semente também. 

Para ver: mais imagens do BPGV que eu pude tirar durante a minha visita.

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