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[wip] Lãs Portuguesas - um guia prático
Ora aqui está um problema que eu nunca tenho.
Se eu sabia que passar destes sacos de lã em bruto oriundos de todos os cantos deste país para uns micro-envelopes como estes ia dar tanto trabalho? Claro que não. Mas ainda bem que não sabia, senão tinha-me assustado e hoje ainda não teria nada disto feito.
Entretanto: raças ovinas nacionais.
Enquanto não termino a maratona que está a ser o trabalho sobre as lãs produzidas pelas nossas raças autóctones, aqui fica um videozinho sobre as raças ovinas nacionais.
As primeiras experiências
Mesmo estando soterrada em trabalho e sem tempo para escrever todos os posts que tenho para escrever, não quis de deixar de partilhar as primeiras experiências da Guida Fonseca com algumas das lãs descobertas através do processo de trabalho para o estudo comparativo das lãs produzidas pelas nossas raças autóctones, que estamos a desenvolver, na sua própria produção.
Classificação das Lãs Nacionais
Uma coisa que é bom conhecer quando se trabalha com lãs, é a Classificação das Lãs Nacionais que se encontra neste momento em vigor no nosso país. Estas duas tabelas não são os documentos mais fáceis de encontrar online, embora esteja disponível em diversas bibliotecas, mas tive a sorte de, no momento em que procurei (leia-se "googlei") pelo livro, o ter encontrado num alfarrabista cá no Porto, em excelente estado de conservação.
Inventário
A obcecada por informação organizada que há em mim está super-excitada com esta imagem que a Guida acabou de me enviar, com as amostras de todas as lãs portuguesas (mechas sujas e já lavadas), devidamente organizadas e identificadas.
Lã Portuguesa - as madeixas em bruto
Entretanto, os trabalhos de processamento e análise das lãs portuguesas prosseguem nas mãos da Isabel e da Guida, já em Viana do Alentejo.
Por aqui, vou partilhando algumas imagens do trabalho em progresso que vou acompanhando à distância
Velos e mais velos de lã portuguesa
Deitamos mãos à obra e abrimos todas as embalagens que me tinham vindo a chegar durante semanas, para analisar e separar. Das Churras transmontanas às Algarvias, passando por diversas merinas, saloias e bordaleiras, foi um prazer ver e tocar em todas estas lãs nacionais pela primeira vez.
As lãs portuguesas de norte a sul
Estes são apenas alguns dos embrulhos que têm chegado a Serralves, de todo o país, com as lãs de todas as nossas raças autóctones.
Desde final de Abril que andamos a fazer contactos com associações e produtores para conseguirmos ter este material todo reunido e dar início ao que, a par do desenvolvimento dos ciclos de três fibras têxteis, também propus que fosse feito neste ano de 2015, a propósito do Saber Fazer em Serralves: uma publicação que se dedicasse a analisar e comparar as lãs produzidas pelas nossas raças autóctones.
A Técnica Bowen de tosquia
Das primeiras vezes que falei com a Suzana sobre o tipo de tosquia que o Marty fazia, ela disse-me logo que a técnica usada por ele era a técnica Bowen e remeteu-me para este vídeo para me introduzir ao assunto.
Porquê tosquiar?
O único objectivo da tosquia não é obter a lã enquanto matéria-prima, e diria até que para a maior parte das raças que são mantidas pelo Homem, esse nem é o objectivo principal. Aqui em Portugal, em que a maior parte dos ovinos não têm como vocação principal a produção de lã, e em que a lã já não tem (ou ainda não tem?) grande valor económico, os animais são tosquiados na mesma.
A Tosquia na Quinta de Serralves - 2015
No sábado passado o tempo esteve fabuloso, apareceu um público muito interessado e participativo, e depois da tosquia feita pelo Martin, as ovelhas estão mais fresquinhas e nós temos uns belos velos de Bordaleira-de-Entre-Douro-e-Minho para trabalhar. Ou seja, foi uma manhã perfeita.
Vem aí a tosquia!
Estamos quase em Maio, e a época da tosquia já está aberta há algum tempo, mas em Serralves, a primeira tosquia às ovelhas Bordaleiras-de-Entre-Douro-e-Minho a ser realizada na própria Quinta vai acontecer no próximo sábado dia 9 de Maio, pelas 11h.
Aquisições recentes
Os livros que procuro têm sempre um cariz mais técnico e prático, do que histórico ou etnográfico, o que faz com que sejam sempre mais complicados de encontrar. Mas nos últimos tempos vieram parar-me
as mãos uns quantos que têm a ver com temas que ando a investigar.
com quantas ferramentas se faz uma mainça
Quem sabe mesmo fiar, fia com qualquer coisa, até com uma pedra. É por isso que a minha picuinhice com o peso, forma e material dos fusos pode ser completamente subjectiva.
Lavar a lã com a D.Ilídia
No início de Janeiro, fui ter com a D.Ilídia e juntas lavamos uma bacia de lã, para ela me ensinar como se faz isto como deve ser.Lavar a lã é uma das fases do processo da lã aparentemente mais simples, mas que para mim encerram alguma sabedoria.
Anatomia do Pisão de Bucos
Anatomia do Pisão de Bucos, agora extinto, no livro "Tecnologia Tradicional - Pisões Portugueses".
Adelaide e a Lã
Numa visita à D.Ana, marcada para ela me explicar como funcionavam os "riscos" do tear, tive a sorte de conhecer também a D.Adelaide, que é a sua irmã mais velha. Trazia consigo mais alguns riscos e umas mantas, para que eu pudesse perceber melhor como tudo funciona.
Fazer um fuso com o Zé Manel
Quando comecei a aprender a fiar, tornou-se indispensável arranjar uma roca e um fuso para mim. Como tive a sorte de estar a aprender com quem sabe o que faz no que diz respeito à fiação, fui logo informada das características de um bom fuso: são de carvalho, para que tenham um peso próprio adequado, são esculpidos à mão do início ao fim e têm uma mainça bem definida
Apisoar a lã
A folhear o Tecnologia Tradicional: Pisões Portugueses achei uma coincidência engraçada que as únicas fotos de um pisoeiro em acção fossem as do pai do Sr.Francisco, pisoeiro do Pisão de Tabuadela, que já tive a oportunidade de visitar.

