Posts tagged linho
A Primavera, mudanças e novidades
biohabitus-1.jpg
biohabitus.jpg
biohabitus-3.jpg
biohabitus-8.jpg
biohabitus-6.jpg
biohabitus-5.jpg
biohabitus-4.jpg

A novidade que a Primavera nos trouxe foi o início de uma parceria com o Francisco da BioHabitus, um projecto de produção e comercialização de legumes, hortícolas e aromáticas produzidos em modo biológico certificado aqui da zona do Porto, que nos irá receber para cultivarmos não só o nosso Linho, mas também as nossas Plantas Tintureiras.
Vai ser na quinta dele que vamos fazer as culturas anuais e onde vamos fazer as actividades ligadas a estas produções, como o Curso do Linho de 2018 e as oficinas de Tinturaria Natural do primeiro semestre. 
A produção própria dos materiais com que trabalhamos tornou-se cada vez mais importante e distintivo nas oficinas que realizamos e é algo em que queremos continuar a apostar, por isso tornou-se indispensável encontrar um parceiro com quem partilhássemos os mesmos objectivos para fazer tudo crescer de forma mais estável e continuada.

Tivemos de fazer algumas mudanças, como transplantar umas Ruivas-dos-tintureiros que semeamos no ano anterior mas que já exibem umas belas raízes avermelhadas, e trazer os pastéis-dos-tintureiros connosco para florir e dar semente.
Esta mudança também provocou um atraso no agendamento das actividades ligadas à produção de Linho, mas já está tudo programado e em progresso. Podem ver aqui a programação para o Curso do Linho de 2018 e também as oficinas pontuais.

Agora vamos trabalhar para planear e preparar as sementeiras (se a chuva der um descanso).

Se quiserem receber as novidades relativamente a cursos e oficinas, não se esqueçam que a newsletter chega sempre primeiro.

/

The news that Spring brought was the beginning of a partnership with Francisco from BioHabitus, an organic agriculture project located right here in the Porto area, that will receive us to grow not just our linen, but also our dyer's garden.
It's going to be on his farm that we're going to grow our annual productions and host the activities related to these productions, like the Flax production course and the Natural Dyeing workshops.
Having our own production of the materials we work with have become increasingly important and differentiating and that's definitely something I want to keep investing in. That's why it became important to find a partner that is on the same page and shares the same goals so that we can make everything grow in a more stable way.

We had to make some changes and moves, like transplanting a few madder plants that we started last year but that are already showing beautiful red roots, and also bring our woad plants to flower inFranscisco place.
This change caused a small delay in the spring activities planning, but things are now on track. You can check here the program for the Flax production course and other workshops related to the theme.

Now we're off to plan sowing season if the rain gives us a break.

 

(re) Construir uma espadeladora de linho
flax-scutcher-01
flax-scutcher-03
À esquerda, linho moído, ainda com muita palha. À direita, linho semi-espadelado na espadeladora /  On the left, broken flax with a lot of tow. On the right, semi-scutched flax done on our prototype.

À esquerda, linho moído, ainda com muita palha. À direita, linho semi-espadelado na espadeladora / On the left, broken flax with a lot of tow. On the right, semi-scutched flax done on our prototype.

Quem me conhece mesmo bem, sabe que não ando aqui pela tradição. Ando aqui porque acredito que é possível produzir de forma mais consciente e sustentável a todos os níveis e que essa produção mais consciente depende, em grande parte, da possibilidade de reduzirmos a escala e tirarmos partido dos recursos locais.
Infelizmente, os meios de produção em pequena escala sofreram um grande desbaste nas últimas décadas e, na maior parte das vezes, controlar os meios de produção já não está ao nosso alcance. Não está tecnicamente ao nosso alcance: não há equipamento, o conhecimento é escasso e recuperar ambas as coisas é uma empreitada que poucos estão dispostos a levar a cabo. É por isso que um dos maiores focos do meu trabalho é reunir conhecimento. Não para o manter como alguns acham que sempre foi, mas para que quem também acredita nisto possa pegar nele e usá-lo para criar alternativas às fontes de consumo que temos actualmente.

E eis que chegamos ao linho, uma das fibras que mais gosto de semear e ver crescer, mas que me provoca um pouco de angústia quando tenho de a processar. Não tenho problemas em ripá-lo. Para o quebrar tenho acesso a vários dos poucos engenhos de linho que ainda funcionam no nosso país. Mas tudo pára (ou pelo menos abranda muito) quando tenho de o espadelar. Tal como me recuso a maçar o linho para o partir (a não ser que seja para uma pequena demonstração), ter de o espadelar à mão nunca me caiu muito bem. É um trabalho lento, pouco rentável e fisicamente muito exigente. O pior é saber que já existiram alternativas perfeitamente simples e produtivas para fazer esta tarefa: as espadeladoras. Uma espadeladora está para a espadela e espadeladouro como a roda de fiar está para o fuso.
O problema é que praticamente já não existem pequenas espadeladoras e as únicas duas que conheço (esta e esta) foram construídas para uma variedade de linho muito maior que a variedade regional que cultivamos e, portanto, é inútil para usar no linho galego.

Depois de 2 anos consecutivos a cultivar linho em quantidade já apreciável decidi que não voltava a espadelar tanto linho à mão (mais uma vez, a não ser que seja para uma pequena demonstração).
Na verdade já tinha percorrido tudo à procura de uma máquina destas que estivesse escondida ou encostada em algum museu cá em Portugal. Talvez funcionasse igualmente bem e não teria de investir tempo e dinheiro a reconstruir conhecimento, mas não encontrei nada.

A dificuldade em construir uma espadeladora nova estava também em encontrar alguém que não só reunisse os conhecimentos técnicos necessários, mas que gostasse genuinamente de construir coisas diferentes. Sorte a minha, o Hugo, que para quem não sabe era o mecânico expert da Velo Culture, tinha acabado de começar o Chave Treze, o projecto dele dedicado a construir coisas. Todo o tipo de coisas, especialmente máquinas e também espadeladoras. É que rodas de bicicletas e rodas de espadelar têm muito em comum, afinal.
Portanto, uns meses depois de lhe fazer o meu pedido, tenho uma espadeladora que, apesar de ainda ser um protótipo, roda suavemente com os seus rolamentos do séc.XXI e faz muito bem o trabalho que lhe compete, com zero esforço físico da minha parte.

A versão final é suposto ter pedal e o suporte para o linho de posição ajustável, além de ser desmontável para poder viajar para as oficinas do linho, mas tal como está já me deixa muito feliz!

/

Those that know me really well know that the work I do isn't about tradition. It's about manufacturing in a more conscious and sustainable in all areas and knowing that that sustainability greatly depends on the ability of reducing production scales and using local resources.
Unfortunately, the means of production that allow for this small scale of production have been largely replaced and for most of the time, taking control of production and manufacturing simply is simply out of reach for us, anymore. It's technically out of reach: there's lack of equipment, lack of knowledge and restoring both is an enormous effort that only a few are willing to put in.
That's why I focus so much on gathering knowledge. Not to keep it as some think it has always been, but so that someone else can take it and use it to create alternatives to the consumption sources we depend on currently. 

And here's flax, one of the fibers I most love o sow and watch grow, but that makes me feel a little anxious when I think about processing it into linen. I have no trouble rippling it. To break it, I can use any of the few flax grinders that are still in working order in Portugal. But everything stops when I have to scutch it (or at least it slows down a lot). The same way as I refuse to break flax with a mallet (except for small demonstrations), having to scutch it by hand doesn't sit right with me. It's slow, not very productive and it's hard on your body. And I know that simple, yet effective alternatives, have existed: rotary scutcher. A scutching wheels is to a scutching knife what a spinning wheel is to a spindle.
The problem is that you can't find one of these scutching wheels anymore and the only two I have close (this and this) by were built for a variety of flax that is a lot longer than the regional variety that we grow here, and so are useless.

After 2 years of growing flax in a considerable amount I decided that I would not hand scutch it anymore (once again, except for demonstrations). I had looked up and down the country for one of these scutchers, hidden in a barn or lying still in a museum. It would probably work as well and I didn't have to spend the time and money to built a new one, but I just didn't find it.

The difficulty in building a new scutcher was also in finding someone that had not only the technical knowledge, but that would also enjoy building something unusual. Lucky for me, Hugo, that for those who don't know was the top bike mechanic at Velo Culture, had just started his new project, Chave Treze, devoted to building things. All types of things, especially machines, scutching wheels too. 
A few months went by since I briefed him and now I have a scutching wheel that in spite of being just a prototype, spins smoothly thanks to 21st century bearings and does the job without breaking my arm.
The final version is supposed to have a foot pedal, as well an adjustable support for the flax and have the option to be desassembled so that I can take it with me for the flax workshops, but it works wonderfully just how it is!

devagar e constante

Este ano tivemos um tempo radicalmente diferente do ano passado durante esta época de cultivo do Linho: muita chuva e, principalmente, temperaturas mais baixas mas que têm subido de forma constante. O resultado foi ter um linhal com plantas mais altas do que as de 2015, em que tivemos uma Primavera demasiado quente.
O Linho gosta de temperaturas amenas e que sobem gradualmente, para poder crescer devagar e em altura, o ideal para quem quer produzir fibra. É por isso que as melhores zonas de cultivo para esta fibra em Portugal são na zona litoral norte, do Porto para cima.


Slow and Steady

This year the weather was radically different from last year's during the flax season: lots of rain and lower temperatures that have been raising slow and steady. Because of this, our flax field is already taller than the one from 2015, when we had a Spring with very high temperatures.
Flax enjoys bland temperatures that rise gradually, so that it can grow slow and as high as possible, which is what we need for good fiber. That's why the best areas in Portugal to grow flax are in the northern coast line, from Porto up to the border with Spain.

 

Sementeira do Linho 2016

Depois da dificuldade que foi arranjar a semente de Linho Galego para dar início a esta cultura na Quinta de Serralves em 2015, soube bem multiplicá-la e assegurar o linhal deste ano sem ter de andar a contar sementes.
Mais uma vez, queria ter feito a sementeira muito mais cedo, mas se no ano passado foi a falta de maquinaria que nos atrasou, este ano foi a chuva interminável. Na semana passada, dia 21 de Abril, aproveitamos o sol, fez-se uma segunda mobilização do solo e tratamos do assunto.

À segunda volta, com mais experiência na matéria, algumas coisas fizeram-se melhor: o terreno foi preparado com mais antecedência para prevenir o aparecimento de infestantes, a sementeira foi toda feita a lanço para garantir uma densidade uniforme e ainda conseguimos desencantar um rolo no armazém para compactar o solo, o que veio mesmo a calhar porque acho que triplicamos a área do ano passado.

Portanto, com o que aprendi no ano passado com a Dores, o Eng.António Silva e a nossa experiência, as directrizes básicas para se fazer uma boa sementeira de linho são as seguintes:

- preparar o terreno com antecedência;

- bom timing. Escolher a altura certa para semear é meio caminho andado. Aqui no Litoral Norte pode ser logo no início da Primavera, desde que as primeiras geadas já tenham terminado. No interior será mais tarde;

- fazer a sementeira a lanço, de forma relativamente densa e uniforme, para se garantir um linho que cresça sem ramificar e relativamente fino, para obtermos uma fibra longa e fina.

- Cobrir a semente com cerca de 1cm de terra e compactar com um cilindro, para aconchegar a semente à terra e criar um efeito "sifão" que vai bombear a humidade das camadas inferiores, evitando que se tenha de regar;

Passados uns quatro ou cinco dias, a semente deve começar a germinar.
A literatura e os profissionais dizem ainda que o linho não deve ser cultivado no mesmo terreno 2 anos seguidos - deve ser feita uma rotação de 3 anos. 


Outros posts no Saber Fazer com mais informação útil sobre a cultura do Linho:

- Que variedade de Linho cultivar;
- Que quantidade de semente é necessária e porquê;
- o que é o Linho Galego e porque é que não encontramos esta semente à venda;


2016 Flax sowing


After the trouble we had finding Galego Flax seed to start our crop in Serralves last year, it felt good to have it multiplied and have this year's sowing assured without having to count seeds.
Once again, I wanted to have it done earlier, but the endless rain we had here kept us postponing it. Last week the sun came out and we managed to do it.
The second time around, we benefited from last year's experience and some things were done better: the soil was prepared a little more careful, the seeds were all broadcasted to guarantee a good and even plant density and we even managed to find a cylinder to compact the soil, which was great because I think we tripled the area.
So, based on what I learned last year from Dores, Eng.António Silva and my own experience, here are the basics for a good flax sowing:

- good preparation of the soil;

- good timing! Picking the right time is crucial. In Porto the sowing can be done has soon as March, as long as the frost is gone. In the interior, the season is a little bit later;

- broadcasting the seed in an even an dense distribution, to make sure the flax grows tall and thin;

- covering the seed with about 1 cm of soil and compact the ground to pump the moisture from the lower layers (no watering needed at his stage!);


More useful information about flax growing:
- what type of Flax to sow;
- how much seed you'll need and why;
- what is Galego Flax and why you can't find seeds for sale anywhere;

Cá estão eles!

Quatro dias depois da sementeira, os primeiros rebentos do linho galego começaram a espreitar.

--

[27.04.2015 / Este post refere-se à investigação e actividades desenvolvidas no âmbito do programa Saber Fazer em Serralves ]


Here they are!

Four days after the sowing, the little galego flax sprouts started peeking out.

--

[27.04.2015 / This post refers to the investigation and activities developed during the Saber Fazer em Serralves program]

O Linho - preparação do terreno
   Imagens: Carlota Carqueja - Serralves; /  Photos: Carlota Carqueja - Serralves;

 

Imagens: Carlota Carqueja - Serralves; / Photos: Carlota Carqueja - Serralves;

O nosso Linho foi semeado mais tarde do que devia, a 23 de Abril. O plano era fazê-lo duas semanas antes, no final de Março/início de Abril, mas problemas relacionados com o equipamento que era necessário para mobilizar o solo, obrigaram não só a que o momento fosse sucessivamente adiado, mas também a mudar de localização para o cultivo, e esta data foi o melhor que conseguimos fazer. 
Idealmente, a própria preparação do solo seria feita algum tempo antes, mas o início do trabalho sobre o linho começou muito em cima daquilo que é a época de sementeira aqui no Norte Litoral, e não houve tempo suficiente para estrumar ou adubar o solo com a devida antecedência. 

Assim, no dia 20 de Abril, preparou-se o terreno para semearmos o linho.
Primeiro passou-se a fresa para destruir as infestantes, que estavam muito altas, e esmiuçar o solo.
De seguida passou a charrua de aiveca para revirar o solo e enterrar os resíduos de infestantes deixados à superfície. E por último, foi passada a grade de dentes para alisar o solo.
As infestantes que delimitavam o terreno foram removidas com a moto-roçadoura.

--

[20.04.2015 / Este post refere-se à investigação e actividades desenvolvidas no âmbito do programa Saber Fazer em Serralves ]


Flax  - Preparing the soil

Our flax was sowed a little bit later than it should have, by the 23rd of April. The plan was to do it two weeks earlier, at the end of March/beggining of April, but problems related with the equipment necessary to prepare the soil made us postpone it several times, and also change the location, and this date was the best we could do.
In perfect conditions, the soil preparation also should have been done a lot earlier, but my work on flax started a little bit on top of what is the right sowing season here in the north of Portugal, and there was not time enough to fertilize in advance.

So, in the 20th of April, the grounds for the flax crop was prepared.
First, we used the milling cutter to destroy the weeds, that had grown tall, and break the soil.
Next, the plow was used to turn the soil and bury the weed traces that were on the surface. And last, we used the harrow to even out the ground.
The weeds around the grounds were removed using an electric hedge trimmer.

--

[29.04.2015 / This post refers to the investigation and activities developed during the Saber Fazer em Serralves program]

Instituto Monsenhor Airosa
IMG_4456.jpg

Fiar e Tecer são duas actividades que exercem sobre mim um fascínio fantástico. Repare-se que [ainda] não sei fazer nenhuma das duas, mas quando vejo a fibra a transformar-se em fio, seguida do fio em tecido não consigo deixar de pensar que têm uma aura mística qualquer que me deixa hipnotizada.

Quando fotografei o Linhal, em Julho do ano passado, fiquei a saber que o linho lá produzido era enviado para ser tecido no Instituto Monsenhor Airosa, em Braga, sendo depois devolvido para serem confeccionados os trajes tradicionais do Grupo Folclórico da Corredoura. Tenho conhecimento de alguns artesãos que têm e trabalham com teares artesanais, mas ainda não tinha visitado nenhum local com uma estrutura destas. Os teares são mecânicos, mas funcionam num sistema misto entre o completamente automatizado e o completamente artesanal.

As tecedeiras já são poucas, não é de admirar, e para que as máquinas não enferrujem, a D.Isabel, tecedeira-mor, faz rodar os trabalhos cada quinze dias de modo a manter tudo funcional.

Trabalham com linho, principalmente, mas também com lã e algodão. Fazem trabalhos por iniciativa própria, para comercializar, mas também aceitam encomendas específicas de fora, e aí até trabalham com o fio que lhes for fornecido. Não ficou por expressar a dificuldade que têm tido para conseguir fornecimento de linho e algodão. O linho vem de Itália, porque se tornou impossível obtê-lo em Portugal há já muitos anos. O algodão está cada vez mais difícil de obter, não é difícil perceber porquê. A maior parte dos desenhos reproduzidos ainda são os originais criados pelo Monsenhor Airosa, guardados desde sempre num dos armários do centro, e traduzidos para serem tecidos através dos cartões perfurados, em linguagem de zeros e uns.

Nisto tudo, para mim, a D.Isabel é a personagem-chave que faz tudo funcionar como deve ser. Faz exactamente hoje, dia 17 de Março, 54 anos que lá entrou com 15 anos apenas, e desde então que vive no meio dos teares. Estive com ela 3 horas e fiquei a desejar que a tecnologia chegasse ao ponto em que fosse possível transferir integralmente a informação contida no cérebro desta mulher. Acho admirável, já que eu fico baralhada só de olhar para o emaranhado de fios que sobe e desce para fazer o trabalho todo.

Spinning and Weaving are two things that have this mesmerizing power over me. I don’t know how to do any of the two, yet, but when I see the fiber turning into yarn, and then the yarn into fabric I can’t help thinking that there’s a mystical aura about it that hypnotizes me.

When I photographed the Linen process, last July, I was told that their linen was sent to the Instituto Monsenhor Airosa, in Braga, to be woven into fabric that then would be sent be back to make the typical clothes of the Folclorical Group. I know of a few artisans that have artisanal looms, but I had never visited a place with a structure like this. Their looms are mechanic, but they work in between the completely automatized and completely handweaved.

There only a few women weavers, not a surprise, and to prevent the looms from rusting, Miss Isabel rotates the work every two weeks in order to keep the machines working.

They work mainly with linen, but also with cotton and wool. They work on their own, but also accept orders from the outside and even work with whatever yarn is supplied. The difficulty of finding a steady supply of linen and cotton was obvious. The linen comes from Italy, since it became impossible to find in Portugal many years ago, and they are struggling to buy cotton and it’s not hard to know why. Most of the patterns were designed by Monsenhor Airosa, kept in paper and translated to the looms in a language of zeros and ones using these punched cardboards.

In the middle of all this, the most relevant character would be Miss Isabel. Today, 17th of March, it’s the 54th birthday of her coming to this institution, at the age of fifteen, and she’s been living amidst the looms ever since. I spent only three hours with her and came home wishing that technology was advanced to a point that allowed me to download all the information in this woman’s brain. Along with the weaving, these women are also responsible for maintaining and repairing the looms and other machines. Set in a corner, they have all the tools and parts necessary to repair anything right there. If a mechanic is necessary to work on something heavier, he still needs miss Isabel to run the operation and make sure that everything gets assembled correctly. For me this is admirable, considering that I get confused just by looking at the tangled threads that go up and down to do all the work, let alone assembling them.

 

Instituto Monsenhor Airosa
Rua Monsenhor Airosa
4704-537 Braga - Portugal
+351 253 204 150
geral@artesanato-airosa.pt 
www.artesanato-airosa.pt